Corpo em movimento

Fitness centers ganham mais atenção e investimento da hotelaria

Foi-se o tempo em que manter uma esteira e uma bicicleta ergométrica eram itens mais que suficientes para atender a quem, mesmo fora de casa, não pode prescindir da rotina diária da prática de exercícios. A onda fitness começou nos Estados Unidos e, não sem razão, hotéis como o W, de Nova York, Hilton Anatole, em Dallas, e Four Seasons Hotel, em São Francisco, são referências incontestáveis de infraestrutura adequada aliada a equipamentos de última geração, tudo incluído na diária e à disposição dos hóspedes durante as 24 horas do dia.

O ginásio do W New York ocupa 1,450 metros quadrados equipadas com estação de boxe e equipamentos de ioga, além de bicicletas ergométricas e máquinas elípticas. A equipe de atendimento está apta a organizar seções de exercícios dedicados às necessidades ou ao gosto dos hóspedes, incluindo sessões de yoga com vista para o Rio Hudson.

No Hilton Anatole, o fitness center oferece aulas de kickboxing e até quadras de basquete e raquetebol para prática indoor ou ao ar livre. O Sports Club do Four Seasons oferece, igualmente, uma quadra de basquete e aulas gratuitas de boxe aos hóspedes, sempre com acompanhamento de profissionais da área.

No Mandarin Oriental Tokyo, para citar um exemplo do outro lado do mundo, o fitness Center fica no 38º piso, entre paredes de vidro, e oferece equipamentos que utilizam a última palavra em tecnologia, mantém pessoal especializado no acompanhamento da série de exercícios que se pode praticar, entre os quais o pilates. Tudo com atendimento em 12 idiomas.

No Estancia Vik, no Uruguai, o que chama a atenção é o espaço em si. A sala é toda decorada com obras de arte.

O Brasil está longe dessa realidade, mas tem revelado quem com criatividade e algum investimento é possível fazer a diferença nessa categoria. Exemplo recente é o Rio Quente Resorts (GO), que aplicou R$ 600 mil na construção de uma academia totalmente integrada à natureza que cerca o complexo.

O espaço, suspenso 3,5 metros acima do nível do solo, ocupa área de 220 m² e oferece uma bela vista para o Parque das Fontes, uma área privilegiada pela flora exuberante, com duchas, saunas e ofurôs naturais. A nova academia funciona das 8h às 20h, com acesso livre aos hóspedes às aulas e aos treinos ocasionais ou mesmo profissionais – à exceção de jovens com menos de 16 anos – e é acessível a hóspedes portadores de necessidades especiais.

“Somos o primeiro resort com uma academia em meio à natureza”, comenta Manoel Carlos Cardoso, gerente de Marketing e Vendas do Rio Quente Resorts, que optou pela autogestão. A equipe de atendimento é própria, incluindo os professores, todos formados em Educação Física. A taxa de ocupação do espaço, segundo Cardoso, chega a perto de 100 pessoas por dia. “Em média temos 30 pessoas no período da manhã, 20 à tarde e 35 à noite. O maior fluxo é das 8h às 11h e das 18h às 20h”, revela o gerente, acrescentando que o tempo médio de permanência no lugar é de 60 a 90 minutos.

À frente da ambientação da academia está a Criacittá Marketing Cenográfico. “Pensamos numa estrutura com recortes que contornam as árvores existentes e misturam os ambientes internos e externos. Desta forma, conectamos a natureza do Rio Quente Resorts ao espaço. Aproveitamos também as linhas retas que trazem um ar moderno, natural e dinâmico para a academia”, explica o sócio-diretor da empresa, Nelson Rocha.

Espaço otimizado

Um case interessante, não necessariamente ligado ao tema mas que vale como curiosidade, é o do Bourbon São Paulo, localizado na área central da capital, em um prédio erguido há 70 anos e tombado pelo patrimônio público. A situação impõe uma limitação importante a qualquer projeto de expansão ou renovação estrutural. A solução para a instalação da academia foi ocupar o espaço originalmente construído como abrigo antiaéreo, a pedido da então proprietária do edifício, a condessa italiana Leonor de Camilis Spezzacalena, traumatizada com os ataques aéreos que seu país sofreu durante a 2ª Guerra Mundial.

Quando foi comprado por Alceu Vezzozo para a instalação do Bourbon, o espaço foi ocupado e funcionou durante muito tempo como piano bar, até ser transformado na sala que hoje abriga o fitness center. Da função original, o local mantém apenas a tampa do porão, que segundo os mais antigos, servia como rota de fuga com saída para a Praça da República.

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