Em debate as tendências do turismo

Cerca de 1.300 empresários participaram da sétima edição do Fórum Panrotas Tendências do Turismo 2009, realizado em 17 e 18 março, no auditório do Fecomércio, em São Paulo. A ideia de que inovações nos negócios do setor podem minimizar os efeitos da crise mundial e que o Brasil tem boas oportunidades foi consenso nas palestras, nos painéis e debates.

Na abertura, o presidente do Panrotas, Guillermo Alcorta, anunciou a regionalização do evento que, em junho, deverá acontecer em Recife (PE) e em Manaus (AM). No segundo semestre, serão realizados mais três em outros Estados. Também informou a inclusão de títulos da editora Empresa das Artes no Portal Panrotas e o lançamento, em junho, da publicação “Vamos Lá, Viagem”, voltada ao consumidor final.

Iniciando o ciclo de palestras, o ministro do Turismo, Luiz Barretto, apresentou tendências e planos. Enfatizou o crescimento em 2008, frisando que, a partir de outubro passado, a desvalorização do dólar frente ao real criou uma oportunidade ao setor. Entre os fatores que motivaram essa evolução, citou: aumento da classe média, investimentos em infraestrutura e em promoções, além de financiamentos de bancos oficiais às atividades empresariais e os investimentos do setor privado.

Quanto aos planos, Barretto afirmou que, na atual conjuntura, o mercado interno é o principal eixo de trabalho. Deve prosseguir a campanha “Conheça o Brasil” e será realizado o 4º Salão de Turismo, de 1º a 5 de julho, no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo. Também continuam os investimentos no exterior. Como em tempos de crise as viagens de longas distâncias reduzem, ganhará prioridade a América do Sul. Otimista, o ministro enfatizou que o calendário de 2009 é favorável, pois conta com nove feriados que possibilitam criar fins de semana prolongados. Citou ainda que o tema mais importante para os próximos anos é a Copa do Mundo 2014. “Neste aspecto, a renovação do parque hoteleiro é um dos desafios”.

Aviação

Pela primeira vez desde que assumiu, em dezembro de 2007, a presidência da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Solange Vieira, falou publicamente ao trade. Enfatizou que o órgão regulador tem como diretriz a livre concorrência: não interferência no mercado (companhias e consumidores devem decidir suas escolhas), abertura da participação do capital estrangeiro nas empresas aéreas, mais companhias aéreas domésticas e liberação das tarifas internacionais. Anunciou a criação de um selo de qualidade para identificar empresas que oferecem assentos ergométricos. Sobre o modelo de concessão de licitação de aeroportos, contou que tem visitado vários do exterior. Peculiaridades de cada um desses serão adaptadas ao Brasil, pois o País tem dimensão continental.

Em seguida, num painel, presidentes das principais companhias aéreas (TAM, Gol, OceanAir, Trip, Azul e Webjet) apontaram perspectivas diante das atuais dificuldades internacionais. A maioria planejou o aumento da frota tendo como expectativa uma maior expansão econômica. Com a crise, devem sobrar assentos, ocasionando redução de preços e maior competição entre as empresas. Assim, apostam em promoções.

Marketing e vendas

Em painel sobre vendas on-line, foi enfatizado que pesquisas dos EUA constatam que 90% das decisões de viagem são escolhidas através da web, mesmo que a compra não seja através dessa busca. “Hoje, um hotel pode até funcionar sem telefone, mas não vive sem site”, salientou Romero Rodrigues, do Buscapé.

Luiz Vieira, diretor de tecnologia do Sabre Travel Netmork, apresentou estratégias de otimização de website para que seja o primeiro a aparecer nas buscas dos internautas. Uma opção é a compra de espaço nos sites de busca (Search Engine Mark) e a outra é dar relevância a determinadas palavras no próprio site (Search Engine Optimization) – uma solução sem custo. No painel, além de Romero e Luiz, participaram o Google Brasil e o presidente do ClearSale que também abordaram a segurança na web.

Os debates sobre marketing de destino teve início com a apresentação de Jeanine Pires, presidente da Embratur. Ela apresentou o “Plano Aquarela Marketing Turístico Internacional do Brasil” (lançado em 2003), destacando os resultados obtidos com as promoções e algumas inovações implantadas. A estratégia tem por base três itens identificados pelo mercado internacional: estilo de vida, natureza e modernidade cultural. Frisou que “crise se combate com comunicação eficiente e cooperação entre poder público e privado”, opinião de consenso no evento.

Ainda sobre marketing de destino, Cathleen Johnson, vice-presidente da Edelmam citou que, devido às opções ilimitadas do Brasil, a promoção do País deve ser dirigida aos públicos específicos. Em sua opinião, o turismo é o setor econômico menos suscetível à crise, pois com a globalização as pessoas continuarão viajando. Mundialmente, a América do Sul tem grande potencial e o Brasil tem a oportunidade de apresentar suas diversas atrações turísticas.

Painel sobre a lei geral do turismo reuniu Airton Pereira, secretário de Políticas de Turismo do MTur, e deputados federais. Afonso Hann, presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara frisou que, na regulamentação, um dos aspectos prioritários é buscar flexibilidade para o acesso aos recursos do BNDES e do Fundo do Turismo.

O Fórum contou ainda com palestras sobre liderança e gestão de pessoas, além de painel sobre direitos do consumidor, com a participação da Abav Nacional, Braztoa, Procon e do deputado Celso Russomanno. No encerramento, Pelé apresentou “talk show”, destacando a Copa 2014, e foi homenageado pela Panrotas.

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