NotíciasPonto de vista
Como é ser hoteleiro no Brasil?

Hoje, 9 de novembro, é celebrado o dia daquele profissional dedicado a transformar a estada dos clientes em momentos memoráveis. A data foi instituída em homenagem aos empresários e redes do setor no ano de 1936, durante o I Congresso da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), no Rio de Janeiro. Nesta matéria, perguntamos a alguns profissionais: como é ser hoteleiro no Brasil e quais os maiores desafios que eles encontram no dia a dia? Confira:

Ser hoteleiro no Brasil é desafiador. Em um país onde o setor de serviços ainda enfrenta grande desvalorização, a persistência e a resiliência tornam-se qualidades essenciais para quem deseja crescer e prosperar nesse campo. Ao mesmo tempo, é uma profissão extremamente dinâmica, focada no encantamento e na hospitalidade. Ter o privilégio de realizar sonhos e servir é, sem dúvida, uma missão verdadeiramente louvável.

Ricardo Nielsen – Diretor de Vendas, Marketing e Distribuição da Slaviero Administradora

Tenho mais de 30 anos na hotelaria, tendo passado por Génova, Montevidéu e Cartagena. No Brasil, além do Rio de Janeiro, também atuei em São Paulo, e o que eu posso dizer é que nosso país é lindo, cheio de oportunidades no turismo e a hotelaria faz parte desse ecossistema.

O maior desafio de ser hoteleiro é ter todas as nossas ações focadas em pessoas, em proporcionar a elas a melhor experiência, para que se sintam cuidadas. Exige grande dedicação e amor pelo o que se faz, mas é extremamente gratificante.

O resultado de um bom trabalho com hospitalidade é ver as pessoas vivendo momentos especiais e felizes. Isso, sem dúvidas, é o melhor da profissão.

Alexandra Bueno – Gerente geral do Grand Hyatt Rio de Janeiro

A hotelaria de forma geral no mundo é um universo vibrante e com milhares de possibilidades e conhecimentos. Sejam culturais, religiosos, históricos, regionais ou até mesmo de tradições locais e em constante evolução. Ser hoteleiro no Brasil é uma experiência única pelo tamanho e características do país!

Acredito que os maiores desafios estão relacionados às trocas e interações pessoais. Especialmente quando lidamos com a expectativa em relação a uma experiência de hospedagem.

Além da falta de rotina, o que mais me cativa na profissão é a possibilidade da miscigenação cultural, de conhecimento e aprendizado com pessoas totalmente diferentes do nosso círculo pessoal.

Rodrigo Vallejo – Head de Vendas da Trul hotéis

A hospitalidade brasileira é reconhecida mundialmente pelo calor e pela receptividade, mas operar no setor hoteleiro vai muito além de oferecer um sorriso ao receber um hóspede. No dia a dia, cuidar de um grupo do tamanho da WAM requer visão estratégica, adaptabilidade e um compromisso contínuo com a excelência.

O maior desafio que enfrentamos é, sem dúvida, a gestão de múltiplos fatores que influenciam o turismo e a hotelaria. A instabilidade econômica, as variações cambiais, as questões políticas, a alta carga tributária e a logística complexa em um país de dimensões continentais demandam soluções criativas e ágeis. Além disso, a tecnologia avança rapidamente, exigindo que estejamos sempre um passo à frente.

Por outro lado, o que considero de melhor na profissão é a capacidade de transformar a estadia dos hóspedes em memórias inesquecíveis. O hoteleiro tem o poder de influenciar diretamente a experiência de pessoas que vêm de diferentes partes do mundo.

Lucas Fiuza – CEO WAM Experience

Ser hoteleiro no Brasil é bem desafiador. Além de conhecer a arte da hospitalidade, dependemos de muitos fatores externos que interferem na experiência do nosso cliente. Por aqui, qualificar a mão de obra com certeza é o nosso maior desafio. Já o melhor da profissão é saber que que nem um dia é igual ao outro. 

Marcos Macedo – Casas Brancas Boutique Hotel & SPA

É estar em constante evolução tecnológica. Apesar de termos uma vocação natural para o turismo, esta indústria ainda representa muito pouco do nosso PIB nacional (cerca de 8%), o que nos indica que ainda temos muito a evoluir.

Acredito que o desafio está em profissionalizar esse talento intrínseco que todo brasileiro tem quanto ao que tange receber bem, esse dom natural em sermos bons anfitriões.

Ter o feeling da antecipação, atender as expectativas, encantar hóspedes e, consequentemente, alcançar feedbacks positivos são de longe o melhor da profissão. Para nós, hoteleiros por vocação, “Servir” é uma arte.

