Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em julho deste ano mostraram que o índice de atividades turísticas apresentou expansão de 1,5% em comparação ao mês anterior, após ter recuo de 1,7%. Apesar de tímido, o setor está otimista com esses indicadores. Para Alan Guizi, professor da Anhembi Morumbi e especialista em Turismo e Hospitalidade, esse crescimento se deve ao avanço da vacinação e às quedas nos números de mortes e contágios de COVID-19.
“As famílias estão voltando a ter confiança em sair de casa e a consumir viagens. É preciso ter em mente também que esta comparação acontece com um período em que a pandemia esteve em seus níveis mais elevados, visto que o meio do ano de 2021 chegou à triste de marca de quatro mil pessoas morrendo por dia no Brasil. Desse modo, não havia tantas viagens acontecendo. Em comparação com aquele período, qualquer retomada já representa um grande salto”, afirma.
O docente afirma que, apesar da alta da inflação, o crescimento das atividades turísticas ganhou um fôlego: “Poderíamos ter números ainda mais acentuados, mas as viagens são uma das primeiras coisas que as famílias costumam cortar quando passam por alguma crise”. Para além da inflação, percebe-se também o aumento do preço nas tarifas hoteleiras e no consumo de alimentos nas cidades, dificultando ainda mais um crescimento nas viagens.
Pós pandemia
Guizi afirma que o setor se superou após um período extremamente difícil para o Brasil. Apesar de – ou por causa da – pandemia, o setor aprendeu muito ao longo desse período, no entanto, o turismo é formado em sua maioria por pequenos negócios. Com isso, apesar de terem crescido em conhecimento e em experiência, a grande preocupação está na liquidez dessas empresas para aguentarem novas crises, podendo haver novas quebras caso não possam contar com ajuda financeira adequada.
Otimista, o docente acredita ser possível que o setor volte a operar com a mesma intensidade de 2019 no próximo ano. “Há algumas projeções que indicam que podemos retomar ainda em 2022 esses patamares. Essa retomada depende da estabilidade econômica do país, assim como na continuação das quedas nos números da pandemia. Nesse sentido, temos o turismo doméstico como uma das forças propulsoras do crescimento nos índices de viagens, que se beneficia do afrouxamento de qualquer regra antes estabelecida. Outros fatores também são a consolidação do retorno de grandes eventos corporativos e de lazer, que trazem um maior fluxo de visitantes para as cidades, e a estabilização da inflação e da economia que se prevê para 2023”.
Para o especialista o setor deve apostar em novos segmentos do turismo para ter um crescimento sólido. Ele afirma que as pessoas permanecem com muita vontade de voltar a viajar, mas, com os preços nas alturas e com a economia brasileira ainda em tempo de incertezas, o setor deve apostar mais em destinos do interior. “É momento também de investir em novas opções de atividades, como eventos, festas ou festivais, que também têm atraído bastante atenção. Desse modo, e com a liberação total dos eventos, apostar no retorno deste calendário é outra saída interessante. Exemplos bem-sucedidos são o Lolapalooza e o Rock in Rio, entre outros eventos”.
Como conselho, Guizi diz que avançar no quesito biossegurança é essencial para atrair turistas. Além disso, ressalta que o setor está voltando a contratar mão de obra, o que é uma excelente notícia para a sociedade brasileira. “Depois de dois anos de um período mais agudo da pandemia, o turismo está voltando a respirar com mais segurança, porque as pessoas gostam muito de viajar e estão buscando as melhores condições para isso. Espera-se um maior fôlego para o setor durante as férias de verão, com mais viagens domésticas, e um aumento de demanda nos próximos meses, em especial àqueles lugares que já recebiam uma boa quantidade de turistas”.

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