O turismo em 2026
Analisamos relatórios de algumas das principais fontes do setor para descobrir as tendências que moldarão as viagens este ano
Em seu sentido mais literal, viajar significa deslocar-se de um ponto a outro por meio de algum transporte. Durante décadas, a prática esteve associada sobretudo ao descanso ou ao trabalho, ao consumo de paisagens emblemáticas e à ideia de conhecer o mundo – muitas vezes com o sucesso medido pela quantidade de atrações visitadas. Hoje, essa lógica se transforma.
O viajante contemporâneo não quer apenas chegar; ele busca significado. Deseja atravessar fronteiras invisíveis de tempo, identidade e propósito. Viajar deixou de ser apenas sobre o destino e passou a ser sobre experiência e transformação.
Em 2026, as viagens com propósito ganham protagonismo. Mais do que descansar ou acumular carimbos no passaporte, o viajante quer ampliar repertório cultural, investir em autoconhecimento, fazer escolhas conscientes e priorizar o bem-estar físico e mental. Conexões genuínas – com pessoas e culturas – passam a valer mais do que roteiros acelerados. A experiência precisa fazer sentido.
Ao mesmo tempo, a tecnologia se torna ainda mais onipresente. Da inspiração ao pós-viagem, inteligência artificial, hiperpersonalização, assistentes virtuais e curadoria baseada em dados moldam decisões em tempo real. O planejamento é dinâmico e cada vez mais individualizado. Além disso, o luxo segue firme no radar dos viajantes de alta renda – mas com novos códigos: exclusividade silenciosa, privacidade, sustentabilidade e experiências sob medida substituem a ostentação explícita.
Tendência: o que é e de onde vem
Todos os anos, empresas do setor turístico, consultorias especializadas e grandes redes hoteleiras divulgam relatórios apontando as tendências que devem nortear os próximos 12 meses. Esses estudos orientam investimentos, ajudam a definir posicionamentos de marca e inspiram o desenvolvimento de produtos, atrações e experiências alinhadas ao perfil do público projetado.
Mas, como essas tendências nascem? Elas não surgem do acaso nem de mera intuição. É um movimento de fundo, um sinal consistente de mudança de valores, comportamentos, expectativas e necessidades, conforme explica Sabina Deweik, futurista, caçadora de tendências e pesquisadora de comportamento. “Uma tendência nasce quando algo começa a se repetir em diferentes lugares, contextos e públicos, revelando que o mundo, ou um setor específico, como a hotelaria, está respondendo a novas tensões do presente”.
Para a especialista, tendência não é um produto novo, uma estética específica ou uma inovação isolada. Trata-se de um processo, um movimento contínuo de adaptação da sociedade a mudanças mais profundas, sejam elas econômicas, tecnológicas, culturais, demográficas ou emocionais. “Nosso trabalho é observar o presente com profundidade, cruzar sinais aparentemente desconectados, identificar padrões emergentes e construir narrativas que ajudem empresas e setores a compreender o significado dessas mudanças”, explica.
As viagens em 2026
Para mapear como serão as viagens em 2026, mergulhamos em algumas das principais fontes globais de inteligência do setor: o Anuário de Tendências de Turismo de Luxo 2026, da International Luxury Travel Market (ILTM); a 10ª edição das Previsões de Viagem, da Booking.com; o Unpack ’26, guia de tendências da Expedia Group – que reúne insights de Hoteis.com e Vrbo; o Future Forecast 2026, da LS:N Global; o relatório A viagem com propósito: o novo ponto de partida, da Hilton; o Megatrends 2026, da Skift; e o Virtuoso Luxe Report 2026, da Virtuoso.
A partir de uma análise cruzada de todos esses estudos – que combinam dados de mercado, comportamento do consumidor e projeções socioeconômicas – destacamos cinco tendências que mais convergem entre si e que, juntas, podem ajudar a desenhar o cenário do turismo para esse ano. Ao final de cada uma delas, deixamos dicas para auxiliar o hoteleiro do Brasil a aproveitar ao máximo a oportunidade.
Matéria publicada na edição 430, leia ela completa aqui

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