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Medicina de viagem garante saúde

As instituições do turismo devem orientar os profissionais e viajantes para se imunizarem e prevenirem doenças. A palavra-chave é “informar” a realidade do destino e como evitar doenças transmissíveis. Essa responsabilidade se inicia desde o momento em que o indivíduo procura a agência ou operadora, compra a passagem ou reserva o hotel. Por exemplo, aos que vão para o Estado do Amazonas, é preciso informar a necessidade de se vacinar contra a febre amarela.

A afirmação é de Jessé Reis Alves, médico infectologista do serviço de consulta ao viajante do Fleury Medicina e Saúde, de São Paulo, e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina de Viagem. Essa instituição foi fundada, em dezembro passado, por iniciativa de um grupo de médicos de diferentes especialidades, com a finalidade de aprimorar o atendimento aos turistas brasileiros e estrangeiros. Trata-se de uma área multidisciplinar e por meio dela os profissionais promovem debates e trocas de experiências, dedicam-se à avaliação atualizada dos riscos de se adquirir doenças em diferentes regiões ou países, durante ou após a viagem. Também tem como propósito auxiliar o governo federal a estabelecer medidas de proteção ao viajante. Planeja ainda lançar um website dirigido ao público leigo, com informações sobre doenças que estão acontecendo no mundo.

Cruzando fronteiras
Desde que as primeiras navegações européias cruzaram os oceanos, existem doenças relacionadas às viagens. Somente em 1991, foi fundada a Sociedade Internacional de Medicina de Viagem. “É óbvio que a evolução dessa área médica acompanha o crescente fluxo turístico”, frisa Jessé.

Indagado sobre o aumento de casos de doenças nos cruzeiros marítimos, na costa brasileira, Jessé pondera: “esse fato exemplifica como a evolução da medicina de viagem vincula-se ao fluxo turístico. É recente o aumento de oferta dessas viagens e o registro de ‘acidentes de percurso’ é proporcional. Quanto mais pessoas viajarem maior será a chance de ocorrências”.

O médico acrescenta que a análise desse fato requer pesquisa sobre o perfil do público dos cruzeiros. Afirma: “não disponho de dados, mas acredito que muitos se enquadram na terceira idade. Algumas questões de saúde ocorrem independentemente de onde a pessoa está”.

Em sua opinião, os meios de hospedagem não precisam de centro de atendimento médico complexo, mas devem dispor de referências específicas, ou seja, saber para onde encaminhar um hóspede numa emergência. Além disso, atenção especial merece a área de A&B que deve respeitar à risca os procedimentos recomendados pela Vigilância Sanitária, especialmente no que se refere à manipulação de alimentos.

O infectologista salienta que a medicina de viagem não se restringe ao turista. É preponderante que todos os profissionais do setor estejam imunes e vacinados, pois as infecções são transmissíveis para ambos. Pondera-se que isso é um alerta ao País que abrigará a Copa do Mundo 2014, inclusive, no que se refere às vacinações contra a hepatite A e a gripe.

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