Lavanderia ecológica

PROJETOS BEM ELABORADOS PROMOVEM A QUESTÃO DA SUSTENTABILIDADE E GERAM ECONOMIA AOS EMPREENDIMENTOS ENGAJADOS

Todos os dias, muita água e sabão são utilizados para lavar e enxaguar roupas, toalhas e lençóis dos milhares de lares e empresas brasileiras. O setor de lavanderias arrecada anualmente mais de R$ 1,7 bilhões – número estimado pela Anel (Associação Nacional de Lavanderias) – de 4.800 empreendimentos domésticos e 1.200 industriais. Os postos de trabalho diretos e indiretos chegam a 25 mil em todo o território nacional, 44% somente na cidade de São Paulo.

Equipamentos ineficientes e usuários pouco zelosos promovem um verdadeiro show diário de desperdícios e poluição. Nos empreendimentos do século XXI, adaptados ao conceito de sustentabilidade com base na educação ambiental, o consumo de recursos naturais e produtos químicos, bem como equipamentos, insumos e até mesmo projetos arquitetônicos ecologicamente corretos começam a se destacar no mercado.

Embora os custos de controle ambiental sejam altos, o setor de lavanderias vem gradativamente se adequando para atender à legislação específica – Lei Ambiental nº 9605, de 1998 – que dispõe sobre sanções penais e administrativas para empresas cujas condutas e atividades sejam lesivas ao meio ambiente, aplicando penas severas e multas expressivas, como afirma a Anel, que recomenda continuamente aos associados o uso racional de água, insumos e energia.

Um dos passos para garantir a sustentabilidade de uma lavanderia é o uso de equipamentos inteligentes, que controlam a quantidade e a temperatura ideais da água para cada tipo de sujeira. Este é o caso da Rotovic, lavanderia com sede em Taboão da Serra (SP). Lá, além de máquinas computadorizadas, foi construído um sistema fechado para reutilização da água. As duas primeiras lavagens são realizadas com água reaproveitada, que passou por um processo de descontaminação na estação de tratamento instalada no local. Água limpa somente na última lavagem, como conta a diretora da Rotovic, Paola Tucunduva.

No começo do ano passado, a empresa utilizava diariamente 88 mil litros de água de um poço artesiano. Com o novo sistema de bombeamento e reutilização, o consumo caiu para menos da metade, 40 mil litros por dia. Já a rede de lavanderias Lavasecco, que possui 12 lojas no País, decidiu sensibilizar públicos interno e externo da importância da consciência ambiental com atitudes simples, porém eficientes.

“Criamos uma promoção para estimular nossos clientes a utilizarem sacolas retornáveis no dia-a-dia, inclusive na lavanderia”, diz a gerente de marketing e expansão da rede, Alessandra Oricchio, ao se referir à Atitude Eco Lavasecco, campanha em que dez peças registradas em um mesmo ticket dão direito a uma sacola ecológica feita com garrafas pet 100% recicladas. Ao utilizar uma bolsa retornável é possível deixar de jogar na natureza aproximadamente 500 embalagens plásticas por ano.

Outra ideia ecológica da Lavasecco extinguiu quilos de arame e plástico utilizados na produção de cabides, que passaram a ser fabricados de papel, em parceria com a Green Hanger. A rede entrega as roupas em cabides retornáveis e, a cada 20 peças devolvidas, o cliente ganha desconto em serviços. “Não temos nenhum tipo de lucratividade com esse trabalho, é questão de cultura e preocupação com o meio ambiente”, assinala. A gerente conta ainda que existe um treinamento interno para que funcionários entendam e acreditem na ideia de consumo consciente porque só assim terão propriedade para passá-la aos clientes.

DETALHES QUE FAZEM DIFERENÇA

Os arquitetos Ana Cristina Barbosa e José Queijo Félix, sócios da Montagem Arquitetos, garantem que é possível desenvolver ambientes modernos e sustentáveis com a escolha de produtos e cores adequados para cada espaço. “O mercado já oferece uma gama de artigos ecológicos. Os fabricantes estão cada vez mais conscientes da importância de disponibilizar essas opções, porque cliente e governo vêm exigindo isso”, analisa Queijo.

O profissional enfatiza que qualquer ambiente pode ser construído e decorado com esses produtos, inclusive uma lavanderia. “Nesse tipo de espaço, podem ser adotadas medidas simples e que vão fazer a diferença”, explica Queijo ao citar alguns passos para construir uma lavanderia ecológica, como esquemas de captação de chuva, tratamento e reciclagem de água; sistemas para economia de energia, como o uso de lâmpadas fluorescentes e PL’s, e energia solar; preferência por pisos e azulejos reciclados, entre outros.

Em 21 anos de existência, a Montagem Arquitetos sempre teve como foco principal otimizar recursos, orientando clientes quanto à importância da reutilização de materiais que a priori parecem descartáveis. Durante a Casa Cor 2009, que acontece de 26 de maio a 14 de julho, em São Paulo, a empresa aplicou o conceito em diversos pontos de uma lavanderia, como nas pastilhas de vidro reciclável que revestem o piso e as paredes, nos painéis de resina ecológica e os eletrodomésticos com consumo inteligente de água e energia elétrica.

As ações sustentáveis serviram de base para a elaboração do projeto e podem ser percebidas também na decoração do ambiente. “Na parede de vidro transparente, por exemplo, distribuímos diversas pedras de sabão produzidos com a reutilização do óleo de cozinha. Para alguns, pode parecer algo apenas bonito, mas a nossa missão é conscientizar as pessoas da importância do uso correto das matérias-primas, contribuindo com a preservação do meio ambiente”, explica Queijo.

Os chamados ecoprodutos – artigos não poluentes elaborados com o mínimo de impacto (ou nenhum) ao meio-ambiente e à saúde dos seres vivos, a partir de matérias-primas naturais renováveis ou reaproveitáveis -, são mais caros que os tradicionais. “É questão de adaptação. A automatização de processos gera um custo maior no final da produção, o que é repassado ao cliente”, frisa o arquiteto. Entretanto, esse custo maior é, na verdade, um investimento.

Além de a empresa ficar em conformidade com a legislação ambiental, também apresenta um diferencial frente aos concorrentes, já que consumidores conscientes – perfil que cresce no Brasil – pedem produtos e serviços ecologicamente corretos. Outro ponto positivo da utilização de processos sustentáveis é que o dinheiro investido retorna para a empresa a médio e longo prazos. “Depois de quatro anos de economia, gerada pela implantação de práticas ecológicas, o empresário já recuperou as despesas extras”, afirma José Queijo Félix.

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