O Brasil rumo à Copa de 2014

SUBSEDES TRAÇAM OS PRIMEIROS PLANOS

Os próximos anos prometem muita movimentação para a hotelaria brasileira. Além de uma nova matriz de classificação, o parque hoteleiro nacional deve ganhar reforço com a linha de crédito no valor de R$ 1 bilhão que o Ministério do Turismo e o BNDES vão colocar à disposição do mercado para reforma, modernização ou construção de novos empreendimentos. A iniciativa integra o pacote de ações do governo federal para a realização da Copa do Mundo, em 2014, e para ter direito ao crédito, os interessados devem enviar seus projetos para análise até 31 de dezembro de 2012.

A estimativa do Ministério do Turismo é de que o investimento do setor hoteleiro para o mundial totalize R$ 11 bilhões, já visando aí adequação das instalações também até a Olimpíada que será sediada pelo Rio de Janeiro, em 2016. De acordo com o ministro Luiz Barretto, já há projetos concretos para a construção de mais de 250 novos empreendimentos.

Parte das 12 subsedes da Copa aproveitarão o mundial para ampliar a oferta de leitos, mas para a grande maioria delas, a verba deverá ser concentrada na adequação da oferta existente e nas obras de infraestrutura urbana.

A capital mineira, por exemplo, é um dos destinos que trabalhará pela ampliação. Segundo a Secretaria de Turismo local, o parque hoteleiro atual é composto de 90 estabelecimentos, entre hotéis de duas a cinco estrelas e apart-hotéis. A essa oferta, que hoje totaliza perto de oito mil unidades habitacionais, outras 1,6 mil devem ser acrescidas ainda este ano, considerando as obras já em andamento.

Em Brasília, o Governo do Distrito Federal também já antecipou os investimentos com a inauguração da primeira vila olímpica, batizada de Rei Pelé, e outras serão construídas no entorno. Mas no que diz respeito à hotelaria, no entanto, as obras devem concentrar-se nos programas de renovação, como informou o diretor de Marketing da Brasiliatur, Ney Leal. “Acreditamos que os nossos 27 mil leitos serão mais que suficientes para atender a demanda da Copa”, afirma.

Na capital paulista, segundo a São Paulo Turismo, há hoje 42 mil quartos de hotel, e essa oferta pode elevar-se para 50 mil em 2014, volume que, sozinho, atenderia à exigência da Fifa para todo o País.

No Rio de Janeiro, a Secretaria Especial para a Copa 2014 e Olimpíadas 2016 estima que os investimentos da iniciativa privada para os mundiais supere a cifra de R$ 1 bilhão. A prefeitura vai estimular que as novas construções se concentrem em áreas carentes como a zona portuária. Neste momento, inclusive, já há unidades em construção. De acordo com a coordenação do comitê, assim que a cidade entregou o dossiê de candidatura, 19 novos licenciamentos foram pedidos na secretaria de urbanismo e três empreendimentos já se encontram em fase de construção.

Projetos no entorno

Em Cuiabá, no Mato Grosso – somada à oferta de Várzea Grande -, a rede hoteleira é composta de 6.710 leitos e um total de 3.271 apartamentos em hotéis cuja classificação vai de econômica a cinco estrelas. E o setor já vive um momento de plena expansão, com o reforço de 1,4 mil novos apartamentos previstos para os próximos três anos. Segundo Yuri Bastos Jorge, diretor de Assuntos Estratégicos da Agecopa-MT e presidente do Comitê Pró-Copa no Pantanal, com novas redes chegando e a previsão de ampliação de alguns hotéis, até 2012 a oferta crescerá mais de 60%. O setor hoteleiro da capital cresceu cerca de 20% nos últimos cinco anos, com investimentos de mais de R$ 22 milhões, e a projeção de investimento nos próximos três anos é de R$ 103 milhões.

No Rio Grande do Sul, considerando que a Fifa estabelece um raio de 150 km a partir da cidade sede como uma espécie de área de maior impacto no evento, existem hoje cerca de 47 mil leitos em 21 mil unidades habitacionais disponíveis. Levando em conta apenas a oferta da capital, a rede hoteleira totaliza 13 mil leitos e sete mil unidades. A expectativa, a partir somente dos projetos já existentes (sem contar os que poderão surgir até a competição) é de que, apenas em Porto Alegre, o número de leitos supere a casa dos 16 mil, segundo José Fortunati, secretário extraordinário da Copa de 2014. “O foco da preparação da cidade no momento, a partir das exigências do caderno de encargos da Fifa, está centrado em três eixos: mobilidade urbana, aeroporto e estádio.

Evidentemente a expansão e qualificação da rede hoteleira é um dos temas prioritários e também receberá atenção do poder público, embora seja um setor dedicado à iniciativa privada”, explica o secretário. “Porto Alegre não encara a Copa do Mundo apenas como 30 dias com os melhores jogos de futebol do planeta, mas como a grande oportunidade de sedimentar o crescimento que a cidade tanto espera e precisa. O desenvolvimento do setor turístico, incluindo a rede hoteleira, será extremamente afetado pelo evento, contribuindo para destacar a capital gaúcha no cenário mundial”, completa Fortunati.

Ainda na região sul, Curitiba, a capital paranaense, possui 160 hotéis e 13 mil quartos atualmente, de acordo com a ABIH, e a previsão é de que até 2014 a oferta totalize 184 hotéis e 14.950 quartos, distribuídos num raio entre o litoral e o município de Ponta Grossa.

No Nordeste, Pernambuco também saiu na frente com o planejamento para o mundial e prevê a conclusão do parque ainda em 2011, quando mais de 700 novos leitos estarão disponíveis. Há três novos hotéis sendo construídos em Recife e um em Petrolina.

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