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EQUIPOTEL 2017 – Mercado LGBT é tema de debate na Arena da hotelnews

“Quando falamos sobre diversidade, entramos num terreno um pouco obscuro por uma série de preconceitos que precisamos e pretendemos quebrar durante este debate. O primeiro deles, é enfatizar o quão importante é a qualificação deste mercado no Brasil”. Foi reforçando a ideia de quebrar paradigmas e de pontuar a relevância do segmento LGBT do turismo no País que Ricardo Hida, CEO da Promonde, iniciou o debate realizado hoje (14) na Arena de Debates organizada pela hotelnews durante a Equipotel 2017. O painel intitulado “Diversidade: a hotelaria saindo do armário”, contou com a presença de Ewerton Camarano, gerente geral do Novotel Jaraguá, na capital paulista, Clovis Casemiro, coordenador no Brasil da IGLTA e Persio Bider, diretor da Aviva Prime.

“O mercado LGBT está estimado em torno de 13 milhões de brasileiros; são pessoas que movimentam em torno de R$ 1 trilhão por ano. Muita gente acredita que, para trabalhar com este público, você precisa ser LGBT. Isso é uma grande mentira”, afirma Hida.

Sobre a importância de evidenciar o assunto, Ewerton Camarano explica que a AccorHotels criou uma célula de diversidade e inclusão, e desde então a rede vem desenvolvendo este assunto de uma forma mais direta. ‘Não é exatamente uma novidade, mas é importante falar sobre este assunto para desmistificá-lo na sociedade”, diz. Segundo ele, a Accor trabalha com dois eixos: valorização dos colaboradore, prezando o melhor ambiente possível para o trabalho, e a paixão para o cliente.

Clovis Casemiro abordou, inclusive, exemplos negativos de bem-receber o público LGBT no Brasil. “A cidade de Florianópolis (SC) não teve parada gay este ano, pois a prefeitura não permitiu. No Rio de Janeiro (RJ) a parada também não acontecerá. Este evento na capital fluminense significa 2 de milhões de visitantes em três dias. Pensando nisto, onde está o governo para avaliar a situação? É um absurdo que, no nosso portão de entrada no mundo, não enxerguem a importância do evento. Estamos captando recursos com empresas privadas de segurança para reverter a situação”, explica.

Camarano pontua também a necessidade de fugir da “normatização-hétero” e da visão publicitária atrelada ao senso comum que esboça a “família tradicional brasileira”. “Na Accor, tentamos realizar uma grande transformação interna constantemente. Abordamos desde a alta diretoria falando deste assunto, então é muito mais fácil transformar, quando temos esta questão vista desde o posto mais alto”, reitera.

Para Bider, os hotéis precisam se preocupar em personalizar a experiência do cliente dentro do empreendimento. “Como agência, na verdade, eu preciso me atentar à experiência no destino como um todo. Em todos os serviços agregados, o cliente precisa ter esta confiança de segurança. Já tivemos problemas em hotéis que não tinham funcionários preparados para receber este público. Até mesmo agências que estão começando a oferecer opções neste mercado, acabam com alguns problemas, pois não possuem um quadro de funcionários preparados”, conta.

Hida incita também o diálogo sobre os transgêneros. “Muitos hoteleiros não sabem lidar com o público trans, seja para utilização do nome social ou para indicação de um banheiro, por exemplo”, certifica. “Pouca gente ainda fala sobre os transgêneros. Infelizmente ainda existe um estigma errôneo de associar os transsexuais e travestis à prostituição, à rua, ou a algo ruim. Tratar as diferenças com humanização e naturalidade é a chave para este problema. É uma questão de direitos humanos, não de preferência”, expõe Camarano. “Naturalidade é a principal palavra para qualquer hoteleiro que queira atuar com este público”, reitera Hida.

Entre os diferenciais possíveis para agregar valor ao atendimento do cliente LGBT numa noite de núpcias, por exemplo, Camarano destaca o compromisso com a personalização. “Cuidados com amenities, identidade do produto, a composição dele, e garantia final em ser personalizado para quem está adquirindo, são os principais pontos. Utilizar referências do casal também é uma boa dica, como uma música, uma foto do casal, ou qualquer outro elemento a fim de tornar esta uma experiência feliz”, exemplifica.

A 55ª edição da Equipotel, feira voltada ao mercado hospitalidade que termina hoje (14) no São Paulo Expo, capital paulista, contou com a Arena de Debates, de realização da revista hotelnews. Durante o evento, o espaço foi dedicado à discussão de outros temas pertinentes ao setor, abordando a hospitalidade, a gestão hoteleira e os desafios da mulher na liderança.

*por Nathalia Abreu

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