Setor de serviços já se recupera, mas a queda será histórica em 2020

Em julho, o volume de receitas do setor de Serviços cresceu 2,6% na comparação com o mês anterior, já descontados os efeitos sazonais. De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE, esse foi o segundo mês consecutivo de avanço após o setor acumular retração de quase 20% entre fevereiro e maio deste ano. Na comparação com julho do ano passado, houve variação negativa (-11,9%) pelo quinto mês consecutivo.

O destaque no mês ficou por conta da categoria “Outros serviços” (+3,0%) que engloba atividades imobiliárias, serviços de reparação de equipamentos e objetos de uso pessoal e doméstico, serviços de utilidade pública, dentre outros. Os transportes (+2,3%) e os serviços de informação (+2,2%) cresceram, contrastando com o desempenho dos serviços prestados às famílias que após dois meses de alta, voltaram a registrar perdas (-3,9%) – especialmente em atividades típicas do turismo como de hospedagem e alimentação fora do domicílio (-5,0%).

Prejuízos e demissões

O turismo tem sido o mais atingido pela pandemia. Apesar do avanço mensal de 4,8% de julho (o terceiro consecutivo) quando comparado aos demais setores da economia, o nível de atividade do setor se mostra 56,7% aquém daquele verificado no primeiro bimestre do ano. Assim como nas pesquisas do próprio IBGE relativas à indústria e ao comércio, as empresas que compõem as atividades turísticas perceberam o “fundo do poço” da atual recessão no mês de abril.

As perdas em relação ao período anterior à Covid-19 seguem se acumulando. Segundo dados apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as perdas mensais do setor desde o início pandemia já somam R$ 182,86 bilhões. A estimativa da entidade cruza informações providas pelas pesquisas conjunturais e estruturais do IBGE, além de séries históricas referentes aos fluxos de passageiros e aeronaves nos dezesseis principais aeroportos do país.

Os Estados de São Paulo (R$ 65,84 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 26,54 bilhões), principais focos da Covid-19 no Brasil, concentram mais da metade do prejuízo nacional (50,5%). Essas perdas se refletem, por exemplo, nas quedas de fluxo de passageiros nos principais aeroportos dessas duas unidades da federação. Ao final de agosto, os aeroportos de Congonhas e Galeão registravam quedas de 92% e 75%, respectivamente no fluxo de aeronaves tendo como base o tráfego antes da Covid-19.

A gravidade da atual crise no setor se reflete na dinâmica do mercado de trabalho. Entre março e julho de 2020, a força de trabalho formal do turismo encolheu 12,8%, a maior queda quando comparada aos demais setores da economia, segundo os dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em termos absolutos, o setor eliminou 446,3 mil postos formais no período. Destacaram-se as perdas em bares e restaurantes (-270,6 mil), hotéis e similares (-77,7 mil) e no transporte rodoviário (-58,9 mil).

Perspectivas para 2020

Considerando a lenta reação do nível de atividades dos serviços e as expectativas quanto ao desempenho da economia nos próximos trimestres, a CNC revisou de -5,7% para -5,6% sua previsão para a variação do volume de receita dos serviços ao final de 2020. Para o turismo, a tendência é de que o faturamento real do setor encolha 37,2% neste ano com perspectiva de volta ao nível pré-pandemia no terceiro trimestre de 2023.

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