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Paisagismo

“O jardim é a natureza ordenada pelo homem para o homem” Burle Marx

O paisagismo ganha espaço na mídia e destaque em eventos, neste ano em que é comemorado o centenário de nascimento de Roberto Burle Marx. Buscando na natureza a matéria-prima para a sua obra, o artista modernista ensinou, sobretudo, a beleza da rica diversidade da flora brasileira.

O arquiteto e paisagista Marcelo Faisal participou de uma das manifestações de reconhecimento ao extraordinário trabalho de Burle Marx. Expôs o ambiente Praça do Viveiro na Casa Cor 2009, evento que homenageou o centenário do mestre da natureza.
No espaço com 860 m2, Faisal projetou um jardim modernista, com pandanus e palmeiras sobre gramas pretas e verdes. As árvores de longos caules projetaram suas sombras sobre o gramado com formas de ondas – uma referência ao calçadão de Copacabana, desenho idealizado por Burle Marx. Também cachepôs com espécies tropicais, harmoniosamente colocados sobre o canteiro, aludiram ao valor estético do artista homenageado. Um gazebo sobre a água completou esse ambiente.

Para Faisal, “além do aspecto decorativo, o paisagismo tem uma função social, de lazer e de responsabilidade social. Não dá para ter um compromisso somente estético sem ser ético.
Referindo-se aos meios de hospedagem, cita: “o aspecto social está caracterizado no lodge, na piscina e nas áreas de convivência. O lazer está nas áreas de esportes, no spa e no playground. A sustentabilidade está na produção responsável do paisagismo, observando o reuso da água, a plantação de espécies nativas da região, que preservem e recuperem a flora e a fauna, a criação de micro climas e o resgate ambiental”.

Independente da categoria do meio de hospedagem – seja hotel, resort, pousada ou de outras modalidades – três aspectos norteiam o projeto paisagístico: os geográficos (clima e solo), o estilo arquitetônico do empreendimento e a verba disponível, aponta Faisal.
Ele exemplifica: “eu não posso plantar pinheiro em um resort em frente de uma praia do nordeste brasileiro ou um chapéu de sol em um hotel no centro de Campos do Jordão (SP). Quanto ao estilo, um chalé de piaçava sugere plantas tropicais enquanto um castelo germânico ‘pede’ jardins tapeados (árvores podadas com formas). Ou ainda, muitas flores, arbustos e árvores com folhas caducas (sem folhas no inverno). Se o terreno for plano, o ambiente pode ter um estilo francês e se for irregular, inglês”. E enfatiza: “o simples não é menos sofisticado e o bom-gosto não é ostentação”.

Espaço para o verde

Não existe limite de área para se cultivar o verde. A planta pode estar em um vaso, um pequeno canteiro ou em um grande jardim. Faisal frisa que “o paisagístico observa proporção e escala”. Existe um projeto certo para cada área. Assim, um corredor de acesso para a piscina, por exemplo, pode ter árvores com longos caules e volume no alto, como as palmeiras. Fato é que “um imóvel sem jardim é como uma família sem criança”.

Também não existem restrições de ambientes para a exposição do verde. O projeto pode abranger todos os recintos de um meio de hospedagem, sem ter a mínima possibilidade de se tornar cansativo. Neste aspecto, o engenheiro agrônomo e paisagista Ricardo Pessuto frisa que “o importante é ter bom-senso na execução, contando com parcerias de profissionais e empresas que acompanhem os avanços tecnológicos e disponham de mão-de-obra qualificada”. Ele assina o paisagismo do Equip Design 2009.

E o modismo, existe no paisagismo? Para Ricardo, existem momentos em que uma planta está mais em evidência, mas o projeto é elaborado por um profissional e nisso se sobressai o seu estilo. Cita: “Burle Marx sempre estará na moda, pois ele respeitava a flora, as exigências não somente do cliente, mas, sobretudo, do meio ambiente”.

Que os projetos paisagísticos são intemporais não se tem dúvida, pois as plantas amadurecem. Entretanto, fatos da atualidade influenciam, diz Flávio José Girio Rodrigues, técnico agrícola na Agro Morumbi, em São Paulo. Exemplifica: “se um paisagista renomado projeta uma praça ou um jardim divulgado, elogiado e aplaudido, no mercado cresce a procura pelas espécies que ele utilizou. Por outro lado, existem plantas que sempre são requisitadas, como a pingo de ouro, arbusto muito solicitado para cerca verde”.

Atuando no paisagismo há mais de 15 anos, atendendo em todo o Estado de São Paulo e em Minas Gerais, Flávio descreve aspectos curiosos. Diz que a cor da flor é um dos itens que interfere na escolha da planta de um projeto. As preferidas são as brancas, as vermelhas e as amarelas. As roxas são preteridas.

Outro fato interessante é o aumento de procura por jardins aromáticos. Neste caso, as opções são as chamadas plantas medicinais (alecrim, arruda, sálvia, etc.) ou as tradicionais, entre outras: jasmim, dama da noite (cheiro adocicado) e a gardênia (muito procurada para varandas, área da piscina e de churrasqueiras). Faisal lembra que se acentua a procura por ambientes aromatizados artificialmente com pulverização.

Ele enfatiza que, independente de cores e aromas, para a perenidade de um projeto paisagístico, a manutenção é fundamental. Flávio sintetiza: “é um conjunto de técnicas que exigem conhecimentos específicos. Entre esses procedimentos, destacam-se: adubação, controle de pragas e de doenças, poda e limpeza”.

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