Abrindo a agenda de apresentações do Colortel Touch 2022 – evento promovido pela Colortel em parceria com a hotelnews durante a feira Equipotel – Toni Sando, presidente SPC&VB e da Unedestinos; Alexandre Zubaran, CEO da Enjoy Hotéis & Resorts; e Paulo Mélega, vice-presidente de Operações da Átrio Hotéis falaram sobre “Como a hotelaria pode contribuir para promover os destinos e torná-los mais competitivos”.
Toni Sando iniciou o painel mostrando que está ficando cada vez mais difícil prever o futuro. “Tendências, previsões e projeções baseadas em dados e estatísticas não estão tão distantes de profecias e adivinhações”, disse o executivo. “E, observando a vida como ela está funcionando, cheguei a uma conclusão sobre o futuro: não sei. Tudo está muito imprevisível e cheio de incertezas”.
Diante disso, o executivo afirmou que não adianta cultivar nem a esperança otimista e nem o medo pessimista. “Também não devemos ficar presos ao passado, com o saudosismo de achar que antes tudo era melhor, nem no masoquismo, de se torturar pelo que não fez ou por aquilo que não aconteceu”. E completou: “procure pelo pragmatismo, que significa lidar com o real a partir do único lugar que podemos agir: o presente”.

O presidente do SPC&VB também destacou a importância dos conventions, que atuam como uma agência de fomento para divulgar os destinos. “Os conventions trabalham com duas frentes: captar eventos e promover destinos. Eles estimulam a vinda ao local não importa com que base – seja turismo de lazer, negócios ou saúde -, é tornar o destino conhecido e apresentar seus atributos”.
Highlights
Como fazer um planejamento anual se não sabemos como vai ser o futuro? Promovendo a cultura do agora
Longo prazo: três meses
Médio prazo: 1 mês
Curto prazo: semana que vem
– Ter uma estratégia responsiva baseada em ação;
– Ousar e resolver problemas;
– Ter coragem de agir apesar das incertezas;
O que pode ser feito agora diante do cenário que nos encontramos? Transformar o viajante em visitante
– Tudo o que é feito para receber um turista ativa a economia do visitante e, assim, volta a gerar emprego e renda;
– Rever o modelo de negócios sem apelo;
– Agir rápido.
Em sua apresentação, Alexandre Zubaran pontuou que a hotelaria é uma atividade intensiva em geração de emprego e renda e tem características de baixo custo, suscitando cinco vezes mais colocações do que a indústria Siderúrgica – reconhecidamente um setor gerador de postos de trabalho e riquezas. “Com o potencial de praias, montanhas, campos e produtos turísticos que nosso País tem, precisávamos de um plano estratégico de verdade para ativar esse segmento”, afirmou.
Segundo o executivo, o setor é também um importante consumidor de bens de capital, consumindo 68 diferentes tipos de equipamentos/mercadorias duráveis com necessidades de reposição anual, como os enxovais. “Temos um estoque de 17 milhões de itens de enxoval nos hotéis. Com pandemia ou sem pandemia, 17% desse estoque é reposto a cada ano. Então, imagina o que esse setor demanda para toda a indústria?”.

E o problema, segundo Zubaran, é que há uma série de empreendimentos e destinos que não prosperaram. “Na maioria das vezes o projeto não foi tratado como produto, respeitando as leis de oferta e procura. Houve uma visão de desenvolvimento, mas não estratégias de vendas. “Esse produto precisa ser vendido como se não houvesse amanhã, com muita agressividade”.
Entretanto, para ele, esse tipo de desenvolvimento cria uma oportunidade de agrupar iguais e complementares, e também de promover uma relação simbiótica entre diferentes que se desenvolvem para o bem comum. “Assim, o destino vira um ecossistema com um entretenimento de verdade, como Olímpia. Precisa aumentar o poder de atratividade, tem que divertir, e pode ser qualquer tema. O turismo não tem conteúdo, ele se apropria de qualquer conteúdo”.
Highlights
– A hotelaria é uma grande geradora de emprego e renda com baixo custo para criação de postos de trabalho;
– Promove impacto na economia da própria região onde está instalada;
– Importante consumidora de bens de capital;
– Forte pagadora de impostos;
– Promove a interiorização do capital, principalmente no lazer.
Paulo Mélega defendeu que a hotelaria urbana precisa entender e aceitar algumas características. Diferente de um resort, ela não é um destino. O hotel urbano faz parte de um destino e depende de uma motivação. “A pessoa que vem para São Paulo, vem para um evento, para trabalhar, para um show ou um tratamento de saúde, por exemplo. O hotel faz parte da estrutura do destino e está totalmente coligado ao posicionamento do local”.
Segundo o executivo, para contribuir com a promoção de destino, a hotelaria precisa interagir com todos os stakeholders e fazer parte do local. “Participar dos conselhos de turismo, dos fóruns de discussão. Um hotel não pode se omitir. Precisa valorizar a mão de obra e os atrativos locais e ter coragem de agir e investir”.

Colocar a capacidade de gestão da hotelaria a serviço do destino também é uma forma de auxiliar a sua promoção. “Uma boa gestão hoteleira possui três pilares: processos, pessoas e tecnologias, e a hotelaria trabalha muito bem esses conceitos. O setor pode dispor em benefício do destino a característica de acolhimento que possui”.
Entre os exemplos citados está o Rosewood São Paulo, afirmando que a vinda de um novo conceito de hotelaria ajudou a cidade a se tornar mais luxuosa e cosmopolita aos olhos do turista internacional. “Ele trouxe um produto que não existia. Hoje já é um hotel destino”.
Highlights
– Hotéis urbanos precisam entender o posicionamento do destino em que estão inseridos;
– É parte de uma comunidade;
– Tem três esferas: sustentabilidade econômica, social e ambiental;
– Precisa pensar globalmente e agir localmente;
– Colocar a capacidade de gestão da hotelaria em benefício do destino.
A 59ª Equipotel, principal evento de hospitalidade da América Latina, reúne 320 marcas e acontece de 13 a 16 de setembro, das 13h às 20h, no São Paulo Expo.

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