O Unique Garden, em Mairiporã (SP), foi palco do 4º Encontro da ESG da BLTA, que aconteceu de 13 a 16 de abril e reuniu representantes de 21 hotéis e uma operadora de viagem, além de convidados que atuam no segmento de ESG.
Na edição de 2025 ficou definido os critérios para a escolha das certificações de sustentabilidade da associação. Neste ano, o compromisso dos associados com as práticas ambientais, sociais e de governança foi reforçado para que, até final de 2028, todos os hotéis e operadoras de viagem já estejam certificados.
“Para que uma associação seja relevante aos seus membros, ela tem que trazer soluções. É um ponto de construção coletiva, um grande facilitador para os objetivos comuns”, afirmou Camilla Barretto, CEO da BLTA.
A executiva acredita que dentro de um grupo existem os que estão mais maduros e os que ainda se encontram em uma fase inicial. Assim, a troca se faz muito importante, pois existe uma retroalimentação. “Faz bem você sentir que você está doando conhecimento em um determinado assunto e aprendendo e adquirindo conhecimento em outro assunto. Dentro da pauta específica de ESG, há associados que trabalham nisso há 40 anos, como é o trabalho da Caiman, e existem pessoas muito engajadas. Outros ainda estão em uma fase bem inicial, mas já entenderam o valor disso”.

Durante os quatro dias, além do conteúdo exposto pelos especialistas e consultores, os hoteleiros também apresentaram as boas práticas de suas propriedades e discutiram os processos e desafios de obter as certificações em ESG.
Inspirações em sustentabilidade
Duas palestras marcaram a abertura do encontro, no dia 16/04, e foram fonte de inspiração para os participantes com suas histórias e propósitos – Roberto Klabin, presidente do conselho da BLTA e proprietário da Caiman (MS) , e da chef Morena Leite, uma das principais referências da gastronomia brasileira.
Criador da Fundação SOS Mata Atlântica do Instituto SOS Pantanal – ONGs dedicadas à preservação dos biomas brasileiros -, Roberto Klabin contou sobre a sua trajetória como ambientalista e apresentou a Caiman (MS), da qual é proprietário desde 1985.
O empreendimento contempla uma área de 53 mil hectares e tem como missão conservar a fauna, a flora e a cultura do Pantanal. Atuando em três frentes – Conservação, Ecoturismo e Pecuária. Ao longo de dez anos, a Caiman fez parcerias estratégicas com iniciativas que ajudam a preservar o bioma, como o Onçafari e o Instituto Arara Azul, e conseguiu transformar o ecoturismo na principal fonte de receita, investindo fortemente na hospitalidade
Transformou a antiga sede da fazenda, que servia como sua casa, em um hotel bem confortável e de muito bom gosto com apenas 18 quartos. Acabou de inaugurar uma nova villa privativa, Cordilheira com cinco bangalôs, além da Baiazinha, com seis quartos.
“Durante muito tempo, a pecuária foi atividade central da Caiman e, atualmente, o ecoturismo e a hotelaria assumiram o protagonismo. Em 1987, a Caiman tinha apenas 20 colaboradores nos hotéis e hoje são quase 120. Enquanto, na Pecuária reduziu pela metade – de 60 para 30 pessoas.
Klabin também expressou a sua preocupação com o Pantanal em relação aos incêndios que afetaram a Caiman no passado: “o fogo é uma das coisas mais dramáticas que podemos e enfrentar no bioma. Não sei como a Caiman vai suportar a proteção dos animais nos próximos anos com as mudanças climáticas. O Pantanal vai virar o cerrado, está ficando muito seco”.


Descontraidamente, Morena Leite relembrou sua história conectada à Bahia, sua jornada na gastronomia e falou sobre a nossa forma de receber. “Na gastronomia, eu consigo mostrar o Brasil para o mundo de uma maneira tropical, colorida e saborosa”.
Para a chef, quem trabalha com hospitalidade tem que gostar de cuidar de pessoas e o propósito é o que move sua vida e seus negócios. “Acho importante quando a gente monta um negócio, entender qual é o nosso DNA, qual é a nossa identidade. Como o Roberto falou: ‘minha identidade é a natureza’. Então, de que forma eu posso compartilhar com o mundo a minha visão de natureza?”, disse. “Acredito que os hotéis que estão aqui são como museus. Eles refletem a nossa alma e refletem o nosso Brasil”, completou. Não por acaso, ela transformou sua casa de seis quartos em Trancoso em uma pousada e restaurante, a Alma Ninho.
Com o lema de conhecer, conectar e compartilhar, Morena criou em 2010 o Instituto Capim Santo, uma escola de cozinheiros que oferece formação profissional gratuita para pessoas em vulnerabilidade, focando em sustentabilidade, combate ao desperdício e uso integral dos alimentos. “O instituto nasceu do meu incomodo com as diferenças sociais. É lindo ver como a gastronomia é capaz de impactar e mudar vidas”.
Em treze anos de atuação, o instituto certificou mais de 13 mil alunos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Trancoso, Salvador e Itacaré (BA).

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