Banheiros das suítes

Fontes de elogios, mas também focos de reclamações, os banheiros das UHs são constantemente avaliados pelos hóspedes, tornando-se um item essencial para o sucesso de estabelecimentos hoteleiros. Além de questões básicas, como higiene e conforto, os clientes, cada vez mais, desejam frequentar hotéis que ofereçam banheiros espaçosos, com design e assessórios modernos.

Segundo a diretora técnica de implantação da rede Accor, Tania Aisemann, as exigências mínimas do hóspede começam pelo básico: o banho. Entretanto, o maior desafio é conseguir identificar o que isso significa para diferentes hóspedes, dependendo da categoria em que o estabelecimento se insere. “É preciso estudar os hábitos de cada perfil de cliente em hotelaria”, comenta a profissional. Ainda exemplifica dizendo que, enquanto alguns gostam de duchas amplas com muita pressão para relaxar durante o banho, outros dão preferência a hotéis com banheiras.

Atendidas as exigências do banho, alguns itens e acabamentos diferenciam os ambientes, dependendo do padrão do hotel. A diretora explica de que maneira a rede Accor transita entre o essencial, em bandeiras como a Formule 1, e o luxo, a exemplo da Sofitel: “a função e os equipamentos básicos têm sempre a mesma finalidade, mas as diferenças aparecem no tamanho dos ambientes, nos materiais de acabamentos utilizados, nos acessórios e facilidades: secadores, espelhos, luminárias e itens hidráulicos”.

A arquiteta do escritório de projetos imobiliários Jonas Birger, Carolina Mendes, comenta que as tendências mais modernas para banheiros de hotéis envolvem a utilização de cuba de sobrepor e torneiras estilizadas ou de pressão. A preferência da decoração, seja nas paredes ou nos acessórios, deve ser por cores vivas, como vermelho, amarelo ou laranja. “Para as paredes, pastilhas de vidro e de porcelana substituem os azulejos decorados”, aconselha. A profissional também comenta que os revestimentos de madeira estão em alta.

Aisemann destaca que, de um modo geral, existe uma procura por banheiros amplos e mais bem iluminados. A ventilação natural pode ser um grande diferencial, influenciando na escolha de empreendimentos, especialmente para hóspedes de alto poder aquisitivo. Mendes concorda e explica: “na iluminação, deve-se optar pela mistura de luz quente e fria para facilitar ao usuário, visualmente, suas diversas atividades, como maquiagem e penteado”.

Acessórios especiais

Além de ter boa estrutura e iluminação, os acessórios são considerados essenciais. A profissional da Accor comenta que itens como espelho de maquiagem, som ambiente, televisores de plasma, enxoval de banho e amenities completam a oferta de um bom banheiro.

A tendência dos acessórios é aliar modernidade, design básico e tecnologia. A profissional destaca os novos secadores de cabelo com sistema antichoque, além do posicionamento de iluminação lateral nos espelhos, para ajudar as mulheres a se maquiarem e os homens a fazerem a barba. Os tradicionais porta-toalhas, saboneteiras e papeleiras devem ter um design mais elegante, dando um toque especial.
Outro ponto considerado é a renovação constante do local, impedindo que o banheiro pareça desgastado ou fora de moda, o que pode interferir, até mesmo, na percepção de higiene.

Exemplificando como é possível renovar sem fazer modificações profundas na estrutura, Aisemann cita o Mercure Apartments Curitiba Golden. “Realizamos a troca do piso colocando granito, além de fazer um novo box, troca da iluminação, colocação de espelho de aumento e secador de cabelo. Desta forma, evitamos um grande trabalho na unidade e o banheiro tem sido muito elogiado pelos clientes”, afirma.

Exigências funcionais

Além das exigências estéticas e de conforto, há também as preocupações técnicas, pelo fato de o banheiro ser um local muito propenso a acidentes. Em alguns países do exterior, por exemplo, só podem ser usadas cortinas. No Brasil, não há esse tipo de exigência e o box de vidro é muito usado: “é uma cultura muito forte no país”, explica a diretora da Accor. Para evitar os acidentes, aconselha a adoção de pisos antiderrapantes e barras de apoio. Além disso, as portas do box devem ser de correr ou abrir para fora.
A legislação também exige que cada hotel tenha 10% de suas unidades adaptadas para portadores de mobilidade reduzida, incluindo quartos e banheiros.

Mendes detalha que as exigências de acessibilidade incluem barras de apoio nas paredes e no chuveiro, onde também deve estar localizado um banco retrátil. Outra preocupação é manter torneira, pia e espelho com alturas acessíveis. A porta deve ter barra, condição de abertura com um só movimento e espaçamento maior para facilitar a passagem. “O tamanho do banheiro deve permitir a locomoção com cadeira de rodas. Por isso, os materiais sanitários e acessórios devem estar dispostos corretamente, permitindo essa mobilidade sem qualquer prejuízo ao usuário”, completa a arquiteta.

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