Perfil do chef Thiago Castanho

A cozinha paraense que está conquistando o Brasil

Eleito chef do ano pela Revista Veja e chef Revelação pela Prazeres da Mesa no ano passado, Thiago Castanho não está só colecionando títulos para si mas também para o Remanso do Peixe, o primeiro dos seus empreendimentos, que tem figurado nas melhores listas desde que foi aberto há 12 anos. A este se juntou no ano passado o Remanso do Bosque, ambos em Belém, no Pará, com a mesma inspiração forte no Mercado Ver-o-peso, a que faz visitas semanais em busca de ingredientes frescos, ervas, especiarias e frutas regionais que fazem o sucesso das duas casas.

Formado em Gastronomia no Senac Campos do Jordão (SP), Thiago diz que a vocação surgiu em casa, como solução para ajudar o pai que após sofrer alguns assaltos em um depósito de que era dono, teve que inventar outra forma de sustentar a família. “Abrimos o Remanso do Peixe em 2000, dentro de nossa casa no final de uma vila residencial, sem placas, sem identificação na porta e até hoje é assim. Quem olha pensa que é ainda é a nossa casa”, conta. “Éramos nossa própria mão de obra – eu, meu pai, Francisco, minha mãe, Carmem, e meu irmão , Felipe. Hoje somente no Remanso do Peixe temos 30 funcionários, que parecem da família”, completa.

Thiago Castanho descreve sua cozinha como simples, feita mesmo com ingredientes do mais famoso mercado paraense. O que não vem de lá ele busca em microprodutores, como no caso do tucupi, da farinha d’água, das ervas e do jambú. “Muito da minha infância reflete no meu trabalho também. Lembro sempre de momentos específicos que ficaram marcados na memória, como a de meu pai fazendo um peixe na brasa, ou minha mãe fazendo um doce”.

Fora dos empreendimentos próprios, o chef teve a experiência de atuar em alguns restaurantes, como o Banana da terra, de Ana Bueno, e o Terreiro Bahia, de Tereza Paim, além de ter trabalhado por seis meses com o chef Vitor Sobral, no Terreiro do Paço, em Portugal.
A diferença entre as casas que comanda hoje, segundo Thiago, não está na clientela, mas na experiência que ela vai buscar. “Belém não é uma cidade muito grande, por isso acabamos atendendo o mesmo público. No Remanso do Peixe, o foco são os cozidos, moquecas, caldeiradas, enquanto no Remanso do Bosque trabalhamos com nossos peixe da região, assados no forno a lenha e na brasa de carvão, lembrando o modo como comíamos em casa quando criança. O Remanso do Bosque é um sonho antigo da família, de mostrar um outro lado da tradição paraense”, conclui.

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