Fhoresp pede fiscalização sobre racionamento e aumento abusivo dos alimentos
De acordo com levantamento da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de São Paulo (Fhoresp), itens como arroz, feijão, óleo de soja e leite registraram alta de até 50% para grandes consumidores, como bares e restaurantes, somente na última semana. Estes estabelecimentos precisam adquirir quantidades maiores de mercadoria, a fim de garantir a rotatividade do cardápio, e estão se deparando com um mercado racionado.
Para a entidade, distribuidoras de alimentos estão se aproveitando da tragédia climática no Rio Grande do Sul para segurar os produtos e aumentar abusivamente os preços. Além disso, alguns supermercados estão impondo aos consumidores limite de produtos para compras, sem a menor justificativa. Diante deste cenário, acionou o Procon-SP e pediu que o órgão investigue o eventual desabastecimento.
Em ofício entregue na última segunda-feira (13/5) ao diretor executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti Filho, a Federação argumenta que não há problemas, neste momento, na produção e no armazenamento, nem o risco de desabastecimento de arroz no País, mesmo com a catástrofe que atingiu 447 municípios do Sul do Brasil.
A entidade se baseia em informações oficiais divulgadas pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz) e pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), além da União. “Onde está o motivo para limitar as quantidades e impor um racionamento que não aconteceu nem durante a pandemia de Covid-19? Talvez, seja para criar um desabastecimento artificial e especular preços. Isso é um verdadeiro absurdo, e que precisa ser coibido com urgência”, critica Edson Pinto, diretor-executivo da Federação.
Reflexos da iniciativa
O diretor-executivo da Fhoresp destaca, ainda, que o primeiro impacto deste falso alerta será na inflação do País, podendo, depois, haver desdobramentos nas taxas de juros, no gasto público e até mesmo no crescimento potencial da pobreza entre os brasileiros. Edson também ressalta que, se tal situação continuar, haverá reflexos negativos em bares e restaurantes.
“Hoje, para a população comer fora de casa, em vez de fazer a refeição no lar, está 14,4% mais barato, porque estabelecimentos do ramo gastronômico têm segurado os reajustes em suas operações. Porém, isso ficará cada vez mais difícil de se manter, caso essa especulação continue”, avalia o dirigente.

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