A Folha de São Paulo promoveu nesta quinta-feira, 15, em São Paulo (SP), o seminário “Turismo e a internacionalização do Brasil”. Na ocasião, profissionais e autoridades relacionadas ao turismo debateram questões durante quatro painéis.
O primeiro painel intitulado de “A importância do turismo para a economia brasileira” contou com a participação de Bernardo Cardoso, diretor do Turismo de Portugal no Brasil; Deborah Moraes Zouain, professora de pós-graduação em Administração da Unigranrio; Magda Nassar, presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (braztoa); e Vinícius Lumertz, presidente da Embratur.
Para Lumertz, o turismo evoluiu no restante do mundo, mas o Brasil não acompanhou esse movimento. “Ficamos nesse mundo fechado achando que as coisas vão acontecer sozinhas. Isso desafia a lógica mundial”, afirmou.
O presidente da Embratur também declarou que nenhuma país no mundo deixaria de lado o potencial turístico que o Brasil tem – e nós fazemos isso. “Estamos perdendo tempo. Os empregos não gerados no setor atrapalham o desenvolvimento econômico do país”, disse.
Bernardo Cardoso lembrou que Portugal se reinventou. “A crise nos fez pensar muito. Mas já tínhamos infraestrutura, como estradas e segurança”, disse. Para o diretor de turismo, é preciso focar no que o país tem de melhor. “Muitas pessoas nos países nórdicos gostam de golfe. Decidimos explorar esse nicho, pois em Portugal temos sol durante quase o ano inteiro e eles não”, contou.
Segundo Cardoso, a estratégia de promoção de Portugal não tem como foco principal a gastronomia, algo que é feito por países como Itália e França. “Mas mostramos que temos muita oferta de pratos, muito além do bacalhau. Temos muita oferta de vinhos diferentes. Não dizemos que somos os melhores, mas sim que somos diferentes”, declarou.
Magda Nassar se posicionou contra o Airbnb, plataforma de hospedagem em casas particulares. “Eles alugam quartos em casas de pessoas e vendem isso como experiência. As operadoras de turismo vendem há anos aluguéis em casas, em Orlando (EUA), por exemplo. Mas o Airbnb não paga impostos. E nós trabalhamos dentro da lei”, declarou.
No quarto painel, Flávia Matos, gerente de políticas públicas no Brasil da Airbnb, rebateu a fala de Magda: “O Airbnb paga todos os seus impostos. Além disso, os anfitirões têm mecanismos para pagar o imposto de renda em cima do que recebem através das reservas”.
Segundo painel
A segunda mesa redonda do dia foi intitulada “o que trava o turismo nacional”. Estiveram presentes Francisco Costa Neto, CEO do Grupo Rio Quente; José Mário Caprioli, presidente do comitê executivo da Azul Linhas Aéreas; Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil – Cruise Lines Internacional; e Roberto Fantoni, sócio da consultoria McKinsey & Company Brasil.
Para José Mário Caprioli, a oferta de voos no Brasil é muito pequena. “Deveríamos realizar viagens correspondentes ao dobro da nossa população, ou seja, 400 milhões. Mas temos apenas 90 milhões”, defendeu. O executivo também elencou os altos custos para as companhias aéreas operarem no país. “O combustível custa quase 50% a mais do que outras grandes praças. Grande parte de nossos sistemas são importados e há altos impostos em cima dessas operações. A formação dos pilotos é longa e exige 10 mil horas de voos”.
Segundo o executivo, existem uma série de barreiras de custos dentro da aviação que precisam ser derrubadas, pois eles acabam sendo repassados para os clientes.
Por sua vez, Marco Ferraz elencou as deficiências do setor de viagens marítimas no Brasil. “Não temos muitos novos destinos. Agora temos Balneário Camboriu. Mas para abrir o seu píer demorou 12 anos”, diz. “Nessa temporada tivemos 21 escalas no local e 81 mil cruzeiristas”, comemorou.
Segundo Ferraz, operar um navio no Brasil custa 50% a mais do que a média mundial. “Os custos operacionais são altos e os impostos no combustível também. Além disso, tripulantes estrangeiros que vão trabalhar por mais de 90 dias precisam tirar um visto de residência, mesmo não dormindo nenhum dia em solo brasileiro”.
*Por Lorena Amazonas

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