Segmentação

Processo avança em resposta ao dinâmico mercado consumidor

Acompanhando a evolução do setor, na década de 1970, o conteúdo da “Hotelnews” se tornou mais técnico. Foi nesta década que, no Brasil, a hotelaria ga¬nhou impulso como indústria. Um dos mar¬cos históricos foi a classificação hoteleira, imposta pela Embratur. Com o desenvol¬vimento da atividade e a crescente entrada de redes internacionais no País a concorrência foi acirrada, motivando grandes trans¬formações, como a segmentação. Com o foco na dinâmica do mercado consumidor, ganharam destaque os empreendimentos exclusivos.

A classificação hoteleira é a ferra¬menta para melhor orientar o cliente so¬bre um produto, define Alexandre Motta, consultor da BSH International e professor universitário. No Brasil, tanto a primeira matriz (Embratur) como a última (Embra¬tur e ABIH), nomeavam hotéis com estrelas. Respectivamente, uma tinha como base os aspectos construtivos e de serviço e a outra incluiu a preocupação com o meio ambien¬te. Agora, preparando-se para a Copa 2014, o tema mobiliza as atenções, com o proces¬so conduzido pelo MTur. No final de 2009, o ministério anunciou a primeira decisão: os hotéis instalados em imóveis tombados pelo património histórico receberão tratamento diferenciado. Serão criadas novas matrizes para atender às especificidades destes em¬preendimentos, cujas regras de uso diferem daquelas adotadas para os demais.

Desde a proliferação de grupos in¬ternacionais, o conceito de marcas das ban¬deiras das redes é divulgado no País. Exem¬plifica essa classificação o critério da Accor Hospitality, que desembarcou no Brasil com a inauguração do Novotel Morumbi (1977), em São Paulo, empreendimento que também marcou a chegada da rede na América La¬tina. Hoje, as principais cidades brasileiras têm hotéis com suas bandeiras: Sofitel (luxo), Novotel e Mercure (misdcale), Ibis (econó¬mico) e Formule l (supereconômico).

Também os guias e selos dos hotéis são referências para o consumidor. Exemplifica os selos de classificação asso¬ciações como a The Leading Hotels of The World, que congrega meios de hospedagem de luxo. Com 81 anos de existência, no mundo possui mais de 450 meios de hospedagem, entre hotéis, resorts e spas. No Brasil, são apenas sete, sendo que o último a se associar foi o Tivoli São Paulo Mofarrej, situado nos Jardins, que – entre outros serviços diferenciados – oferece o Elements Spa by Banyan Tree, da prestigiada marca de luxo asiática. Também inte¬gram a Leading: Fasano (Rio de Janeiro e São Paulo), Casa Grande Hotel, Resort & Spa (Guarujá – SP) e Pestana Con¬vento do Carmo (Salvador – BA) e Emiliano (São Paulo).

Luxo exclusivo
O hotel de luxo não é necessariamente exclusivo, ou seja, caracterizado pela personalidade própria. Para ofe¬recer luxo com exclusividade é essencial trabalhar concei¬tos de hospitalidade que não sejam comuns no mercado, considerando: arquitetura, ambientação, oferta de serviços, colaboradores e perfil de gestão (“Conceituação de Ho¬téis Exclusivos”, em “Análises Regionais e Globais do Tu¬rismo Brasileiro” – Editora Roca).

“No Brasil, o aparecimento de hotéis exclusivos atende ao que, mercadologicamente, chama-se de nicho de mercado. Eles buscam identificação com público-alvo mui¬to específico e diferem do produto de massa, geralmente mais abundantes e baratos, pois se destinam ao grande pú¬blico”, afirma Motta. “Hoje, essa parcela social já é aten¬dida. As oportunidades de negócio têm de se diversificar”, conclui.

Em sua opinião, não se deve comparar o parque hoteleiro do País com o existente no exterior. Argumen¬ta: “a hotelaria daqui atende ao grande público brasileiro, conforme sua renda e cultura. A internacional é diferente, atende às necessidades do grande público de seus países. A Europa e a América do Norte são mais ricas que o Brasil. Assim, um hotel de luxo destes países não se compara com os daqui. Já um hotel económico daqui se compara com os económicos do exterior, uma vez que o conceito de um bom quarto e um bom banho é universal”.

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