Alcohol Free

Por Ricardo Hida

O nome é bem engraçado e seu significado um tanto curioso, mas o fenômeno é sério, real e relevante: clientes sober curious. Você já ouviu falar? Trata-se de um nicho de mercado que não para de crescer nos Estados Unidos, no Brasil e na Europa. Os clientes sober curious são pessoas que decidiram não beber álcool mais ou reduzir ao máximo o seu consumo, mas que não abrem mão da diversão e da socialização que o universo etílico pode proporcionar.

Os motivos são diversos e de forte impacto econômico. A primeira razão que faz muita gente abandonar os fermentados e destilados é a saúde. Reações adversas a medicamentos – de ansiolíticos a antiinflamatórios – e preocupação com a forma física. A expressão barriga de chope não é, infelizmente, lenda urbana. Todos os nutrólogos e nutricionistas alertam os pacientes das bombas calóricas que drinks despretensiosos representam em uma dieta. E mesmo para quem não se preocupa com a balança, mas que tem no cuidado com a saúde seu principal objetivo, o álcool parece ser um vilão, embora sejam abundantes os estudos que mostram, por exemplo, o benefício de uma taça de vinho para combater doenças do coração.

A segunda razão é religiosa. O crescimento de religiões fundamentalistas representa um problema para a indústria de bebidas. Não só o universo cristão-pentecostais e neopentecostais como também o Islã. Não à toa, as grandes cervejarias brasileiras têm maior participação de vendas de cerveja sem álcool nos estados com maior número de evangélicos.

O conceito de paladar infantil (preferência por comidas bem preparadas – com menos complexidade) das novas gerações é o terceiro ponto. A garotada entre 18 e 25 anos consome muito menos bebidas alcóolicas que seus antepassados.

Por fim, mas não menos importante, estão as campanhas contra motoristas embriagados. Em todo o planeta aumentou a fiscalização e o cerco aos que insistem em combinar álcool e volante. Ainda que os aplicativos tenham se tornado populares, motoristas da Uber e 99 costumam recusar passageiros que beberam além do limite, o que dificulta a locomoção de quem resolveu encontrar os amigos depois do expediente.

Vale lembrar também que, no passado, incautos se vangloriavam dos ‘porres homéricos’. As redes sociais barram qualquer comportamento patético que, gravado, se torna meme e viraliza em poucos minutos.
Assim, os bares, principalmente nas principais cidades norte americanas, começaram a investir em drinks sem álcool que vão muito além do coquetel de frutas com guarda-chuva cafona de papel. Mixologistas foram desafiados a criar bebidas que pudessem combinar paladar, olfato e design. Opções tão sedutoras que até a clientela tradicional se sente motivada a consumir.

A razão principal, como mencionado anteriormente, é a necessidade de socialização.  Mulheres e homens se sentem inseridos em grupos quando seguram copos visualmente atraentes e que despertam, inclusive, o desejo dos parceiros em provar a bebida.

Gerentes de A&B, restaurateurs e barmen que tiveram de incorporar no cardápio opções orgânicas, veganas e sem glúten têm como desafio tirar os drinks sem álcool dos bares de piscinas de resorts e levá-los com dignidade e altivez ao lobby bar e restaurantes gastronômicos. Depois de Gluten free, a ordem agora é alcohol free.


Ricardo Hida é CEO da Promonde, agência especializada em Marketing, Comunicação e Vendas para o turismo e hotelaria


Deixe uma resposta