Gerando energia – Soluções são indispensáveis aos empreendimentos hoteleiros

Nos últimos anos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), os governos estaduais e grandes empreendimentos têm se mantido em estado de alerta diante dos apagões que ocorrem constantemente em todo o Brasil. Segundo levantamento da Agência, o brasileiro fica em média 18,52 horas por ano sem luz, como consequência dos atrasos em obras no sistema de transmissão e de fenômenos climáticos que atingem a rede de distribuição.

De acordo com o relatório de acompanhamento de conjuntura publicado em novembro passado pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a demanda por energia no Brasil vai crescer em ritmo acelerado nas próximas décadas, cerca de 2,2% ao ano até 2035, número superior à média mundial, que é de 1,3% ao ano. Para atender à demanda, a matriz elétrica do Brasil deve passar por uma transformação nos próximos anos, abrindo espaço para suprimentos alternativos, como gás natural e energia eólica.

Seja com o objetivo de prevenir que os clientes não fiquem no escuro ou apenas economizar nos horários de ponta – período de três horas consecutivas em que a tarifa é mais alta (das 17h às 22h) -, muitos empreendimentos hoteleiros investem em geradores de energia.

O Casa Grande Hotel Resort & Spa, localizado no Guarujá, litoral paulista, por exemplo, possui dois equipamentos próprios, sendo que um deles, com 750 KVA de potência, está localizado na cabine de alta tensão logo na entrada, e atende áreas sociais e quartos tanto em regime emergencial quanto no horário de pico. O outro, utilizado basicamente para situações de emergência, foi alocado no salão principal do centro de convenções e possui 350 KVA.

“Nosso gasto mensal com energia elétrica gira em torno de R$ 90 mil por mês. A utilização do gerador diariamente nos horários de pico nos proporciona uma economia de 10%”, afirma o diretor geral do hotel, Lourival De Pieri. Sobre os resíduos deixados pelos equipamentos, que são movidos a diesel, o diretor explica: “o descarte é feito em parceria com uma cooperativa que dá o destino correto ao óleo e aos outros detritos do hotel”.

EQUIPAMENTOS

Os geradores de energia existentes no mercado são basicamente movidos a diesel ou gás natural, este último com baixo consumo de combustível e emissão de resíduos poluentes reduzida. Alguns produtos podem utilizar ainda fontes de energia renovável, como o biodiesel e o biogás, derivado de aterros sanitários, biodigestores e gases de minas.

Para reduzir os níveis de ruídos gerados, os equipamentos podem ser alocados em salas de alvenaria equipadas com sistema acústico. Outra opção é adquirir geradores silenciados, como os montados em bases metálicas, fixados com coxins para absorção de vibração e com carenagens acústicas revestidas internamente com lã de rocha recoberta com véu de vidro. Para os locais em que não há a possibilidade da construção de salas específicas, o mercado oferece carenagens – simples ou acústicas – montadas sobre os equipamentos.

Componentes de controle digital podem ser configurados para monitorar e acionar os aparelhos de acordo com informações pré-definidas, como períodos de funcionamento e prevenção de sobrecargas. Alguns painéis possuem interface simplificada e tela touchscreen, capacidade para conexão com a internet para monitoração remota e notificação de alarme, projetos de barramento isolado e infinito fora do mesmo hardware, além de fácil integração com outros sistemas de controle.

Ligado manual ou automaticamente – quando há falha no fornecimento -, o gerador de energia do Grande Hotel Campos do Jordão – Hotel-escola Senac, localizado na região serrana de São Paulo, foi instalado no início de 2005 e recebeu investimentos de R$ 181.560,00, como conta o gerente administrativo, Phelype Conte Menezes. “O equipamento é movido a diesel e possui potência de 570 KVA para atender 100% das áreas do empreendimento”, assegura.

O executivo afirma que a utilização de um gerador é de extrema importância para proporcionar mais conveniência aos clientes de lazer, segurança aos que realizam eventos e também para assegurar a qualidade dos produtos conservados em câmaras refrigeradas e evitar desperdícios.

Já no Kunza Hotel & Spa, localizado em San Pedro de Atacama, no Chile, os geradores operam 24 horas por dia o ano inteiro, de acordo com as necessidades relacionadas à ocupação. “O Kunza investiu aproximadamente US$ 280 mil na aquisição de quatro equipamentos que trabalham em pares. São três geradores com potência de 150 KVA utilizados em todo o hotel e um de 450 KVA, destinado para backup de emergência”, diz o gerente Mauricio Cascardi ao destacar que apesar de gastarem cerca de US$ 53 mil por mês em energia, a rede oferecida pela cidade não é suficiente para atender as necessidades do hotel.

Garagens, escadas, corredores de andares, fachada, recepção e equipamentos de comunicação, como computadores, PABX, internet, alarmes, elevadores, bombas do sistema contra incêndio, de água potável e de esgoto possuem um gerador de energia com capacidade para 12 horas de autonomia no Transamérica Executive Chácara Santo Antônio, em São Paulo.

De acordo com o gerente geral da unidade, Heder Rossini, utilizado em eventos de grande porte ou situações em que ocorra interrupção do fornecimento de energia pela concessionária, o equipamento é acoplado ao sistema elétrico geral do edifício e controlado automaticamente por uma central que monitora as falhas da rede externa.

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