1º dia do Fórum Online de Hotéis Independentes aborda pandemia e guerra de preços

Começou na tarde desta terça-feira (16) o Fórum Online de Hotéis Independentes 2020, que segue até a próxima quinta (18). O evento mediado pelo CEO da Markweb, Maycon Gabry, teve como pontapé inicial um debate sobre as tendências de consumo pós-crise e principais impactos da transformação no turismo. Dividido em duas partes, o momento contou com a participação da presidente da HSMAI Brasil, Gabriela Otto, e da sócia-diretora da Mapie, Carolina Haro.

Gabriela fez uma introdução para o atual momento de pandemia e alertou que as empresas devem se preocupar mais com esse tipo de situação antes que se repita. “Devemos ser mais antifrágeis e ter um pensamento que consiga reverter crises a nosso favor. O melhor não é evitar o caos, mas assumir as nossas vulnerabilidades. É importante lembrar também que pandemias coexistem com a história da humanidade. Precisamos ser resistentes e a próxima crise terá a ver com mudanças climáticas ou desigualdade”.

A presidente da HSMAI argumentou ainda que a maneira de saída deste momento complicado, devido ao coronavírus, será reflexo de um conjunto de fatores. “As crises dependem das decisões governamentais, estaduais, municipais e dos empresários. Isso definirá a duração da crise e de que maneira ela vai nos impactar. E vale refletir se teremos orgulho ou vergonha da nossa postura de agora”.

Já Carolina trouxe uma visão mais direta em relação ao comportamento dos consumidores. Com base na pesquisa TRVL Lab, da Mapie, 55,2% dos entrevistados do estudo pretendem deixar de comprar de marcas que não tratam clientes e colaboradores de maneira adequada durante a crise. “Os clientes já agiam como fiscais e agora isso se tornou literal. As pessoas estão preocupadas consigo, com os seus semelhantes e com as suas cidades, de olho nas atitudes das empresas”.

Guerra de preços

Uma grande questão hoje na hotelaria é se vale a pena fazer grandes promoções com redução de tarifas para aumentar a demanda, mas os convidados do fórum online discordaram que esta seja uma boa alternativa, durante painel. “Não vejo a guerra tarifária como o melhor caminho. As margens mundialmente estão diminuindo e para rever a tarifa é preciso rever os custos, mas podemos oferecer mais serviços agregados”, avalia o professor e consultor Fábio Passos.

“A guerra de preços vai prejudicar os hotéis independentes. Uma opção que oferecemos é o desconto para pagamentos à vista, algo que movimenta o caixa”, complementou o gerente de Revenue Management da Amarante Hospitalidade, Igor Castelo. Outro ponto é que a distribuição pode sofrer mudanças para privilegiar as vendas diretas dos hotéis, de acordo com o vice-presidente de Vendas e Marketing da Pmweb, Augusto Rocha. “Essa é uma chance de repensar os modelos de distribuição e quanto menor for o hotel, maior a chance de ser 100% vendido direto”.

Também para hotéis menores, esse é o momento de se reinventar, segundo a especialista em gestão e operação de pequenas pousadas Nathalia Borghi. “O primeiro ponto é controlar os custos e cortar desperdícios. Observo como uma hora adequada para se profissionalizar e vejo com bons olhos a situação pós-coronavírus”.

E as redes sociais podem servir de impulso nas vendas, desde que a estratégia seja bem alinhada em termos de mensagem e local de publicação. “Cada empreendimento tem uma formula e só conseguimos saber testando. Todo o conteúdo faz parte da jornada do cliente”, pontua Thiago Akira, que é consultor de Marketing Turístico Digital.

“No Instagram, por exemplo, estimulamos o desejo e atraímos atenção dos clientes, mas também devemos gerar a informação exata que as pessoas estão buscando, desde os posts que duram 24 horas aos mais permanentes, como os vídeos”, recomenda Akira.

Sobre a questão das campanhas de vendas, o momento exige empatia, já que boa parte da população passa por dificuldades financeiras, e as condições para os serviços devem ser bem trabalhadas para não gerar um efeito contrário, até mesmo de repulsa, em relação à marca ou hotel. “É importante não ser agressivo em campanha de vendas e deixar claro o que será oferecido”, comenta Igor.

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