São Paulo: destino de realizações

Ao completar 454 anos de fundação em janeiro, São Paulo se redescobre em números, que exprimem a sua importância mundial como destino turístico. Em 2008, a cidade recebeu cerca de 11 milhões de visitantes. Registrou taxas médias recordes de ocupação hoteleira (70%), sem redução no preço da diária. Obteve a receita de mais de R$ 8 bilhões com os gastos dos turistas, incluindo transportes e hospedagem. O setor gerou uma arrecadação superior a R$ 110 milhões de ISS (Impostos sobre Serviços).

Esses são alguns números divulgados, em fevereiro, pela SPTuris, na publicação “Indicadores e Pesquisas do Turismo na Cidade de São Paulo 2008”, uma coletânea de resultados das pesquisas realizadas de 2005 a 2008. Em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), também foi lançado o estudo “Dimensionamento e Caracterização da Demanda Turística no Município de São Paulo” que, entre outros dados, aponta a avaliação dos turistas, a maioria dos itens obteve boa aprovação, destacando-se: hospedagem (98,4%), agências de viagens (98%), restaurantes (94,5%) e transportes (92,1%).

Na apresentação desses dados, em evento realizado no Renaissance São Paulo Hotel, o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, enfatizou a importância dessas pesquisas para o planejamento e novos projetos. Lembrou que a partir de 2005, efetivamente, a cidade foi promovida como destino turístico e, citando a célebre fase de Tolstoi, “Se queres ser universal, comece por pintar a tua aldeia”, enfatizou a importância da divulgação para conquistar e fidelizar turistas.

Turismo de negócio

A capital paulista foi amplamente divulgada, com a campanha publicitária “São Paulo é tudo de bom”, promovida pelo SPCVB (São Paulo Convencion & Visitors Bureau) durante os dois mandatos em que Orlando de Souza esteve na presidência (entre 2005 a 2008). No final do segundo, em fevereiro passado, assumiu o cargo Annie Morrissey, vice-presidente de vendas, marketing e receitas da Atlantica Hotels.

Orlando afirma que foi possível promovê-las porque personalidades de renome, identificadas com a cidade, cederam sua imagem por solicitação da entidade. “Foi investido algo em torno de R$ 2,5 milhões. Se não tivesse essas parcerias, custaria cerca de R$ 20 milhões. Não haveria recursos para isso. No exterior, a veiculação foi feita em conjunto com a Embratur”. Em ambas, as várias opções turísticas da cidade foram apontadas, como: negócios, compras, gastronomia, eventos culturais e entretenimento.

Ele frisa que, além das campanhas, foi preponderante o fato de a cidade deliberadamente se estruturar melhor, para ser um grande pólo turístico. Exemplifica: são 42 mil quartos hoteleiros segmentados, desde os supereconômicos até os hotéis-boutiques, distribuídos em todas as regiões da cidade. Ressalta: “a taxa de ocupação é um dos indicadores do aumento no fluxo turístico. Em 2003/04, os índices acumulados giravam em torno de 48%. Em 2008, foi algo em torno de 70%. Há pouco tempo, nos fins de semana, eram menores do que 10%. Hoje, a média é 30%.

Cita também as diversas opções de espaços para eventos de todos os portes, tais como o Center Norte, o Transamérica Expo Center e o Pavilhão do Anhembi (maior na América do Sul) e os menores, como o Centro Rebouças e a áreas de convenções em hotéis. “Contando com essa estrutura, em 2007, o SPCVB cadastrou 600 eventos. No ano passado, foi algo em torno de 1.200 – o dobro. É muito difícil saber, com exatidão, quantos serão neste ano, pois os grandes acontecimentos são programados com antecedência, mas os menores são idealizados no decorrer do ano”, diz Orlando. Como parâmetro, aponta o Calendário 2009 “Principais Feiras de Negócios do Brasil”, publicado pela Ubrafe (União Brasileira dos Promotores de Feiras), ressaltando que das 147 previstas no País, 75% ocorrem na capital paulista.

Frisa ainda que “no âmbito do entretenimento, não por acaso, os grandes eventos acontecem em São Paulo, quando não, muitos deles só acontecem em São Paulo, como Fórmula 1, Salão do Automóvel e megaeventos musicais”. Em sua opinião, para atender a crescente demanda turística, são necessários investimentos em transportes, notadamente, na construção de um novo aeroporto, tema que o governo já estuda, tendo em vista a Copa do Mundo 2014.

Orlando cita que “o SPCVB influiu no aumento da demanda turística à medida que se transformou em um organismo da iniciativa privada, não suscetível às mudanças políticas. Trabalhando em parceria com órgãos públicos, destacando-se a SPTuris. A partir daí, estabeleceram-se papéis claros. Enquanto o bureau busca captar congressos, convenções e, em parceria com a Ubrafe, feiras; o SPTuris coordena as áreas do entretenimento e da cultura, tais como carnaval, Virada Cultural e Natal Iluminado, além de dar suporte a outros acontecimentos, como Parada GLBT e Formula 1.

Assumindo a presidência do SPCVB, Annie elogia a direção anterior. Afirma: “nos quatro últimos anos de trabalho, a instituição vem de uma linha bem fundada. Conquistou um espaço forte no mercado turístico e mudou o rumo do destino São Paulo em termos de ideologia”. Quanto à divulgação publicitária, ela diz: “continuaremos a seguir essa linha da campanha ‘São Paulo é tudo de bom’, mas vamos inovar porque já são quatro anos de veiculação”.

Em sua opinião, as perspectivas são otimistas. “São Paulo tem tudo para crescer. A cidade se destaca por ter infraestrutura para o turista, é um destino fácil para chegar, fazer negócios e eventos. O parque hoteleiro está renovado e se nota que o segmento tem preocupação em manter um nível excelente de serviços e produtos, para atender às exigências dos clientes. O hoteleiro sabe que se não manter o seu empreendimento com essa qualidade, corre o risco de cair fora do mercado”.

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