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Rio 2016 – Novos Desafios na Segurança

Em breve o maior evento esportivo do planeta será realizado aqui no Brasil. Sabemos que a realização dos Jogos Olímpicos trará um clima de comemorações, mas também acarretará vários riscos, inclusive relacionados ao terrorismo, que podem ser agravados pela falta de preparação do país, sobretudo, em relação à segurança.

Nos últimos três anos o mundo passou por várias mudanças. O Islã Radical tem ganhado forças em todo o mundo e busca atingir, com sua ideologia radical, a todos os que não sejam seus seguidores, que não apoiem seu “Jihad” (dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana). Os grupos radicais têm investido seus recursos de duas formas: Conquistando territórios nos países árabes e africanos e realizando ataques terroristas em vários países do mundo. É importante dizer que a tendência é que o número desses ataques aumente, em todo o mundo, de acordo com aumento dos ataques da coalização Internacional na Síria e no Iraque.

Nos últimos dois anos a quantidade de ataques a locais turísticos (com estrangeiros) cresceu de forma significativa. Os hotéis: Imperial Marhaba na Tunísia, Corinthia na Líbia, Radison Blu (Rede Internacional) em Mali, Três Pirâmides no Cairo, e Paradise em Burkina Faso, são exemplos de alvos de ataques recentes, sem mencionar o ataque em Paris em novembro de 2015 atingindo o bar La Belle Equipe, a Casa de Show Bataclan, e o Estádio Stade de France, além de locais como Café Lindt em Sydney na Austrália, um Centro Comercial em Jakarta na Indonésia e o Centro Histórico de Istanbul na Turquia.

Nos ataques ocorridos os principais alvos foram turistas estrangeiros e locais que simbolizam o ocidente, como o Café Lindt e o Café Starbucks na Indonésia. Em geral os locais mais visados são locais turísticos com grande movimentação de estrangeiros. Os hotéis, locais que normalmente hospedam estrangeiros, são classificados como “Soft Target”: um alvo frágil, que garante grande probabilidade de sucesso para o ataque, além de um impacto significativo.

De acordo com o especialista em segurança e sócio diretor de Segurhotel, Inbal Blanc, as duas principais formas de ataque são:

1º Ataque Organizado com base na orientação, treinamento e financiamento de um dos grupos terroristas. Neste caso o ataque é agressivo e inclui o uso de armamento pesado;

2º Ataque de Lobo solitário, realizado por um cidadão do próprio país, que geralmente, passa por uma lavagem cerebral por meio das redes sociais. Em alguns casos desse tipo, o cidadão recebe orientações e auxílio de pessoas dos grupos terroristas, porém não é algo organizado como ocorre no primeiro.

Ainda para o especialista, o Brasil não é um alvo tradicional, por não fazer parte da coalizão mundial contra o Estado Islâmico ou a Al Qaeda. entretanto no período dos Jogos Olímpicos, há uma mudança quanto a esse quadro: o país se torna um alvo devido à importância do evento e, sobretudo, à presença de vários representantes de todos os países que participam na Coalizão. Outro fato que merece atenção é que os Jogos Olímpicos será o primeiro Mega Evento a ser realizado depois da grande ofensiva ao EI, portanto é preciso que o país esteja preparado para os riscos.

Falando da responsabilidade quanto ao combate ao terrorismo podemos afirmar que é inicialmente o setor público é o principal responsável, contudo a atuação do setor privado é essencial nesse combate. Ciente disso o governo dos EUA criou, após do ataque ao World trade Center, uma campanha: “If you see somthing, say somthing”, para conscientizar o setor privado e a população em geral aconselhando a todos a se manterem atentos e comunicar as autoridades em caso de suspeita de alguma coisa.       

Levando isso em consideração chega-se à conclusão de que cada hotel ou cadeia hoteleira, têm uma responsabilidade perante seus hóspedes: se preparar da melhor forma possível para o aumento dos riscos no período dos Jogos Olímpicos. Por isso, o especialista destaca algumas orientações que podem contribuir para preparar melhor a segurança no seu hotel nesse período:- Conscientizar todos os Gerentes e colaboradores do hotel quanto aos sinais suspeitos (objetos ou pessoas) relacionados ao terrorismo, e o que fazer ao identificá-los; É importante que essa conscientização seja realizada de forma objetiva e ilustrada.

– Elaborar um plano de ação para fortalecer a segurança no período dos Jogos que inclua: Barreiras físicas, acréscimo de homens de segurança, controle de acesso com seleção das pessoas, controle de acesso interno aprimorado, entre outras ações.- Elaborar procedimentos de segurança para prevenção de ocorrências possíveis incluindo ações terroristas;- Elaborar procedimentos de segurança para reação em casos de emergência relacionados a terrorismo (objeto suspeito, carro suspeito, aviso de bomba, entre outros).- Avaliar quais pessoas relacionadas aos Jogos Olímpicos se hospedarão no hotel e se oferecem um aumento de risco para o estabelecimento.

– Alinhar o contato entre os órgãos públicos de emergência e a central de operações, para facilitar o recebimento de informações e o envio de alerta em caso de suspeita ou de necessidade de intervenção.

O especialista afirma que a situação mundial não nos permite contar com a sorte, cada um deve fazer sua parte, dentro de suas possibilidades e de acordo com sua responsabilidade. 

 

Inbal Blanc fez parte das tropas de elite do exército de Israel, possui 15 anos de experiência na área de segurança em geral e segurança hoteleira. É sócio fundador da empresa SEGURHOTEL que oferece consultoria especializada em controle de perdas e segurança para hotéis. 

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