JUIZ DE FORA (MG) – Para falar sobre o que é a hotelaria econômica e quais as vantagens e desvantagens de ser independente, Marco Tulio Quina, da Real Hotéis Consultoria, Gestão e Projetos, mediou um debate com representantes de hotéis mineiros.
O consultor apresentou um panorama da hotelaria atualmente enfatizando que no passado o custo de operação era mais baixo, os ganhos eram satisfatórios, não era necessário fidelizar clientes devido ao grande volume de demanda, o acesso às informações e serviços dos hotéis era difícil e não existiam canais de comunicação na web, como atualmente.
“Hoje os custos são elevados, temos uma alta carga tributária, custos altos com insumos e folha de pagamento e, consequentemente, ganhos reduzidos. Além disso, está cada vez mais difícil fidelizar os clientes. Há uma série de canais de ofertas variadas em todos os segmentos e, principalmente, muitas informações ao alcance de todos. Hoje tudo é detalhado e fotografado. Não tem jeito de esconder o livro de ocorrências”.
De acordo com o consultor, o hóspede escolhe seu meio de hospedagem primeiro pelo fator preço (96%), depois pela pontuação das acomodações em sites de avaliação (90%) e avaliações online no TripAdvisor (88%).
Para o representante da rede Vitory Hotéis, que possui três unidades na cidade, o que leva o cliente à escolha de um empreendimento é a localização, e depois o preço. “Vivemos uma guerra forte em relação ao preço. Temos vantagens. As redes são engessadas, nós podemos variar tarifas e atender os clientes de forma personalizada”, afirma.
Amaro, do hotel Caxambu, o mais antigo em funcionamento no Brasil, com 130 anos, afirma que os independentes sempre foram obrigados a gerir os custos, mas não a receita, que depende do mercado. “Precisamos da união do trade, porque o turista não vem para o hotel e sim para o destino. Temos que trabalhar muito o destino”.
Para o profissional, mais importante para os hotéis independentes é a distribuição. “Não não dominamos a imagem da nossa empresa. As redes sociais sim. Temos que gerenciar isso. Vendemos através desses canais de distribuição modernos e fazer esse mix é o nosso grande desafio”.
Raul Spinelli, do hotel União, de Caxambu, afirma que a tradição da hospitalidade de cidade é forte, o serviço é bom, mas entender o mercado e como ele se comporta é o grande diferencial. “Ser um refém do destino é muito complicado. O Brasil ainda não é um país de destino mundial”, diz. “Acredito que as pessoas não querem preço. Elas querem qualidade”, finaliza.
O debate aconteceu durante o 11o Encontro da Hotelaria Mineira, em Juiz de Fora, que será realizada até a próxima sexta-feira (22).

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