Sem vaidade – Chef Alcindo Queiroz

Formado em administração, apaixonado por gastronomia

Ele não descansa até entender as coisas. É um pesquisador ferrenho, amante da leitura, de esportes ao ar livre e de viagens. “Sou apaixonado por culturas, por mercados, por povo. Tento viajar o máximo que posso e, se estiver a trabalho, sempre me programo para conhecer alguma coisa no destino”, diz Alcindo Carlos Silveira de Queiroz, chef e proprietário do Restaurante Patuá – Delícias do Mar, em Olinda (PE).

Nascido em Recife em novembro de 1973, o chef, que por duas vezes representou o Brasil nos EUA a convite da Embratur, começou os estudos em uma área bem diferente da gastronomia. Alcindo é formado em Administração de Empresas, tem pós-graduação em Planejamento e Gestão Organizacional e, antes de assumir panelas e temperos, trabalhava com turismo.

“Acredito muito no dom para uma carreira. Cozinhar por prazer é o que leva a maioria das pessoas à profissão. No meu caso foi um pouco diferente. Estava muito bem na minha área, tinha alcançado o patamar que sempre almejei, mas tudo começou com uma promessa não muito firme, feita em uma festa em família”, conta.

Alcindo havia se comprometido a levar a sogra do irmão para o casamento da neta que morava em Nova York. “Mas, era daquelas promessas que ninguém nunca cumpre”, diverte-se. O tempo passou, chegou o casamento e a senhora o cobrou a viagem. “Pedi uma semana de folga e me mandei”.

Na época, o chef trabalhava na companhia aérea Varig, que passava por grandes mudanças que culminaram em sua falência. “Estávamos no meio do turbilhão, trabalhando feito uns loucos e completamente exaustos. Aproveitei para descansar e rever amigos”, disse.

Chegando lá, arrumou um bom motivo para não voltar para o Brasil em apenas uma semana, período programado para a viagem. Começou um curso de cozinha. “Como nada é por acaso, fui para um fest camp na Universidade de Long Island, onde havia vários cursos de gastronomia. Me empolguei com a ideia e comecei a estudar. Os professores gostaram do meu desempenho e me incentivaram a desenvolver este dom”.

Quando retornou, já tinha em mente abrir um restaurante de cozinha brasileira nordestina com ênfase em frutos do mar. “Com muito esforço tocamos uma reforma em um casarão no sítio histórico de Olinda e, em um ano, inaugurei o Patuá”, orgulha-se o chef, para quem o principal desafio da profissão é a falta de mão de obra qualificada.

Sobre os planos para o futuro, sem dar detalhes, Alcindo conta que está analisando a proposta de um novo empreendimento. “No âmbito pessoal, sempre viajar”, afirma o empresário, que aproveita para aconselhar os jovens chefs: “em primeiro lugar, somos e seremos sempre cozinheiros. Ser chef é um cargo alcançado com muito trabalho, dedicação e vocação. Precisamos nos despir de toda vaidade, saber que nesta profissão se recicla e se aprende todos os dias. Trabalhamos muito, exatamente nos dias que nossa família está de folga. Temos que saber distinguir o ‘comer pra matar a fome’ do ‘comer por prazer’. Não é fácil, mas existe lugar para todos”.

Bate-bolaUma música – Voltei Recife (Capiba) Uma bebida – Água de cocoUm livro – Casa Grande e SenzalaUm lugar – A varanda do PatuáUm sabor – Suco de pitangaUm prato – Caranguejo ao cocoUm artista – Alceu Valença

 

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