Tendências 360º: turistas vão viajar apenas quando se sentirem seguros

A pandemia de coronavírus fez com que o setor de viagens e turismo fosse paralisado, mas aos poucos a retomada é desenhada. No entanto, o principal fator não será simplesmente a reabertura dos destinos, mas a garantia de segurança ao turista. Durante o painel “Viajar”, do evento online Tendências 360º, especialistas avaliaram o cenário atual do mercado e o comportamento dos consumidores.

“Tudo ainda está muito incerto, pois vários destinos abrem e reabrem. Existe também a necessidade dos turistas serem responsáveis e não contribuírem para a contaminação de outras pessoas. A maioria vai voltar a viajar quando se sentir segura e optará por refúgios, principalmente no meio da natureza”, argumenta o escritor Ricardo Freire, do site Viaje na Viagem.

Outro ponto é que, neste momento, “ostentar” viagens nas redes sociais será politicamente incorreto, algo que deve durar até o fim da pandemia. “Nos próximos meses ninguém poderá se exibir nas viagens da mesma maneira que antes por medo de críticas, seja por desrespeitar o luto das famílias das vítimas ou a própria quarentena. É um receio de ser visto como mau exemplo. Vamos reaprender a viajar e ser mais discretos. Esta é uma fisioterapia social, que modifica hábitos da nossa rotina”, pontua Freire.

A retomada também será influenciada pelo setor aéreo, que ainda opera com capacidade mínima. “Tivemos uma queda de mais de 90% na oferta doméstica e redução de 75% na demanda. Para julho, mesmo com o acréscimo de frequências, teremos ainda 80% de redução. Nos voos internacionais, tendo como exemplo as rotas para Lisboa, os números da Tap somavam cerca de 80 voos semanais em janeiro e, em abril, foram três voos devido à redução do fluxo e bloqueio de fronteiras, o que causa um desligamento do setor aéreo”, justifica Eduardo Fleury, country manager para o Brasil do buscador Kayak.

“Mesmo com a pandemia, resultados de uma pesquisa nossa mostram que 47% dos entrevistados pretendem viajar nos próximos meses e 83% têm este desejo considerando os próximos 12 meses”, menciona o executivo, que sugeriu a página especial da plataforma que reúne índices de buscas por regiões turísticas, funcionando como um termômetro do interesse dos viajantes.

Flávia Lorenzetti, head no Brasil da rede Selina, destaca que esta será uma oportunidade de impulsionar o turismo em território nacional, pois ainda haverá por um tempo restrições de fronteiras no Exterior. Além disso, ela contou que o grupo avalia 17 contratos com foco no desenvolvimento local e expansão. “O viajante brasileiro vai acabar conhecendo todas as nossas maravilhas. Vamos pegar a wishlist de cidades do Brasil e começar a concluí-las. Nós estamos apostando muito nesse crescimento”.

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