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Pisos de madeira

A utilização da madeira na decoração emana o conforto e o aconchego da natureza. As diversas possibilidades de padrões e a facilidade na manutenção são outros argumentos que motivam a utilização do produto em diferentes ambientes. Para que o resultado estético e a durabilidade sejam o esperado, é fundamental acompanhar, cuidadosamente, diversas etapas entre a aquisição e a colocação.

O principal inimigo da madeira é a umidade. Assim, tanto os pisos sólidos ou maciços (tábuas, tacos e parquets) quanto os de madeira reconstituída ou painel (carpetes e laminados) devem se ajustar às condições do local onde serão instalados. Ou seja, “o teor de umidade da madeira deve ser adequado à temperatura e umidade relativa do ar ambiente”. Outro cuidado importante refere-se à condição do contrapiso, esse deve estar seco, nivelado, limpo e sólido, ensina Takashi Yojo, pesquisador do CT Floresta do IPT (Centro de Tecnologia de Recursos Florestais, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

A umidade gera manchas, peças soltas, empenamento, descolamento e outros defeitos. Nos empreendimentos praianos, devido à umidade natural do litoral, há certa resistência quanto ao uso dos pisos de madeira. Com a evolução tecnológica, isso está mudando. “Nada impede que sejam utilizados, desde que a instalação seja correta. Não devem ser lavados. Na limpeza, basta um pano úmido bem torcido. Os pisos frios são insubstituíveis, apenas, em áreas externas ou molhadas, como banheiros”, afirma Rosely Pardini, arquiteta e administradora de empresa, que, na Nova Equipotel 2008, projetou a Pousada de Campo, ambiente do Equip Design.

Instalação
Os pisos maciços têm fixação mecânica ou adesiva e, normalmente, recebem acabamento de superfície no local da instalação, depois de colocados, lixados e calafetados. Algumas empresas anunciam o revestimento pronto para instalação – com uma película protetora.
Com o tempo de uso, quando necessário, os maciços permitem novas raspagens e aplicações de acabamento de superfície. Nesse caso, a face superior poderá apresentar desenhos decorativos distintos, em função da direção do corte em relação à orientação da grã.

Já o carpete é composto, basicamente, de um substrato (madeira compensada, chapa de fibra ou aglomerado), revestido com lâmina de madeira decorativa numa face e acabamento de superfície nas duas. O laminado utiliza como substrato a chapa de fibra (MDF/HDF) ou aglomerado, revestido com laminado decorativo na face, balanceamento na contra face e acabamento de superfície, explica Takashi.

Na instalação do carpete, as peças são coladas e encaixadas no sistema macho-e-fêmea. Já nos laminados, os vãos dos encaixes macho-e-fêmea são preenchidos com cola. No sistema click, não há colagem, só encaixe, o que permite a reinstalação. Em ambos, a colocação é simples e rápida.

Procedimentos simples prolongam a vida útil dos pisos de madeira. Para limpeza, basta um pano úmido ou mop bem torcido. Proteja os pés dos móveis com feltro, evite o sol incidente no assoalho e nunca deixe em contato com água. Takashi informa que a madeira sólida pode ser utilizada em áreas de alto tráfego. No entanto, isso exige maior manutenção, acarretando em reparos mais freqüentes, no acabamento de superfície, devido ao desgaste por abrasão.

Já o carpete não suporta alto tráfego – o acabamento de superfície não possui resistência adequada. No caso do piso laminado, existe uma especificação para essas áreas, mas as exigências de resistência e de manutenção são muito rígidas, principalmente em relação ao desgaste por abrasão e processo de limpeza.

O pesquisador acrescenta que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) dispõe, apenas, de normas para os laminados de alta resistência (NBR 14 833-1: 2002), em processo de revisão para posterior divulgação. Entre outros aspectos, essa normalização indica as características dos produtos para uso doméstico ou comercial, os níveis de trafego (baixo, médio e alto). Na escolha do piso, o IPT presta orientações aos consumidores, mediante solicitação formal endereçada ao órgão (www.ipt.br/).

Decoração
A grande variedade de tonalidades das peças da madeira facilita a combinação com a decoração dos ambientes, diz Rosely. Ressalta: “gosto muito de usar esse revestimento porque valoriza o projeto. Sempre se consegue padrão que combine com a necessidade do cliente. Um bom exemplo foi visto no Equip Design 2008, onde os profissionais criaram belíssimos ambientes para praia, campo e cidade, com pisos de madeira”.

Em sua opinião, nos meios de hospedagem, a decoração vive um momento de grandes transformações. A idéia de que o ambiente clássico resulta em maior durabilidade e redução de gastos está “caindo por terra”. Atualmente, os hóspedes são mais informados e exigentes, têm uma percepção de conforto e aconchego vinculada à modernização.

Ela enfatiza: “uma das funções do arquiteto e mostrar, ao empreendedor, os materiais novos fornecidos pelas indústrias, apontando a aplicabilidade, a durabilidade e o custo benefício. É importante o segmento hoteleiro se preocupar com a renovação da decoração para acompanhar a concorrência. Além disso, nem sempre as soluções clássicas representam durabilidade e redução de custos”.

A arquiteta ressalta ainda que os projetos devem refletir a preocupação do profissional com a sustentabilidade. Tratando-se desses pisos, na compra, é fundamental conferir se o produto acabado foi fabricado com madeira certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council) – processo realizado para garantir a origem das madeireiras. Em pesquisa realizada, pelo sistema on-line, em junho de 2008, o instituto britânico TNS (Taylor Nelson Sofres) constatou que, para 52% dos 400 entrevistados brasileiros, as questões ambientais influenciam diretamente a decisão de compra e 83% estariam dispostos a pagar mais por produtos e serviços ecologicamente corretos. Esse estudo abrangeu 17 países, com 13.128 pessoas entrevistadas.

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