Em busca da organização de selva

Foi fundada, em março, a Associação da Hotelaria de Selva da Amazônia Brasileira. A entidade tem por objetivo quantificar os meios de hospedagem da região, visando qualificá-los de acordo com os conceitos da sustentabilidade, pois devem exprimir com exatidão a identidade de “hotéis verdes”. Conhecendo a disponibilidade e o perfil desse segmento, será possível difundi-lo, tendo em vista a sua evolução socioeconômica e ambiental.

Com 25 anos de atuação na hotelaria e tendo ocupado a gerência-geral do Tiwa Amazonas (AM), Sérgio de Carvalho assumiu a presidência da nova entidade. Essa foi criada por iniciativa de investidores e de outros profissionais vinculados ao segmento, destacando-se a participação do Juma Lodge (AM), Anavilhanas Lodge (AM) e Pakaás Palafitas Lodge (RO), entre outros.

O embrião dessa associação surgiu em 2004, quando operadores do exterior, em um evento internacional do turismo, interessados em apoiar ações e divulgar a região para clientes, mantiveram contatos com o governo brasileiro para obter informações sobre o parque hoteleiro instalado na Floresta Amazônica. Descobriu-se que inexistiam dados substanciais sobre os investimentos da iniciativa privada na área da hospitalidade, conta Sérgio.

Esse fato causou surpresa aos profissionais do turismo, pois já se estimava que, na região, existiam cerca de 400 hotéis de selva. São empreendimentos que, por estarem instalados em comunidades carentes, têm significativa importância socioeconômica, porque oferecem um meio de subsistência para essa população local.

Sérgio enfatiza: “para se ter uma ideia de como esse segmento é esquecido, o Amazonas tem cerca de 110 hotéis de selva, mas menos de 25 são cadastrados no Estado”. “No Brasil, o segmento de hotéis de selva não é regulamentado, portanto, inexiste uma ‘bíblia’ que indique, ao investidor, quais são os critérios que devem nortear a construção do empreendimento”, afirma Sérgio.

Frisa que, sendo uma categoria específica de meio de hospedagem, o hotel de selva pode ser simples ou luxuoso, mas todos têm uma rusticidade própria que os integra ao cenário local. Seus hóspedes têm como propósito fazer turismo em áreas delicadas. A grande maioria é estrangeira. O brasileiro está começando a se interessar por essa proposta. Observando dados de operadoras e agências, estima-se que, em 2008, houve um crescimento de 40% de turistas brasileiros em comparação ao anterior.

A primeira ação, já definida pela entidade, é realizar pesquisa na região para identificar o perfil dos empreendimentos, o que possibilitará criar selos de identificação que orientem os turistas. Com esse objetivo, a Associação da Hotelaria de Selva da Amazônia Brasileira está mantendo contatos com o MTur, o Sebrae Nacional e outras entidades do setor. Sérgio frisa que o Sebrae Amazonas já manifestou interesse em participar dessa iniciativa.

Mais informações, fone: 11.5094.2196 – www.hotelariadeselvabrasil.com.

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