Faturamento do setor de viagens corporativas foi de quase R$ 102 bilhões no primeiro semestre
Guilherme Dietze, economista da FecomercioSP. Foto de Caio Gallucci
Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV), o mercado brasileiro de viagens corporativas registrou alta de 5,8% no primeiro semestre, com faturamento próximo de R$ 102 bilhões. No cenário internacional, o Business Travel Index (BTI), apresentado no começo de agosto pela Global Business Travel Association (GBTA), projeta expansão de 13,8% para o Brasil no ano, a maior taxa entre os 15 principais mercados globais.
A diferença entre o desempenho já registrado e as projeções para o fechamento de 2026 coloca no centro da análise fatores como preços, volume de viagens e o comportamento da economia brasileira. O LVC, que inicialmente estimava crescimento de 7% para o setor neste ano, revisou a sua projeção para um patamar próximo de 5%, enquanto a GBTA prevê expansão de 13,8% para o mercado brasileiro, uma taxa quase três vezes superior à estimativa doméstica.
“O Brasil aparece com uma perspectiva de crescimento relevante no cenário internacional e, ao mesmo tempo, temos no LVC uma leitura mensal do que efetivamente vem acontecendo no mercado brasileiro. A combinação desses indicadores nos permite acompanhar não apenas quanto as empresas estão gastando, mas também o ambiente econômico que influencia as decisões sobre viagens e eventos”, afirma diretora-executiva da ALAGEV, Luana Nogueira.
Em junho, os gastos das empresas com serviços relacionados às viagens corporativas atingiram R$ 17,3 bilhões, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025 e novo recorde histórico para o período, segundo os últimos dados revelados pelo LVC. Apesar do avanço do faturamento, a análise da FecomercioSP indica uma influência maior dos preços sobre os resultados, enquanto o volume de atividades apresenta crescimento mais moderado. “ Isso não significa necessariamente uma queda no volume de atividades, mas indica que seu crescimento ocorre em ritmo mais lento”, explica Guilherme Dietze, economista da FecomercioSP.
Brasil entre os principais mercados globais
- A projeção apresentada pela GBTA coloca o Brasil na 10ª posição entre os maiores mercados de viagens corporativas do mundo, com previsão de US$ 35,8 bilhões em gastos em 2026.
- Entre os 15 principais, o país apresenta a maior expectativa de crescimento, de 13,8%, acima de Japão (10%), Estados Unidos (6,7%) e China (5,9%).
Gastos e número de viagens
- No cenário global, a GBTA projeta US$ 1,71 trilhão em gastos com viagens corporativas em 2026, crescimento de 7,2% sobre o ano anterior.
- O número de viagens, por sua vez, deve alcançar 1,84 bilhão, com avanço de 1,3%. A diferença entre os dois indicadores também coloca preços, custos e retorno dos deslocamentos entre os temas que ganham espaço na gestão corporativa.

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