Marcus Korobinski e Renata Carvalho, da Realgems, no lançamento da Real Hospitality Academy.(Marcio Loducca/ Hotelnews)
A falta de profissionais qualificados é um dos principais desafios da hotelaria brasileira, que também enfrenta dificuldades para atrair e desenvolver novos talentos. A busca por alternativas para ampliar a formação no setor está entre as razões para a criação da Real Hospitality Academy, plataforma de ensino a distância voltada à qualificação e à atualização de profissionais da hospitalidade.
Apresentada durante a Equipotel 2026, em São Paulo, a plataforma já está disponível e reúne cursos gratuitos e pagos. O conteúdo é organizado em diferentes níveis, permitindo que o aluno avance de acordo com sua experiência e interesse. O acesso não exige conhecimento prévio em hotelaria.
Segundo Valdinei Mathias, diretor da Real Hospitality Academy, a ideia é que o profissional possa construir um histórico de qualificação ao longo do tempo. Os certificados dos cursos registram as formações concluídas e podem ser apresentados em processos internos de empresas ou na busca por novas oportunidades.
A Realgems Cosméticos & Amenities é patrocinadora da iniciativa. Para Renata Carvalho, diretora Comercial da empresa, a proposta atende a uma demanda identificada no mercado. “Me encantei pelo projeto desde o primeiro momento. A Real Hospitality Academy é algo que acreditamos muito e vem de encontro com a necessidade que o mercado tinha de trazer conhecimento”, disse.
Os cursos pagos têm valores acessíveis e possibilidade de parcelamento. A estrutura também foi pensada para atender profissionais de estabelecimentos de diferentes portes, das grandes redes às pousadas.
A Real Hospitality Academy estabeleceu como primeira meta chegar a mil alunos até o fim de 2026. Depois disso, a estrutura de conteúdo será ampliada com podcasts, webinars e módulos voltados à aplicação prática dos conhecimentos.
As aulas são ministradas por profissionais com experiência prática na hotelaria, entre especialistas, executivos, consultores e professores ligados ao mercado, como Rui Ventura, Gisela Oliveira, Josete Gamma, Danisa Schürmann, Christiane Martins, Rui E. Schürmann e Jorge Muniz.
Cursos buscam atender diferentes realidades do setor hoteleiro
Para Mathias, um dos desafios da formação na hotelaria está justamente na diferença entre os estabelecimentos. As necessidades de uma grande rede não são as mesmas de uma pousada com dez ou 15 quartos, assim como os níveis de conhecimento dos funcionários também variam.
Antes de atuar na hospitalidade, Mathias trabalhou na área de administração e gestão empresarial. A experiência no setor hoteleiro, segundo ele, evidenciou a importância da gestão de pessoas e da necessidade de transformar problemas cotidianos das empresas em conteúdos de aprendizado.
“O maior desafio é entender esse mercado, rapidamente absorver as dores dele e começar a trabalhar e traduzir isso para aprendizado”, afirma.
A proposta da academia é acompanhar diferentes momentos da trajetória profissional, desde a entrada no setor até a preparação para novas funções. Para o diretor da Real Hospitality Academy, a qualificação acumulada ao longo desse percurso pode ajudar o trabalhador a demonstrar conhecimentos adquiridos quando surgirem oportunidades dentro ou fora da empresa em que atua.
Inteligência artificial entra no catálogo
Embora a hospitalidade seja o foco da academia, os conteúdos não ficarão restritos ao setor. A tecnologia ocupa parte importante do catálogo da academia. Já há conteúdos relacionados à inteligência artificial e segurança digital, enquanto outros materiais estão em fase de edição para entrar na plataforma.
Os cursos de IA abordam aplicações em diferentes níveis. Entre os exemplos citados por Mathias estão a automação de tarefas em uma pousada, o atendimento ao hóspede e o uso de dados de sistemas de gestão para análises. A ideia é ensinar não apenas a utilizar as ferramentas, mas também a interpretar as informações produzidas por elas.
A plataforma também está estruturando cursos de maior duração e carga horária em parceria com uma universidade. Nessa modalidade, o aluno terá diploma de curso de extensão reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), conforme a certificação vinculada à instituição de ensino parceira.

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