Destino quer entrar na rota do turismo internacional
Inserido no mapa brasileiro como um dos sete destinos da Amazônia, o Pará recebeu 770 mil turistas em 2011 e quer fechar este ano com a marca de 1 milhão. Para isso, governos e a iniciativa privada querem ver colocado em prática o Ver-o-Pará, um plano estratégico de turismo lançado com o objetivo de inserir o estado na rota do turismo interacional.
Os roteiros já trabalhados hoje pela Embratur no estado são Belém Cultural – Patrimônio histórico, Círio de Nazaré, Ilha do Marajó, Ecoturismo em Santarém e Alter do Chão, Pesca esportiva nos rios Tapajós, Xingu e Trombeta, Observação da fauna da Ilha Mexicana e Praias da Amazônia. O target são os europeus, marcadamente de Portugal, Espanha e França, já que atualmente o maior fluxo estrangeiro vem dos Estados Unidos. A meta de crescimento no número de turistas, em geral, é ambiciosa e prevê um aumento de 10% ao ano até 2020.
O estado é o segundo maior do País, com uma extensão de 1.247.689,515 km² de área dividida geograficamente em 144 municípios. Destes, apenas seis têm potencial turístico Belém, a capital, Marajó, Tapajós, Amazônia Atlântica, Araguaia Tocantins e Xingu, mas todos com atrativos de sobra para quem busca natureza, cultura, sol e praia, eventos e negócios. Boa parte da aposta no crescimento está no sucesso da aplicação e nos resultados do plano Ver-o-Pará, elaborado com apoio e consultoria da empresa Chias Marketing. O plano reflete a essência de tudo o que foi pensado pelo governo do Estado, por meio da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), e da Setur, afirma o secretário estadual de Turismo, Adenauer Góes.
Boa parte do objetivo será cumprido com o ingresso de um aporte no valor de US$ 44 milhões que serão aplicados em três das principais regiões turísticas: Belém, Marajó e Tapajós. Os recursos virão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Ministério do Turismo (MTur) e do próprio estado.
Belém, perto de completar 400 anos, tem seu principal atrativo na cultura e na arquitetura rica representada pelos casarios e monumentos revitalizados do centro histórico, herança da colonização portuguesa, e outros pontos como Complexo Feliz Lusitânia (que reúne a Catedral da Sé, Museu de Arte Sacra, Casa das 11 Janelas, Museu do Círio e Forte do Presépio), o Complexo do Ver-o-Peso e a Estação das Docas.
Quem visita a capital também não pode deixar de conhecer espaços como a Basílica de Nazaré, o Theatro da Paz, Mangal das Garças, exemplo de parque de educação ambiental e lazer, o Polo Joalheiro, o Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves, o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Bioparque Amazônia, dentre outros.
No entorno da cidade mais de 70 ilhas oferecem ao visitante a possibilidade de vivenciar o cotidiano ribeirinho das comunidades tradicionais. E ainda na região metropolitana, os balneários de Mosqueiro, Outeiro e Cotijuba são destinos muito procurados por veranistas. Somente por ocasião do Círio de Nazaré, que acontece em outubro, a cidade chega a receber dois milhões de romeiros e destes 70 mil são turistas porque permanecem mais de uma noite no destino.
Em um percurso de quatro a seis quilômetros, a romaria se traduz em uma das mais antigas tradições religiosas do mundo e é oportunidade para a renovação da fé e da cultura dos devotos de Nossa Senhora de Nazaré.
Marajó, ou o porto do Camará, mais precisamente, no município de Salvaterra, é a porta de entrada para uma das mais belas regiões do estado. O Arquipélago do Marajó é composto de mais de três mil ilhotas distribuídas por 50 mil quilômetros quadrados, banhadas pelo oceano Atlântico e os rios Amazonas e Pará. É onde o visitante encontra um roteiro que satisfaz tanto a quem busca lazer quanto relaxamento. São dezenas de praias de águas mornas, como a do Pesqueiro, em Soure – onde é possível fazer trilhas no mangue e passeios de canoa – e muitas vilas acolhedoras onde se encontra a tradicional cerâmica marajoara e os produtos feitos a partir da carne e leite de búfalo, animal considerado como um dos símbolos do Marajó. Cenário de filmes, reality show, novelas, documentários e coberturas jornalísticas diversas, o Marajó é o único lugar do mundo onde a polícia garante a segurança dos municípios montada em búfalos. Outro destaque é para o Museu do Marajó, localizado no município de Cachoeira do Arari, que concentra milhares de relíquias, artefatos, livros e outros objetos da história do Marajó. Ao todo, o arquipélago concentra 16 municípios.
