Luiz Moura no Global Business Travel Association, em Chicago. Foto: Divulgação
De acordo com dados do GBTA Business Travel Index 2026, divulgados durante o GBTA Convention 2026, o mercado brasileiro de viagens corporativas deve movimentar US$ 35,8 bilhões em 2026, crescimento de 13,8% em relação ao ano anterior e a maior taxa entre os dez maiores mercados do mundo.
O levantamento coloca o Brasil na décima posição do ranking global, atrás apenas de mercados como Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e Reino Unido. No cenário mundial, a GBTA estima que as empresas gastarão US$ 1,71 trilhão com o segmento em 2026, avanço de 7,2% sobre o ano anterior. A expectativa é que o setor alcance US$ 2,06 trilhões até 2030, consolidando a recuperação iniciada após a pandemia.
“Não estamos vendo apenas mais viagens, mas viagens mais bem planejadas, mais estratégicas e muito mais orientadas por resultado. O orçamento voltou a crescer, mas as empresas continuam extremamente criteriosas sobre quando, como e por que viajar”, afirma Luiz Moura, especialista em turismo corporativo e cofundador da agência de viagens corporativas VOLL.
Segundo o executivo, esse movimento explica por que tecnologia e inteligência artificial ganharam protagonismo na gestão de viagens. “Hoje a discussão não é simplesmente reduzir custos. É garantir que cada viagem gere retorno para o negócio. A inteligência artificial permite identificar oportunidades de economia sem comprometer a experiência do viajante e ajuda gestores a tomar decisões muito mais rápidas e baseadas em dados”, frisa.
Protagonismo global
A capital paulista aparece entre as 25 cidades mais relevantes do mundo para viagens de negócios, movimentando aproximadamente US$ 3 bilhões por ano. Desse total, cerca de 31% permanecem na economia local, beneficiando hotéis, restaurantes, transporte, comércio e serviços.
Na avaliação de Moura, o dado confirma o papel estratégico da cidade. “São Paulo continua sendo o principal hub corporativo do Brasil e da América Latina. Quando o mercado global cresce, a cidade sente esse efeito rapidamente porque concentra grandes empresas, eventos, feiras e decisões de negócios”, analisa.
Outro destaque apresentado durante a convenção foi o desempenho da América Latina. Enquanto o número global de viagens corporativas deverá crescer 1,3% em 2026, a região latino-americana deve registrar expansão de 1,5%, totalizando cerca de 64 milhões de viagens. Nos gastos, a diferença é ainda maior: a previsão é que a América Latina movimente US$ 62 bilhões em viagens corporativas em 2026, crescimento de 11,7%, bem acima da média global de 7,2%.
“A América Latina se destaca porque ainda há muito espaço para expansão das viagens corporativas. Empresas estão ampliando operações na região, fortalecendo relações comerciais entre os países e retomando encontros presenciais para abrir mercados, negociar e acompanhar equipes. Esse movimento ajuda a explicar por que os gastos avançam acima da média global. É um crescimento relevante, mas que também aumenta a necessidade de controlar custos e garantir que cada viagem tenha um objetivo claro para o negócio”, destaca Moura.

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