Energia solar – Abundante e renovável

Brasil é o sexto no ranking mundial de aquecimento solar

Atender ao crescimento acelerado da demanda por energia e aquecimento de forma não poluente e sustentável é tendência mundial. Para isso, a busca por novas fontes, como a solar, é essencial nos dias de hoje. Privilegiado pela sua localização geográfica, o Brasil tem capacidade inesgotável para produção deste tipo de energia, basta apenas que população e empresários conscientizem-se sobre esta necessidade e conheçam as tecnologias disponíveis.

A radiação solar pode ser utilizada diretamente para o aquecimento de fluidos e ambientes – fonte de energia térmica – ou para geração de potência mecânica ou elétrica, obtida por meio de um material semicondutor, sendo o fotovoltaico o mais utilizado atualmente. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no Brasil a tecnologia de aquecimento de água é mais encontrada nas regiões Sul e Sudeste, já a fotovoltaica, no Norte e no Nordeste, em comunidades isoladas da rede de energia elétrica.

A ampliação da consciência ambiental com a utilização de fontes de energia e ações de eficiência energética é para o Departamento Nacional de Aquecimento Solar (Dasol) o principal motivo do crescimento da produção de coletores nos últimos anos – somente em 2011 foram produzidos 1.029 metros quadrados de coletores, um recorde para setor, que figura entre os seis maiores do mundo, atrás da China (em primeiro lugar), Estados Unidos, Alemanha, Turquia e Austrália, segundo dados divulgados pela Agência Internacional de Energia (IEA).

Com investimento de R$ 60 mil, o hotel Porto Pacuíba, localizado em Ilhabela, litoral norte paulista, dispõe de água aquecida por raios de sol captados por 40 placas associadas a dois boilers de dois mil litros, cada, dotados de sistema alternativo de aquecimento a gás e elétrico. “Os principais objetivos da instalação desse sistema foram redução de custos operacionais, garantia de mais de uma fonte de energia para manter a água quente no hotel e o atendimento à consciência ecológica do empreendimento e de seus proprietários”, explica o sócio-administrador Hefler Benz.

Segundo o profissional, o hotel conta com sistema de captação de energia solar desde 1996, com troca de equipamentos em 2011, quando passou por reforma. “Infelizmente nosso sistema trabalha somente para o aquecimento de água, uma vez que a tecnologia para geração de energia elétrica é muito cara”. Em se tratando de redução de gastos, Benz afirma que a previsão de retorno do investimento é de dez anos considerando que o aparelho requer pouca manutenção.

Agraciado em julho deste ano pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) com o Prêmio Eficiência Energética, o Novotel Morumbi, em São Paulo, instalou 93 placas solares no telhado do prédio que captam a energia do sol e aquecem a água, junto a cinco bombas de calor. Para evitar desperdício, a unidade conta também com um software integrado ao sistema de check-in e check-out que mensura a quantidade de hóspedes e produz água quente conforme a ocupação do hotel, o que é uma inovação no conceito de preservação e uso de água na hotelaria.

“Esta premiação representa mais um importante passo dado pela marca Novotel em apresentar uma gestão que preza pela redução do consumo de energia com a adoção de um sistema que pretendemos implementar em outras unidades ao longo do tempo”, destaca o diretor de Operações da marca Novotel para América Latina, Bernd Hofmann.

O resultado obtido ao longo dos últimos três anos foi de redução de 50% no consumo de gás, ressaltando que o hotel obteve um aumento de 25% no número de hóspedes, comprovando a melhoria do sistema na redução de energia. No total, gastos com eletricidade, água e gás, que chegavam a R$ 71 mil por ano foram reduzidos em 80%. Além disso, o empreendimento deixou de emitir 124 toneladas de CO2 desde que implantou o sistema.

Tecnologias

No mercado há diversos modelos de coletores solares térmicos, como os mais tradicionais compostos por uma serpentina de tubos de cobre, normalmente com aletas de alumínio pintadas de preto para aumentar a absorção da energia solar, estrutura de fibra de vidro e vidro solar. Há também os aparelhos feitos com tubos de vidro vedados a vácuo, que prometem esquentar grandes quantidades de água.

Para a professora Elizabeth Marques Pereira, pesquisadora da Universidade UNA, de Minas Gerais, o Brasil tem hoje um mercado muito importante. “São mais de sete milhões de metros quadrados de coletores instalados, e nossa meta é chegar em 2015 com 15 mil metros quadrados. Em um país ensolarado como o Brasil, em termos tecnológicos ainda existe um grande caminho a ser percorrido, porque hoje nós trabalhamos com temperaturas muito baixas, até 60 graus. Nosso desafio é operar com sistemas de média temperatura (15 graus)”, explica.

Já os painéis fotovoltaicos são, na maioria das vezes, produzidos a partir de cristais de silício, com módulos que transformam os raios solares imediatamente em energia elétrica, que deve ser armazenada em baterias. É necessário também adquirir um controlador de carga que protege a bateria contra sobrecarga ou descarga excessiva e um inversor, dispositivo eletrônico que converte a energia elétrica de corrente contínua para a alternada, podendo assim ser utilizada em eletrodomésticos convencionais.

Inovação

Para aumentar a eficiência na utilização da energia solar, o arquiteto alemão Andre Broessel criou uma esfera de vidro gigante que, segundo ele, amplia a captação e a absorção dos raios solares em 35% se comparado às placas tradicionais. Outro ponto de destaque é que por se tratar de uma lente no formato de bola, o aparelho aproveita a luminosidade independentemente de como ela incida sobre a estrutura.

O sistema pode ser aplicado em qualquer tipo de superfície – outro diferencial em relação às placas comuns, que precisam estar inclinadas para aproveitarem melhor os raios solares – de acordo com a necessidade e a estrutura disponível. “Em alguns locais pode ser instalada uma única lente gigante, em outros há necessidade de várias delas em tamanho menor”, explica.

Deixe uma resposta