Hotéis de luxo
PROJEÇÕES INDICAM CRESCIMENTO DO SEGMENTO EM SÃO PAULO
Os hotéis cariocas estão com boa demanda e, nos próximos anos, a hotelaria de luxo se manterá estável. Em São Paulo, a previsão é, daqui a dois anos, surgirem novos hotéis desta categoria.
Esta projeção foi apresentada por José Ernesto Marino Neto, presidente da BSH Internacional, em evento realizado em outubro. Na ocasião, a divisão de estatística da empresa (BSH Travel Research) divulgou a pesquisa que elaborou sobre o mercado hoteleiro de luxo, nos dois maiores centros econômicos brasileiros: Rio de Janeiro e São Paulo. Teve como critério o posicionamento de mercado que os empreendimentos deste nicho procuram atingir e a percepção dos clientes, portanto, os produtos elencados têm diferentes portes, instalações e serviços oferecidos. O estudo abrange características, evolução, localização da oferta, taxa de ocupação, diária média e RevPAR (receita por apartamento disponível) entre 2005 e 2008.
Esta análise teve como ponto de partida relatório semelhante, também realizado pela BSH, em 2005. Marino explicou que, nos últimos quatro anos, a empresa não fez pesquisas deste nicho porque ocorreu o descompasso entre a demanda e os investimentos em hotéis e flats, afetando todas as categorias. A hotelaria funciona como dominó. Se um três estrelas não tem cliente, ele busca no empreendimento de quatro ou no de duas. Para isso, promove melhorias, reduz preços, entre outras alterações.
A primeira constatação da pesquisa foi surpreendente: havia uma demanda reprimida neste nicho de mercado. No Rio de Janeiro, por exemplo, conjecturava-se que a inauguração do Fasano Vila Souto fosse afetar o anexo do Copacabana Palace. Isto não ocorreu.
Marino explicou que a projeção de estabilidade no segmento carioca decorre da ausência de área disponível para a construção. A hotelaria não é ponta de lança. Não influi para criar um novo eixo econômico na cidade. É uma atividade reativa, não é destino em si próprio, principalmente a urbana. Isso ocorre somente com resorts pontuais, afirmou.
A oferta carioca tradicional está na orla de Ipanema e de Copacabana, ainda é recente a expansão para a região da Barra da Tijuca. O mercado hoteleiro da cidade é considerado o mais estável do País.
São Paulo
Sobre a projeção para São Paulo, Marino explicou que a lucratividade que será auferida pelos cinco estrelas criará, no mercado, a percepção de que esse negócio é muito bom, motivando os investidores imobiliários a construir hotéis. Um incorporador tentará criar fundo imobiliário e de pensão, para vender e comprar cotas. No entanto, é preciso ponderar que nem sempre o negócio de luxo resulta em muito lucro.
Atualmente, a oferta hoteleira de luxo de São Paulo conta com 13 hotéis, divididos em dois principais mercados: Paulista, que reúne 44,6% (regiões de Moema, Jardins e Paulista) e Marginal Pinheiros, com 56,4% (regiões da Berrini e Faria Lima). No ano passado, os hotéis obtiveram o melhor resultado da série histórica analisada em GOP (lucro operacional bruto). O cenário de recuperação, frente ao período anterior a 2005, deve-se a dois fatores, importantes em um destino de negócios: o equilíbrio entre oferta e demanda e o crescimento econômico, no País.
Para os próximos anos, existem especulações de abertura de dois novos: um na região da Marginal Pinheiros e o outro em um dos edifícios do Parque Cidade Jardim.
Marino acrescentou que, tendo em vista a Copa do Mundo 2014, a BSH tem recebido indagações sobre investimentos em meios de hospedagem. Pondera-se que o evento tem três semanas de duração e a hotelaria é um investimento que dá retorno de oito a dez anos. Dependendo de como for conduzido o processo promocional, a Copa pode trazer como consequência um movimento turístico que não existia antes. No entanto, tratando-se de São Paulo, é preciso melhorar muito a infraestrutura, incluindo: sistema público de transporte e sinalização.

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