Entre os destinos de Tapajós se destacam os municípios de Santarém, com o fenômeno do encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas, que pela diferente densidade e cor nunca se misturam, e a bela vila de Alter-do-Chão, uma das mais lindas praias do Brasil, além de Belterra, Oriximiná, Óbidos, entre outros. Em todos há uma imensurável riqueza que reflete a cultura indígena e quilombola, a partir das belezas naturais, artesanato, gastronomia baseada no pescado de água doce, e da excelente estrutura hoteleira. O Sairé, em Alter-do-Chão, é a principal manifestação cultural da região.
Localizada na Zona do Salgado, no nordeste do Pará, a região turística Amazônia Atlântica oferece cultura, folclore e belíssimas praias como Salinas, Marudá, Crispim, Ajuruteua e Algodoal, esta na paradisíaca ilha de Mayandeua. Trilhas, igarapés, passeios ciclísticos, pesca esportiva e outras atividades são convidativas, em especial nos municípios de Vigia, Bragança, cenário da festa de São Benedito e a Marujada, ritual que deu origem a um dos ritmos mais marcantes dessa região do estado, o retumbão. Outro destaque da região é o município de Tracuateua que sedia o Hotel Fazenda Vitória, onde funcionou um engenho do século 19, que atualmente atrai turistas pela tranquilidade e pelos passeios de canoa e prática de esportes de aventura. Búfalos completam a paisagem com verdadeiros espetáculos de força e de utilidade ao homem. O carimbó praiano do município de Marapanim, que todos os anos sedia um grande festival sobre esta manifestação cultural, soma-se a outro evento que vêm ganhando cada vez mais adeptos, o desfile de carnaval do bloco Pretinhos do Mangue, em Curuçá e o boi de máscaras de São Caetano de Odivelas – município conhecido como terra do caranguejo -, que reúne personagens caricatos como os pirôs, os cabeçudos e o Boi Tinga.
O Araguaia Tocantins é uma região formada por 52 municípios localizados em sua maioria nas proximidades dos rios Araguaia e Tocantins. Em Marabá, por exemplo, em meados de junho, a baixa do nível do rio Tocantins revela praias como as do Tucunaré e do Geladinho, acessíveis e ideais para quem gosta de sol e água doce. Já a pesca esportiva é o grande atrativo de Tucuruí, onde vários lagos oferecem opções para essa prática. O turismo histórico é a alternativa em Conceição do Araguaia, onde é possível conhecer cenários que fizeram parte da guerrilha do Araguaia. Paragominas, que já esteve entre os 36 municípios brasileiros que mais desmatava, hoje é exemplo de utilização sustentável dos recursos naturais.
Já o Xingu exibe cenários intocados pelo homem, rios sinuosos e mata fechada, e o ambiente propício para a prática de esportes de aventura como os ralys ou de contato direto com a natureza. Altamira, um dos maiores municípios do mundo em extensão territorial, é referência na pesca esportiva. A região está no centro das discussões ambientais, devido à construção da Usina de Belo Monte. O debate traz para a Amazônia um olhar diferente quanto à dicotomia desenvolvimento x progresso. É na região do Xingu, inclusive, que estão as maiores reservas indígenas do Pará, além de florestas nacionais (Flonas) e outras áreas de proteção e conservação ambiental, com cachoeiras, corredeiras e lagos de águas claras.
Turismo marítimo
Outra aposta na captação de mais turistas já a partir de 2012 reside na agenda de cruzeiros marítimos, cuja temporada começa no dia 13 de outubro. Só para Belém, segundo João Ribeiro, da Amazon Incoming Service – empresa responsável pelo receptivo turístico dos navios – estão confirmados 22 cruzeiros, sendo que cinco deles pernoitarão na capital, o que aumenta a permanência dos turistas na cidade. A programação deste ano deve incluir roteiros especiais de visita a pontos turísticos estratégicos, como a Estação das Docas, para atrair ainda mais o interesse dos turistas pela cidade. Na temporada passada, 17 mil turistas visitaram um ou mais destinos turísticos paraenses embarcados em navios como o Aida, que fez dez viagens levando ao todo 12 mil turistas alemães. Também se incluem nessa estatística os navios americanos Amsterdam e Ms. Prinsendam, que juntos levaram para o estado 1,8 mil turistas.

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