A greve dos caminhoneiros fez com que muita gente desistisse dos planos de viajar no feriado prolongado de Corpus Christi, que teve início no dia 31 de maio. O período coincidiu com a realização da 22ª edição da Parada do Orgulho LGBT, que aconteceu em São Paulo (SP) no último domingo, 3 de junho, e reuniu cerca de 3 milhões de pessoas.
Segundo dados da Prefeitura de São Paulo, durante a Parada de 2017 a hotelaria da cidade registrou média de 90% de ocupação, mas esse número caiu para 50% na edição deste ano. Alguns empreendimentos hoteleiros confirmaram a queda e não tiveram a quantidade de reservas esperada – mas reinteram a importância do evento.
Localizado em plena avenida Paulista, um dos locais onde a Parada LGBT acontece, o Meliá Paulista esperava ter 80% de ocupação, mas obteve 68%. “Devido à paralisação que o país enfrentou dias antes, tivemos cancelamentos de reservas para o período”, diz Natalie Diorio, gerente geral do hotel.
A localização foi um dos pontos chaves das campanhas do empreendimento para o período. “Poder assistir aos shows da Parada no conforto do seu apartamento e com uma vista espetacular da Paulista é um diferencial exclusivo do Meliá Paulista, além da facilidade de acesso ao hotel durante o evento. Para poder atrair mais hóspedes, participamos de algumas promoções com descontos exclusivos para clientes MeliáRewards, além de oferecer a opção de parcelamento em até 6 vezes para compras no site melia.com”, detalha a gerente.
Para Natalie, a Parada LGBT é importante tanto para os negócios, quanto na promoção da diversidade, pois aproxima as pessoas deste tema. “Estamos no calendário mundial e atraímos turistas de todos os cantos. Com toda certeza, foi um fim de semana que trouxe um volume de negócios importante para a nossa cidade”, finaliza.
O InterContinental São Paulo, também localizado próximo à avenida Paulista, não notou incremento na ocupação por conta da Parada. Mas no domingo, 3, o empreendimento promoveu um brunch exclusivo para aproximadamente 360 convidados do OUTstand, grupo que reúne diversas empresas do mercado financeiro, das 11hs as 13hs. “O objetivo era aproximar as instituições deste segmento que estão promovendo discussões sobre a diversidade e a inclusão para as comunidades LGBTQ+, antes de prestigiar a Parada na Avenida Paulista”, diz Gabriela Alves, diretora de MKT e Vendas.
ibis São Paulo Paulista, da AccorHotels
A AccorHotels foi a rede hoteleira oficial da Parada LGBT. A empresa não divulgou números de ocupação em seus hotéis no final de semana do evento, mas reitera sua importância. “Como é a maior Parada do mundo é uma grande ocasião para o ramo de hotéis. É um público que muitas vezes nunca veio a São Paulo e que depois de conhecer acaba retornando. São também pessoas que já participam de outras paradas no mundo e podem usar os hotéis do grupo na cidade e em outras localidades”, diz Antonietta Varlese, vice-presidente de Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa e líder do Comitê LGBT+ da AccorHotels.
Para Antonietta, a Parada é uma oportunidade para atrair novos clientes e fidelizar os que já utilizam a rede. “É um momento em que a cidade recebe um público muito grande e parte dele pode se hospedar em hotéis do grupo. Além disso, temos a oportunidade de frisar que a AccorHotels é uma empresa amiga e aberta ao público LGBT+, não apenas no período da Parada, mas em todas as suas ações e atividades”, diz.
Os hostels The Hotels Paulista e The Hostel Vila Mariana obtiveram, respectivamente, 93% e 74% de ocupação. “Tivemos muita procura de hospedagem de sábado com saída no próprio domingo da parada LGBT. Foi nosso melhor final de semana em maio”, diz Vinicius Eiras, do setor operacional. Esses números representam, também respectivamente, 10% e 13% de incremento em relação à ocupação do mesmo período no ano passado.
“A Parada é extremante importante. Este seria um final de semana de ocupação baixa em São Paulo, mas foi o oposto. Sentimos que a cada ano o evento vai crescendo e movimentando mais o turismo. Para nós que trabalhamos com hostel, percebemos que esse público se identifica com nosso método de hospedagem, pois nossos quartos são compartilhados e todos já começam a interagir assim que chegam aqui”, acredita Eiras.
Rooftop do Bee W Hostel
Já o hostel Bee W Hostel notou incremento na receita no período, pois as tarifas eram maiores do que as praticadas normalmente, porém a ocupação foi menor do que o esperado – inclusive em relação ao ano passado. “Acreditávamos que teríamos ainda mais procura devido ao sucesso do evento em 2017, com mais de 3 milhões de presentes. Só não contávamos com a greve dos caminhoneiros, que afetou diretamente a ocupação no período”, diz Rafael Guerra, gerente do empreendimento. “No dia 02 de junho tivemos 88% de ocupação. Nos demais a média ficou em 60%, abaixo das nossas expectativas”, completa.
Um dia antes da Parada, o Bee W promoveu uma festa para hóspedes e público externo, visando aumentar a receita. “As pessoas que vieram ao bar foram convidadas a conhecer o espaço de eventos dentro do hostel. Creio que, de imediato, o benefício maior será a propaganda do espaço e aumento na procura para realização de festas”, finaliza o gerente.
*Por Lorena Amazonas e Nathalia Abreu

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