Organizado pela Turismo Compartilhado, o Multipropriedade Summit reuniu profissionais renomados ontem (3), em São Paulo, para discutir o setor de multipropriedade no Brasil. No primeiro painel do dia, que tratou sobre Governança, Luiz Fernando Mathia, do Hot Beach Residence Club; Camila Abigail, da Abissal CapitaLismo Saudável; Danilo Samezima, da Oceanic Empreendimentos; Marco Vargas, da Abrotec; e Alessandro Cunha, da Aviva; afirmaram que o tema ainda é confuso para muitos.
Marco Vargas alertou para a dificuldade de captação de fundos, justamente por conta dessa percepção do mercado. Enquanto, Danilo Samezima disse que o compartilhamento de conhecimento e procedimentos é importante para construir uma robustez e ter reflexo no cliente final, uma vez que depois da temporada de férias extremamente saudável, o segmento de multipropriedade provou ser um excelente produto.
Um dos assuntos que o segmento mais tem debatido é a captação de fundos para financiar as operações de multipropriedade e suas particularidades. O tema foi abordado por Caio Calfat, diretor da Caio Calfat Consulting; Diego Siqueira, da Trinus TG Core Asset; Bob Carune, da AFS Capital; e Lucas TortellI, da GRI Club no segundo painel do dia.

Calfat lembrou que apenas a estrutura do modelo já dificulta o acesso ao crédito do mercado de capital. Diego Siqueira salientou que o cruzamento da materialidade do mercado imobiliário com a pujança do mercado financeiro é encantador, e foi daí que ele criou sua empresa, fomentando uma cadeia produtiva em mercados não óbvios. O executivo concluiu dizendo que o mercado de capitais evolui em direção à multipropriedade, mas que a segurança ainda é um pré-requisito, assim sendo, a Governança é um ponto a ser considerado.
Lucas Tortelli, da GRI Club, chamou a atenção para os fundos internacionais que estão começando a olhar para o mercado de multipropriedade, alguns já investem em hotelaria pelo mundo com cifras substancias, mas precisam entender e confiar mais no modelo de multipropriedade para expandir seus horizontes.
O profissional de multipropriedade

Carolina Haro, da Mapie Consultoria, apresentou a segunda edição da pesquisa sobre o profissional da multipropriedade. O Raio X identifica uma pessoa com baixa escolaridade, basicamente classe C e com modelo de contrato de trabalho baseado em PJ (Pessoa Jurídica) – muitos com recebimentos apenas variáveis. Esses dados refletem em uma remuneração média de R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00 mensais.
A pesquisa demonstra que o profissional da área se mostra otimista e, apesar de ter caído em comparação o primeiro estudo, o número ainda é alto. Para ele, a pontualidade dos pagamentos aparece com destaque na importância na escolha de permanência na empresa – antes vem a seriedade da companhia que representa. Já entre os gestores estão a percepção positiva de resultados perto de 90% em todos os tópicos, gostar de liderar pessoas, ter um bom relacionamento com time e acompanhar a performance rotineiramente.
A pergunta final foi se os entrevistados eram donos de uma fração de multipropriedade e apenas 10,34% se apresentou como proprietário. Carolina questionou também na plateia havia algum proprietário e apenas uma pessoa se manifestou. Sinal?
Distrato e hospitalidade

Em sua apresentação, o advogado Diego Martins Silva do Amaral lembrou que a incorporação convencional tem um índice de distrato médio de 10%, mas na multipropriedade a média de cancelamento chega a 35%, dependendo da gestão. “Às vezes os números podem bater os 70%”, disse. Além disso há outra situação, os sete dias que a lei dá de respaldo para o consumidor desistir da compra tem como praxe a devolução dos valores pagos pelo consumidor, independentemente do canal utilizado para a solicitação do cancelamento. “Por lei, devolve-se até a comissão de corretagem”.
O último painel do dia, mediado por Carolina Haro, teve como tema a Hospitalidade Genuína, e como aplica-la no negócio de multipropriedade. Gabriela Schwan, da rede Swan de Hotéis, afirmou que hospitalidade é a alma do produto de hotelaria, e lembrou também a importância da entrega de experiências autênticas. Já Fabiana Leite, da RCI, ressaltou que a hospitalidade começa antes do check-in e a multipropriedade tem que funcionar bem desde o começo. “Todas as pontas devem se conectar”, disse. Por sua vez, Armando Jamirez, da Wyndham Hotels & Resorts, enfatizou que a experiência deve ser memorável e única.
Ao ser indagado por Carolina sobre o quão a hospitalidade é importante para a conquista do Valor Geral de Vendas (VGV), Francisco Neto, da Beta Advisory, afirmou que este é o ultimo nível de lealdade, a última milha da relação com o cliente. E Carolina então questionou o que precisa ser melhorado no setor, tendo como resposta direta: a entrega.

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