Patagônia

Aventura e paisagens deslumbrantes na rota do caminho mais austral do planeta

Cinzas expelidas pelo vulcão Puyehue-Cordón Caulle , no Chile, no último mês junho por pouco não jogaram por terra todo o planejamento de uma temporada inteira na Patagônia, uma das regiões mais belas e preservadas do mundo, que o país divide com o lado sul da vizinha Argentina.

O nome Patagônia foi atribuído à região pela expedição de Fernão de Magalhães, em 1520. O destino começa próximo ao paralelo 37 e estende-se até a ilha da Terra do Fogo, cuja capital é Ushuaia, a cidade mais austral do planeta e que por isso mesmo também é conhecida como o fim do mundo. Do ponto de vista do turismo, a área pode ser simplesmente dividida entre o norte e o sul, uma área vasta que compreende perto de 800 mil km.

Seus destinos são marcados principalmente pela beleza natural entrecortada por montanhas e áreas litorâneas, com especial destaque para a fauna e aves marinhas que ali se reproduzem. Nem todas as localidades, no entanto, exploram a atividade turística, mas as que o fazem têm um forte apelo no segmento de aventura. Entre os mais reconhecidos estão San Carlos de Bariloche, San Martin de los Andes, Villa La Angostura, El Bolson, Esquel, Puerto Madryn, Trelew, El Calafate, El Chalten, Comodoro Rivadavia, Puerto Deseado, Ushuaia e Rio Grande, cada qual com uma característica e atrativos muito particulares.

O apelo natural para o turismo continua despertando o interesse de investidores para a região tida hoje como uma das que possui as mais altas taxas de investimento em infraestrutura em todo o mundo. San Carlos de Bariloche, San Martin de los Andes, Villa la Angostura, Ushuaia e Puerto Madryn se destacam na atração de visitantes domésticos e internacionais.

Segundo Juan Carlos Rua, presidente da Nature Style, uma das principais agências de viagens da Argentina, até poucos anos atrás a Patagônia tinha nos europeus e americanos a imensa maioria dos turistas. O fluxo de brasileiros, ele afirma, tem crescido exponencialmente nos últimos cinco anos e a estimativa é de que o movimento siga ascendente pelos próximos anos.
“A Argentina tem, tradicionalmente, um sistema de voos concentrado em Buenos Aires, mas eu entendo que isso lentamente vai mudar, embora 90% dos brasileiros que visitam a Patagônia dediquem no mínimo duas noites à capital argentina. Mas, evidentemente, durante o inverno recebemos muitos charters diretos de São Paulo, sobretudo em direção a Bariloche. Neste momento podemos dizer que as alternativas estão aumentando gradativamente até alcançar os diferentes destinos da Patagônia”, afirma o agente de viagem.

O impacto das cinzas, na análise de Juan Carlos Rua, foi muito forte e afetou especialmente os destinos de Villa La Angostura e San Carlos de Bariloche. Em ambas as localidades, o agente afirma, os aeroportos ainda não tinham, em setembro, 100% das operações regularizadas. “A temporada de inverno foi quase perdida, mas estou certo de que já na primavera os destinos voltarão ao seu esplendor”, acredita.

Lado chileno

No ano passado, ingressaram na Zona Austral, em que se localiza a Patagônia Chilena, cerca de 437.533 turistas, o equivalente a 15,8% do total que visita o país. Os argentinos lideram o fluxo (58,7%), seguidos pelos europeus, especialmente alemães, frances, ingleses e espanhóis. A América do Norte responde por 12,4% desse movimento, notadamente impulsionada pelos norte-americanos e canadenses. O Brasil, com o envio de 2.796 turistas, é o sétimo mercado, à frente de israelenses e australianos.

Desse lado da Patagônia, Torres del Paine é, sem sombra de dúvida, um dos principais destinos turísticos, juntamente com a Terra do Fogo, um território remoto com áreas ainda inexploradas e paisagens maravilhosas, de rara beleza em outra parte do mundo. A terceira joia é a Antártica, o continente branco a que se pode alcançar, por barco ou avião, a partir de Punta Arenas, a capital da Patagônia Chilena.

Pablo Araya, gerente comercial do Patagonia Camp, um dos meios de hospedagem que estão investindo para estimular maior fluxo a partir do Brasil, diz que a relevância deste mercado está na proximidade com o destino, aliada à predileção desse público por atrativos que remetam à natureza e aventura.

Com vista para o Lago Toro e os Cuernos del Paine, montanhas símbolo do parque que leva o mesmo nome, os glampings – modelo de hospedagem proposto pelo Patagonia Camp – já são muito conhecidos entre americanos e europeus, mas começam a conquistar também os brasileiros, que responderam por 30% da ocupação estrangeira na última temporada.

Seguindo como premissa básica a filosofia do mínimo impacto ambiental, os glampings podem ser definidos como uma espécie de campings com glamour. As tendas, chamadas yurts, surpreendem os hóspedes pela beleza e conforto. A propriedade oferece 18 unidades habitacionais, todas muito bem decoradas, com piso de madeira e cama king size com lençóis e edredons de primeira linha. Acima dela fica uma claraboia circular, que permite contato direto com o céu e grandes janelas dão vista para o entorno do parque.

O Hotel & Spa Indigo é outra opção de hospedagem em meio à Patagônia Chilena na mesma região do Parque Nacional Torres Del Paine. Possui 29 apartamentos intimistas e elegantes. Os andares são interligados por um interessante sistema de rampas, pontes e escadas, que proporcionam ao visitante conhecer cada detalhe do hotel. O hóspede transita por uma exposição permanente de cenários artísticos, paisagens e detalhes arquitetônicos.

Alguns oferecem vista para o fiorde Ultima Esperanza e para o glacial Balmaceda. Outros estão em frente à Serra Dorotea e ao colorido povoado de Puerto Natales.

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