Mariana Aldrigui, Alberto G. Martins, da B4Tcomm, e Sylvia Barreto
Aconteceu, na manhã de ontem (20), a primeira edição do DEB4TE Lifetalks, evento organizado pela agência de comunicação B4Tcomm, que passou a realizar, este mês, curtos painéis de discussão e conversas diretas. Em cada um deles, temas relevantes e, até mesmo polêmicos, serão levados aos participantes, com o intituito de trazer soluções práticas para o cotidiano dentro do setor. No debate, a jornalista Sylvia Barreto e a professora e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Mariana Aldrigui, também presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, falaram sobre a questão da gordofobia no turismo.
“Quando falamos sobre gordofobia, é importante esclarecer que esta é uma questão de preconceito de imagem, sobre como o indivíduo se apresenta na sociedade, e não sobre peso”, explica Mariana Aldrigui, reforçando que uma pessoa alta ou um atleta de alto rendimento pode, facilmente, pesar mais de 100kg.
Entre os principais pontos reforçados durante toda a discussão, está a questão da falta de equipamentos necessários à indústria turística para atender bem ao público tido como ‘acima do peso’. Sylvia conta que, após engordar 40kg e passar dos 100kg, percebeu que suas viagens foram prejudicadas. Para a jornalista, atualmente o setor turístico cria mais limitações do que soluções.
“Em um cenário no qual mais de 53,8% das pessoas no Brasil estão acima do peso, segundo o Ministério da Saúde, este público deve ser recebido da melhor forma possível pelo turismo. As tirolesas, por exemplo, aguentam apenas até 100kg. Isso não exclui apenas quem é esteticamente gordo, mas também quem é alto. É um padrão obsoleto”, explica Sylvia.
Como solução, ela aponta a compra de equipamentos adequados, por exemplo, que existem, mas nem sempre são levados em consideração. “Existem cadeiras maiores para a realização das tirolesas, mas quase nunca os lugares que oferecem este tipo de atividade se preocupam em adquiri-las, e atender todos os interessados”, diz.
Hotéis
No caso da hotelaria, Sylvia reforça que há muitos pontos a serem repensados. “Os hotéis não precisam ter todas as toalhas grandes, caso o custo para isso seja muito alto. Entretanto, por que não pensar em ter um estoque de 20% das toalhas, caso os hóspedes solicitem maiores? Roupões em tamanhos grandes, por exemplo, quase nunca são oferecidos”, pontua.
Para a jornalista, a principal solução para uma abordagem correta, oferecendo informações relevantes a este público, está em sites melhores e mais informativos. “Faltam informações técnicas. Este grupo, acima de tudo, também tem poder de compra e está disposto a pagar mais por conforto”, enfatiza.
O encontro aconteceu na Casa do Saber, espaço localizado no Itaim Bibi, bairro da capital paulista.
*por Nathalia Abreu

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