O Mar Brasil Hotel, perto de completar 30 anos de existência, passou a se chamar oficialmente Casa Di Vina Boutique Hotel, nome como era informalmente conhecida a propriedade onde morou o poeta Vinicius de Moraes, em Salvador. Além de refletir uma proposta de hospedagem pontuada por arte e cultura que vem sendo amadurecida desde os anos 1990, a mudança refere-se, sobretudo, à experiência de estar no imóvel que o compositor de “Tarde em Itapuã” – entre muitos outros marcos da MPB – mandou construir para viver, nos anos 1970, ao lado de sua esposa baiana, a atriz Gessy Gesse.
Com a residência já integrada à infraestrutura atual, o hotel boutique conta com 76 quartos, restaurante aberto ao público e um memorial em homenagem ao artista. “Ao longo de nossa caminhada foram muitas reinvenções que experimentamos. Começamos pequenos, em 1992, quando, em família, erguemos as paredes do então Mar Brasil. Na época, era comum receber viajantes de longa estada e com eles aprendemos a arte de acolher com afeto. Em 2000, compramos a casa do terreno ao lado, construída por Vinicius, e ganhamos a amizade de sua musa, Gesse”, conta Luisa Proserpio, uma das filhas do casal proprietário e gerente de Experiência.

Lobby Ala B 
Piscina
O nome do imóvel remete ao apelido do “poetinha” e à forma de como os amigos chamavam o local. Ainda de acordo com Luisa, a escolha de um novo nome traduz melhor a história do local e a paixão dos proprietários por arte. “A experiência que viemos desenhando nestes derradeiros anos se consolida com a revitalização da Suíte Vinicius de Moraes, uma nova piscina com 22 metros de comprimento e vista para o mar, um novo menu e drinques do restaurante, além da renovação do jardim do poeta e um novo gradil artístico inspirado na beleza natural de Itapuã assinado pela artista colombiana Elena Landinez”.
Localização e atrativos
A dez minutos do Aeroporto Internacional de Salvador, o hotel fica de frente para o Farol de Itapuã, bairro internacionalmente conhecido por meio da canção de Vinicius, que ainda hoje se mantém como uma vila de pescadores. Envolvida por essa atmosfera de nostalgia, romantismo e aconchego, a Casa Di Vina exala arte e cultura, acolhendo, em diferentes espaços, inúmeras obras e peças assinadas por expoentes do design nacional, como Sergio Rodrigues, quadros de Calasans Neto, Carybé, Chico Liberato, Cecéu Evangelista e cocares da comunidade Funil-Ô.
“A casa seria derrubada para virar um condomínio, então fizemos um esforço e a compramos, mantendo a arquitetura original. Queremos que a propriedade continue sendo um local de encontros. Aqui, ele morou sete anos e criou 22 músicas. Cada ambiente foi redecorado”, complementa Renata Proserpio. A antiga moradia do compositor, por exemplo, abriga uma coleção de fotografias antigas e manuscritos, os quais ilustram os momentos do período que o artista viveu na capital e compõem um acervo de relíquias cedido por Gesse – que permanece exposto em um memorial aberto à visitação gratuita do público.


Suíte Vinicius de Moraes 
Acomodações e gastronomia
Quanto à oferta de hospedagem, as acomodações são distribuídas em seis categorias. Com décor que reflete a natureza de Itapuã, as suítes se caracterizam pelo ambiente tranquilo que induz ao dolce far niente e faz com que os hóspedes se sintam como se estivessem na própria casa. Diferentemente do burburinho do centro histórico da capital, ao abrir as janelas das suítes é possível ouvir o barulho do mar ou admirar um jardim tropical.
Ideal para celebrações de bodas, lua de mel ou momentos especiais, a principal acomodação do hotel é onde o poeta costumava dormir, hoje convertida na Suíte Vinicius de Moraes. Com 52 m², conta com fotos e objetos originais da época, além de uma banheira com vista para o mar e uma minibiblioteca com as principais obras do artista, muitas delas escritas ali. O local também mantém a cama original da casa, além de azulejos e esculturas do artista Udo Knoff.
Aos serviços e experiências proporcionados pelo hotel soma-se o Casa Di Vina Restaurante, aberto ao público em geral e localizado na varanda da antiga propriedade do compositor. Nesse encontro da gastronomia com a poesia destacam-se as culinárias mediterrânea e baiana, que são apresentadas em um menu variado de massas, frutos do mar e carnes, além de receitas ensinadas pela própria ex-mulher do compositor, como o Frango a Gesse e Vina e o drinque Tarde em Itapuã.
Fiel à proposta de “brasilidade” do hotel, o restaurante dispõe de uma bela carta de vinhos nacionais, entre eles o rótulo Casa Di Vina, especialmente desenvolvido pela vinícola gaúcha Torcê-lo nas versões Merlot e Tannat.

João Liberato, Luisa Proserpio, Renata Proserpio e Zé Fontes Lima; no colo, o pequeno Martim
Fotos: Divulgação e Manuel Sá




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