A hotelaria brasileira mantém trajetória positiva em 2026, mas começa a mostrar sinais de desaceleração. A avaliação foi apresentada por Cristiano Vasques, sócio-diretor da HotelInvest, durante o Fórum do FOHB, realizado nesta segunda-feira (14), em São Paulo. Os dados mostram que o mercado encerrou o primeiro semestre com ocupação de 60,4%, diária média de R$ 468 e RevPAR de R$ 283. Na comparação com o mesmo período de 2025, os indicadores avançaram 0,8%, 1,5% e 2,3%, respectivamente.
Apesar de positivos, os números apontam para uma mudança de ritmo. Depois de um período marcado pela recuperação da ocupação e pelo avanço consistente das diárias, o crescimento da receita começa a perder velocidade. A ocupação permanece relativamente estável, enquanto a diária média, que vinha sendo um dos principais motores do desempenho, também apresenta sinais de estabilização nos últimos seis meses.
A série histórica apresentada no Fórum mostra, ainda assim, uma evolução consistente do mercado. No primeiro semestre de 2023, a ocupação era de 58%, com diária média de R$ 423 e RevPAR de R$ 250. Em 2026, os três indicadores alcançam os maiores patamares da série, com 60,4% de ocupação, R$ 468 de diária média e R$ 283 de RevPAR.
O desafio para o setor, segundo Vasques, será crescer menos pela elevação de preços e mais pela eficiência da operação. “Precisamos de aumento de produtividade”, destacou, lembrando que o ambiente econômico também pesa sobre as decisões do setor. “O panorama fiscal é complicado”, avaliou o executivo, em um cenário no qual o crescimento da receita tende a ser mais moderado e os investidores passam a adotar uma postura mais cautelosa.
O cenário também impõe limites à expansão da oferta. Segundo o levantamento apresentado por Vasques, 178 projetos de hotéis em desenvolvimento ou construção estão previstos para os próximos cinco anos, o que equivale a cerca de 26 mil leitos. O volume é considerado modesto pelo consultor, diante do potencial de expansão do mercado e reflete, entre outros fatores, a dificuldade de viabilização de novos projetos.
Boa parte dos empreendimentos atualmente em desenvolvimento depende de capital próprio dos investidores, enquanto as condições de financiamento ainda não favorecem uma expansão mais acelerada. “A rentabilidade ajustada ao risco não entusiasma”, resumiu Vasques.
A expectativa é de que parte das empresas aguarde a evolução dos juros “para um patamar mais civilizado”, como afirma Vasques, e um ambiente econômico mais previsível antes de avançar com novos investimentos. O próximo ciclo eleitoral também entra no radar das decisões empresariais, como destacou.
Outro ponto abordado foi a relação entre a hotelaria e o mercado de short-term rental. O levantamento indica que aproximadamente metade das unidades desse segmento permanece disponível por menos de seis meses ao ano, o que relativiza o volume de oferta efetivamente concorrente com a hotelaria tradicional.
A análise apresentada aponta ainda para um movimento recente de distanciamento entre os dois mercados. Nos últimos meses, a hotelaria vem apresentando comportamento próprio em relação ao short-term rental, cuja concorrência se concentra principalmente no segmento econômico.
O desempenho dos resorts teve destaque no levantamento. O segmento apresenta crescimento próximo de 5% acima da inflação, acompanhado por níveis de ocupação significativamente superiores aos observados no mercado urbano, na faixa de 80% a 85%.
O resultado reforça que a média nacional, identificada a partir de pesquisa de clima feita pela HotelInvest com as 23 maiores redes em operação no País, não representa a totalidade da hotelaria brasileira. As diferenças entre destinos, perfis de demanda e segmentos fazem com que a leitura dos indicadores precise ser cada vez mais regionalizada.
Na análise da HotelInvest sobre o mercado urbano, a perspectiva apontada no Fórum é de continuidade de um crescimento mais moderado, com ocupação e diária avançando em ritmo menor. A partir de 2027, a mensuração cidade a cidade deverá ganhar ainda mais relevância para entender onde existe espaço para expansão e quais mercados podem enfrentar maior pressão.
Em um cenário de menor velocidade de crescimento, oferta futura mais restrita e capital mais seletivo, a hotelaria entra em uma etapa na qual eficiência, produtividade e capacidade de interpretar as particularidades de cada mercado tendem a ser tão importantes quanto o crescimento da demanda.

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