Grande Hotel Belo Horizonte

Empreendimento na capital mineira ficou marcado por receber grandes escritores nacionais

Por Priscilla Haikal

Há quase 60 anos, o Grande Hotel Belo Horizonte deu lugar ao Edifício Arcangelo Maletta, na esquina da Rua da Bahia com a Avenida Augusto de Lima, na região central da capital mineira. Construído em 1957 como prédio misto comercial e residencial, o local virou um tradicional ponto de encontro de escritores, boêmios, artistas e intelectuais, status que carrega desde os tempos que funcionava como hospedagem.

Sendo a principal opção de estadia para quem visitava Belo Horizonte na primeira metade do século XX, o Grande Hotel sediou importantes encontros, como entre o prefeito Juscelino Kubitschek e o arquiteto Oscar Niemeyer, em 1940. Na época, o tema que motivou a reunião entre os dois foi a elaboração do projeto para a criação do conjunto arquitetônico da Pampulha, que se tornou um dos símbolos modernistas da cidade.

Anos antes, precisamente na noite do dia 24 de abril de 1924, um grupo de intelectuais dava entrada na unidade. Após passar por diversas cidades mineiras, nomes como Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e Frédéric Sauser se hospedavam no empreendimento referência de Belo Horizonte. Coincidência ou não, estava prestes a acontecer um importante encontro para literatura brasileira, já que um jovem poeta mineiro também escolheu o Grande Hotel como hospedagem. Na ocasião, Carlos Drummond de Andrade tinha como companhia os amigos Pedro Nava, Martins de Almeida e Emílio Moura, que formavam o grupo literário Estrela, em referência a um café instalado nas proximidades.

As conversas nos corredores do hotel foram inevitáveis. Os hóspedes estenderam sua convivência para as ruas da capital mineira, em um passeio que inspirou Mário de Andrade no poema “Noturno de Belo Horizonte”, escrito na sacada do primeiro andar do Grande Hotel.

Hoje, apesar não abrigar mais um meio de hospedagem clássico, o local segue reunindo artistas, jornalistas e intelectuais, em seus sebos, livrarias, lojas de vinis, botecos e restaurantes tradicionais. Mais do que um ponto de encontro, o Edifício Maletta tornou-se uma opção cultural de Belo Horizonte.

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