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Atentados terroristas moldaram a experiência da viagem de avião ao longo dos anos

Os ataques às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, deram início a uma nova lógica para a aviação mundial. Uma das principais mudanças realizadas no mesmo ano foi o reforço da proteção das cabines de pilotagem, com portas mais resistentes e protocolos rígidos de acesso.

Posteriormente, outras ameaças provocariam novas alterações: em 2002, episódios envolvendo explosivos escondidos em calçados ampliaram a atenção sobre sapatos durante as inspeções; em 2006, a descoberta de um plano envolvendo explosivos líquidos levou ao endurecimento das regras para líquidos transportados na bagagem de mão.

Depois disso, o passageiro passou a ser submetido a controles mais rigorosos, as bagagens ganharam novas camadas de monitoramento e a cabine dos pilotos deixou de ser um espaço que podia fazer parte da experiência da viagem para se tornar uma das áreas mais protegidas da aeronave.

“Antes do 11 de setembro, a cabine de pilotagem fazia parte de algo relacionado à experiência do voo. Era muito comum que crianças visitassem o local e pessoas aficionadas pela aviação fossem até lá e tirassem fotos”, conta Alexandre Faro, coordenador do curso Aviação da Universidade Anhembi Morumbi, que integra a Ânima Educação.

Triagem, controle, monitoramento

O profissional afirma que a segurança aérea pode ser observada em quatro frentes complementares. Enquanto algumas são visíveis ao viajante, como raio-X, scanners e inspeções, outras acontecem nos bastidores e ampliam o controle desde a entrada no aeroporto até a operação da aeronave.

1 – Triagem de passageiros

Diretamente relacionada ao passageiro, engloba procedimentos de identificação, inspeção e controle antes do acesso à área restrita.

2 – Controle de bagagens

As malas despachadas são associadas a cada viajante e acompanhadas durante o percurso até a aeronave. Se algo suspeito for identificado durante a inspeção, a bagagem pode ser separada para uma verificação adicional.

3 – Monitoramento das áreas operacionais dos aeroportos

O chamado “lado ar” (região operacional que inclui pátios e áreas próximas às aeronaves) passou a ter acesso controlado e monitorado.

4 – Acompanhamento das aeronaves.

Durante o voo, dados operacionais das aeronaves são transmitidos e acompanhados pelas companhias aéreas.

Para Faro, talvez um dos principais legados desse período seja justamente a compreensão de que a segurança da aviação nunca está definitivamente pronta. Conforme a tecnologia evolui, novas formas de ameaça podem aparecer e exigir outras respostas. “Isso vai acontecer ao longo da história da aviação. É uma coisa viva e constante, porque as ameaças nunca estarão totalmente identificadas. Na medida em que há evolução da tecnologia, também pode haver evolução nas formas de ataque e de terrorismo”, analisa.

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