Entrevistas
Rio de Janeiro não parou na pandemia, diz Alfredo Lopes da Hotéis Rio

O Rio de Janeiro é um dos destinos mais populares do Brasil, desde sempre, e esse título continuou durante a pandemia de Covid-19. Apesar de vários momentos de restrições, a cidade segue recebendo um alto número de turistas. Em entrevista para a hotelnews, Alfredo Lopes, presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro (Hotéis Rio) e da Associação Comercial e Industrial do Recreio e Vargens (ACIR), explica as razões para esse desempenho. Segundo ele, muito deve-se a uma boa execução de protocolos de higienização e segurança, mantendo o setor aquecido.

“Isso ajudou a cadeia e fizemos tudo de maneira muito profissional. Além de fecharmos convênios para idosos em situação de risco e profissionais da saúde, hospedamos ainda as tripulações na época. Os hotéis não pararam, mesmo perdendo a ocupação do corporativo durante a semana, que foi compensada em grande parte pelo viajante de lazer nacional e público do agronegócio, que aproveita a hotelaria de luxo. Sem contar que notamos um crescimento da realização de aniversários, casamentos e formaturas, que estavam adiados”.

Muitas cidades cancelaram o Réveillon, mas o Rio de Janeiro se isolou entre poucos destinos brasileiros a manter a queima de fogos, com direito a pontos de música eletrônica. O argumento principal para manter o evento foi o alto percentual de pessoas imunizadas e o executivo ainda compara a realização do ano novo com outros tipos de aglomeração permitidas hoje.

“É incoerente porque nos estádios e transporte público, por exemplo, as pessoas se aglomeram e existe Covid da mesma maneira, mas ao mesmo tempo é importante manter o controle disso para não colocar em risco novamente o comércio e o turismo. A maioria da população acredita na vacina e o percentual de imunizados aqui é maior que muitos países de primeiro mundo. Inclusive, sou a favor de se exigir o passaporte vacinal até para garantir mais segurança nos empreendimentos. Quem não quiser tomar a vacina que fique em casa”.

Entre os destinos em alta, a Barra, especificamente, tornou-se um fenômeno. “Isso começou na época das Olimpíadas, quando houve a necessidade de construir mais 10 mil quartos para atender a demanda. Chegamos a levar 500 jornalistas e agentes de viagens para que o público e o próprio carioca conhecessem mais os atrativos. A região possui grandes negócios e áreas de convenções, aumentando suas ocupações antes mesmo de Copacabana, frutos da combinação de preço bom e produtos novos, com sensação de segurança. De maneira geral, a rede hoteleira do Rio é a mais moderna do Brasil”.

Perspectivas para o futuro

O aquecimento do mercado nos próximos meses dependerá do cenário econômico, segundo Alfredo. “Apesar das incertezas, o Rio de Janeiro é forte em petróleo, que movimenta muitos encontros e retomará forte já em março, informática, com o polo de desenvolvimento e vários programas de incentivo, e a medicina, responsável por diversos congressos. Até julho de 2022 acredito que voltaremos a uma certa normalidade, por mais que o público desses eventos continue sendo boa parte virtualmente. Rock in Rio e Copa do Mundo também vão movimentar vários pontos”.

Sobre o possível risco de diminuições das reuniões corporativas, o executivo não se preocupa muito. “Na realidade, vemos algo diferente. Passamos por um período de reuniões virtuais, no qual as pessoas estavam apreensivas para voltar a se encontrar presencialmente. O contato humano não vai acabar, mas teremos cada vez mais uma realidade híbrida”.

Já na questão do preço das tarifas aéreas, que costumam ser mais caras na ponte aérea RJ-SP, principalmente se compradas de última hora, existe interesse no tema. “Já fizemos pacotes, chamados ‘super weekend’ entre Rio e São Paulo, com 50% de desconto para ir sábado de manhã e voltar no domingo, desde que os clientes tivessem reservas de hotéis. O viajante aproveitava shows, teatros e gastronomia, mas isso se perdeu com a pandemia. Mesmo assim, observamos o crescimento exponencial do turismo rodoviário, que aumentou consideravelmente a qualidade do serviço e experiência”.

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