Cristiane Minateli Grazinoli – Gerente operacional do Parador Lumiar Hotel e Spa

Ser hoteleira no Brasil é um grande desafio. Tenho a impressão de que a gente anda três passos para frente, vem alguém e te puxa, recuando dois passos para trás. Uma hora é a carga tributária que incide sobre nossa atividade, outra hora é o clima, o tempo que não ajuda. Além disso, não temos apoio de nenhum lado nem com quem contar. Ninguém. Não tem governo.

Além da questão governamental, o grande desafio é a mão de obra. Para isso, é necessário saber fazer uma boa seleção. E investir constantemente em treinamento.

O melhor dessa profissão é a diversidade e quantidade de pessoas que nossa atividade dá a possibilidade de conhecer. Se eu não estivesse na hotelaria não teria conhecido nem a metade destas pessoas. Muitos hóspedes viraram amigos pessoais. Acabamos conhecendo pessoas do mundo inteiro. Por isso costumo falar que todo hotel é uma esquina do mundo.

Evelyn Gavioli – Sócia-proprietária da Pousada Estrela D’Água, de Trancoso

O Brasil é um destino muito procurado por estrangeiros, recebendo grandes eventos em suas principais capitais e com destinos únicos no mundo. Então, ser hoteleiro no Brasil é ter a chance de oferecer uma receptividade e acolhida de excelência a todos os hóspedes, sejam brasileiros ou estrangeiros.

Acredito que os principais desafios para a hotelaria no Brasil atualmente sejam a instabilidade econômica, a burocracia e tributos impostos pelo país, sazonalidade, pouco investimento na qualificação de mão de obra.

Poder trabalhar e lidar com pessoas, que particularmente é algo que amo é uma das melhores coisas da profissão. Tenho a oportunidade também de conhecer novos destinos e socializar com gente que, assim como eu, é apaixonada pela hotelaria.

Mônica Paixão – CEO do Le Canton

Ser um agente de hospitalidade no cenário dinâmico e desafiador do Brasil exige um equilíbrio entre inovação tecnológica e o calor humano, o que realmente define a cultura do servir. Entregar experiências únicas aos hóspedes depende do engajamento de equipes motivadas e alinhadas à missão de cada empreendimento, o que é essencial para a qualidade do serviço.

Ao mesmo tempo, enfrentamos o desafio de alcançar resultados financeiros sólidos, em um cenário econômico complexo e com mudanças constantes na legislação. O segredo está em adotar soluções criativas e estratégicas, sem perder de vista a experiência do cliente e a excelência no atendimento.

Mesmo diante de tantos desafios, é gratificante ver como conseguimos combinar resultados arrojados com a hospitalidade genuína que caracteriza o turismo brasileiro, tornando-nos cada vez mais fortes e resilientes.

Miler Bairros – Gerente geral do LK Design Hotel / Osli Restaurante

A hotelaria no Brasil hoje está passando por uma fase importante, em que se identifica uma escassez gigantesca de mão-de-obra. Isso, de certa forma, causa um impacto muito grande na prestação de serviços. Precisamos nos readaptar, nos reencontrar e redirecionar toda a parte de formação dos novos colaboradores.

É uma profissão extremamente gratificante, principalmente do ponto de vista pessoal. A pessoa que decidir entrar na hotelaria deve pensar no longo prazo. Há muitas oportunidades boas, pois a escassez de mão de obra também cria várias chances de crescimento.

A hotelaria é como um vírus que entra no seu sangue e nunca mais sai. Você está contaminado pelos vírus de servir, de gostar de ver as pessoas se sentirem bem, de gostar de ver as pessoas sendo felizes. Se existe um segredo para trabalhar na hotelaria, o segredo é gostar de gente.

Mario Pio – Gerente Geral do Wyndham Olímpia Royal Hotels

Do meu ponto de vista, ser hoteleiro no Brasil é uma experiência desafiadora e, ao mesmo tempo, extremamente gratificante. A diversidade cultural e a hospitalidade do povo brasileiro tornam a profissão muito mais enriquecedora.

Como em qualquer profissão existem desafios, como a instabilidade econômica, a sazonalidade e as questões relacionadas à infraestrutura em algumas regiões do país. Como estrangeiro vivendo e trabalhando no Brasil, tenho certeza que aqui temos um grande diferencial de capital humano com excelentes características para a área da hospitalidade.

O melhor da nossa profissão é a oportunidade de proporcionar experiências memoráveis aos hóspedes e de fazer parte de momentos importantes das suas vidas. A paixão pelo atendimento e adaptação às necessidades dos clientes são o que movem o setor e tornam essa carreira tão especial.

Alejandro Geis – Gerente Geral do Wyndham Gramado Termas Resort & Spa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *