Bioma de menor extensão do País divide atrativos entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul
Tendo ao Norte os municípios de Cuiabá, Cáceres e Poconé, e ao Sul Campo Grande, Corumbá, Miranda e Porto Murtinho, o Pantanal é o menor dos seis biomas brasileiros representando 1,76% do território nacional -, e a maior planície alagável do planeta, pela sua geografia e condições climáticas. Do ponto de vista turístico, é um destino com diferentes facetas, e atrativos próprios, que variam conforme a estação do ano em que se faz a visita.
Entre dezembro e março, em plena Estação das Águas, boa parte do Pantanal fica alagada, mas é quando a fauna e a flora se revigoram e o turista encontra a paisagem com seus mais belos ângulos. É também a melhor época para quem quer observar aves aquáticas, como o tuiuiú, os cabeças-secas, o carão, patos, marrecos e garças, e mamíferos como a capivara, o lobinho e os veados campeiro e catingueiro, apenas para citar os mais comuns. Na Estação da Vazante, período compreendido entre abril a junho, as chuvas param, o nível das águas começa a baixar e mamíferos como os macacos bugio e prego, por exemplo, que se dispersaram na estação da cheia, começam a retornar. O período de julho a outubro é o da Seca, considerado o melhor se o objetivo da viagem for a observação da vida selvagem. Os dois últimos meses do ano, novembro e dezembro, marcam-se como a Estação da Enchente.
Ao longo dos sete municípios que integram o Pantanal é possível vivenciar as melhores experiências de ecoturismo, turismo rural e pesca. Juntos, os destinos somam oferta aproximada de 160 equipamentos turísticos, entre hotéis, barco-hotéis, atrativos, bares e restaurantes. E são muitas as opções do mercado para quem quer conhecê-los em conjunto ou separadamente.
ROTEIROS INTEGRADOS
Para quem dispõe de apenas um dia, o Trem do Pantanal oferece um roteiro com oito horas de duração e trajeto de 220 quilômetros, partindo de Campo Grande com destino à cidade de Miranda, em Mato Grosso do Sul. Todos os vagões possuem comissário, serviço de bordo e ar condicionado. O produto é relativamente novo, mas já responde pelo transporte de perto de 500 passageiros por mês. Adonai Aires de Arruda, presidente do Grupo Serra Verde Express, empresa que administra o Trem do Pantanal, diz que o período de maturação de um projeto dessa magnitude é de cerca de três anos, e que sendo assim estão caminhando positivamente no planejamento traçado. Segundo o executivo, que investiu R$ 2 milhões para viabilizar a operação do trem, a procura do público tem sido gradativa e a estimativa é fechar 2010 com a marca de 1,2 mil passageiros transportados por mês.
A viagem também pode ser feita por via fluvial, em barco-hotéis que atravessam o Rio Paraguai em roteiros de quatro dias e três noites. Mas, para quem prefere a hospedagem convencional, não faltam opções ao longo dessa travessia, desde hotéis urbanos a pousadas inseridas em fazendas seculares, como a Piuval, localizada a 110 km de Cuiabá e a dez km de Poconé, em Mato Grosso. Administrada já pela terceira geração da família Campos, a Piuval é a primeira pousada da rodovia transpantaneira e está inserida na Fazenda Ypiranga, mantida há 150 anos.
Além de desenvolver turismo ecológico e pesquisas científicas, a fazenda integra em um único espaço o meio de hospedagem e os atrativos da viagem, entre passeios a cavalo, charrete e trator, de barco a motor, pesca de piranhas e safáris em veículo apropriado com capacidade para até 20 passageiros. Para a hospedagem, oferece 20 apartamentos com ar condicionado, frigobar, ventilador de teto, TV, internet sem fio, banheiro privativo, janelas teladas, restaurante com cardápio típico da região, piscina, quadra de vôlei gramada, playground e torre de observação.
TURISMO DE LUXO
Com o foco no público que busca experiências novas e exclusivas, a Estância Caiman, hoje Refúgio Ecológico Caiman (Rec), divide a área de aproximadamente 53 mil hectares que ocupa no município de Miranda (MS), entre três diferentes atividades a fazenda de criação extensiva de gado de corte, os meios de hospedagem e um programa de conservação da natureza, que além de parceiros com diversos projetos científicos como o Projeto Arara-Azul e o Projeto Papagaio-Verdadeiro, desenvolve amplo contato e intercâmbio com universidades e mantém uma Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) de 5,6 mil hectares.
A área de hospedagem é composta por duas propriedades (Baiazinha e Cordilheira), que desde março deste ano passaram a ser operadas sob o regime de Private Villas (aluguel de casas privativas), em alguns períodos do ano. Com o formato de uma ave de asas abertas, a Pousada Baiazinha fica a 9 km da sede. Sua estrutura sobre palafitas sustenta seis apartamentos standard duplos, com capacidade para até 12 pessoas. Já a Pousada Cordilheira, distante 13 km da sede, dispõe de cinco suítes com quarto e sala dupla e capacidade para até dez pessoas.
Optando por qualquer das duas opções, o valor da diária inclui pensão completa (café da manhã, almoço e jantar), all inclusive de bebidas (exceto alcoólicas), atividades regulares como caminhada, safári fotográfico e cavalgada -, e o acompanhamento de guias.
Opcional quase obrigatório
Bonito, no Mato Grosso do Sul, não faz parte deste bioma, mas integra, como extensão opcional, mais da metade dos roteiros de viagem para o Pantanal.
Na Ambiental Expedições, operadora brasileira especializada em ecoturismo e turismo de aventura, 70% dos turistas optam pelo roteiro combinado. A incidência é maior no período da seca, porque o clima é um fator determinante no planejamento de viagens de aventura. Quase tudo acontece ao ar livre e em contato direto com a natureza, avalia o gerente de Operações, Glen Gamper.
Para quem opta pela extensão, a partir de Aquidauana o mais comum nos roteiros o trajeto até Bonito é de quatro horas, e mais quatro no retorno para Campo Grande, se este for o ponto de partida e chegada.

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