Tecido anti-covid é desenvolvido por empresa brasileira

O avanço do coronavírus no mundo trouxe inúmeras preocupações para diversos setores do mercado, em razão da crise sanitária. Pensando em uma nova forma de ajudar no combate à pandemia, a empresa Delfim Tecidos, em parceria com a startup Nanox, criou o tecido Delfim Protect, de produção 100% nacional, capaz de inativar o vírus Sars-Cov-2, causador da Covid-19.

A Delfim Tecidos está localizada em Sorocaba (SP) e atua há mais de 60 anos na indústria têxtil, atendendo, até então, o setor moveleiro, moda, decoração, equipamentos de proteção individual (EPIs), entre outros. Com o novo produto, a empresa começou a atender a área médica, confecção de roupas infantis, restaurantes e avançou no mercado de hotelaria. A hotelnews conversou com Mauro Deutsch, presidente e CEO da Delfim Tecidos, para saber mais sobre a inovação.

De acordo com Mauro, a tecnologia teve um investimento na ordem de R$ 1 milhão de reais e consiste em uma solução que tem aditivos com propriedades antibactericidas, além de ser impermeável e usar micropartículas de prata, que têm uma espécie de condutor que busca inativar o coronavírus. Durante o processo de testes do tecido, composto por 100% de poliéster, foi identificada a capacidade do produto de ser antiviral, algo que ajuda na barreira de proteção.

“A produção se deu graças aos técnicos da empresa e do apoio dos fornecedores de fora, auxiliando na escolha de fibras e direcionando o melhor caminho para obtermos eficácia. A startup Nanox entrou especificamente na parte de aplicação de micropartículas e no processo de tingimento e acabamento do tecido”, afirma o executivo.

A Startup Nanox, ligada à Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), também realizou alguns testes para a certificação dos antivirais no tecido, além de buscar a comprovação do produto ser antialérgico através do grupo Ecolyzer.

Mauro Deutsch

Segundo Mauro, o tecido passou por processos para comprovar sua eficiência bactericida e sua aplicação de filtragem bacteriana, e conseguiu atender às certificações exigidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), alcançando 93% de eficácia. O valor do tecido Delfim Protect é similar ao de um tecido tricoline, feito 100% de algodão e indicado para costuras em máquina ou colagem.

Atuação na hotelaria

Antes de pensar em novas maneiras de se reinventar e atender às demandas neste novo cenário de pandemia, a Delfim Tecidos já atendia ao setor de hotelaria, fornecendo tecidos para fabricação de mosqueteiros. Agora, a empresa está aproveitando o maior contato com os hotéis para analisar as necessidades do segmento e criar novas linhas de tecidos exclusivas para os empreendimentos solicitarem a confecção dos produtos que desejarem.

“Alguns hotéis entraram em contato conosco, pedindo o desenvolvimento de uma nova linha para a rouparia, incluindo a parte de cama, mesa e banho. Estamos estudando a viabilidade e as tecnologias com o objetivo de fabricar um tecido de boa qualidade e que seja confortável para os hóspedes usarem, incluindo até a  produção de uniformes para os colaboradores”, comenta Deutsch.

Aceitação do produto

Com a chegada do tecido no mercado têxtil, Mauro Deutsch afirma que é a primeira vez que vê pesquisadores brasileiros sendo valorizados e ganhando notoriedade fora do País. “Nós como brasileiros temos que aproveitar essa oportunidade para mostrar que o Brasil também tem tecnologia, pesquisadores e um know how que pode ser compartilhado com resto do mundo”.

A aceitação do produto teve de ser trabalhada no mercado devido ao preconceito que ainda existe com a fibra de poliéster. “No começo foi divulgado que para confeccionar máscaras de proteção contra a Covid-19 teria que ter um percentual de algodão e fibra. E conseguimos quebrar essa barreira, mostrando que somente o poliéster consegue ser eficiente no combate ao coronavírus, além de ter um conforto térmico e respiratório”, explica o executivo.

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