Ricardo Roman Jr: a união faz a força

Após um completo apagão, a hotelaria do estado de São Paulo já observa um horizonte mais positivo. No entanto, a recuperação dos indicadores deve continuar em ritmo lento enquanto não houver controle da pandemia de Covid-19 e a chegada de uma vacina. O presidente da ABIH-SP, Ricardo Roman Jr., traça um panorama do atual cenário, que envolve baixa ocupação e cancelamento de grandes eventos, e também mostra a sua visão enquanto hoteleiro e empresário. Atualmente, Roman está à frente do Delphin Hotel e ibis Styles, ambos negócios independentes e de família localizados no Guarujá. Além disso, o profissional é vice-presidente da Interamerican Network, com foco em eventos, inovação e na parte operacional e financeira da agência ao lado da irmã Danielle Roman. Em sua gestão na ABIH-SP, a palavra-chave tem sido colaboração.

Hotelnews: Na sua opinião como hoteleiro, quais são as principais dificuldades do setor?
Ricardo Roman: Esquecendo a pandemia, um dos nossos maiores problemas é a alta carga de impostos e tributos, que representa bastante para nós. Outro grande desafio é a falta de organização do poder público em relação a políticas voltadas para o Turismo, pois eles não entendem a importância deste setor para a economia. Temos ainda dificuldades com distribuição, que seriam, na verdade, mudanças às quais os hoteleiros precisam se adaptar. Por exemplo, tínhamos uma funcionária responsável por reservas e tarifas, mas isso não existe mais. Hoje há uma plataforma que cuida de tudo. Os outros problemas são pontuais e, conforme a inovação traz mais formas de trabalhar, eles se resolvem.

HN: Você foi eleito presidente da ABIH-SP em dezembro do ano passado para o triênio 2020-2022. Quais são os principais desafios de assumir a função?
RR: A principal meta da nossa gestão é ser colaborativa, onde todos os diretores, de forma igualitária, se ajudam e colaboram para o bem do setor. Temos planos já estabelecidos entre nós, mas fizemos apenas uma reunião presencial antes da pandemia. À princípio, nossa meta era aumentar o número de associados (que hoje é de aproximadamente 200 no estado), entender o que o setor precisa, montar um CRM e fazer parcerias que gerem resultados financeiros para a entidade e membros, além de realizar um grande evento por ano – e já demos o pontapé inicial. Não conseguimos levar adiante a construção do nosso planejamento estratégico, que deveria ser fechado em dois meses. A prioridade hoje é auxiliar todos os hotéis a passar por esse momento para que eles consigam linhas de crédito e redução dos impostos junto às prefeituras. Entre as nossas ações, fizemos uma parceria com a UAMTOUR, que trabalha com universitários da Anhembi Morumbi para levantamento de dados do setor, como taxa de ocupação e diária média de hotéis independentes, com foco no estado de São Paulo. O que temos hoje sobre os dados é ‘achismo’, e isso não pode acontecer. Apenas 10% dos hotéis são de rede e o restante é independente. Temos um mercado gigante que precisa ser explorado.

HN: Quais ações estão sendo realizadas para apoiar o setor na crise?
RR: Temos uma parceria com o Senac para troca de informações e ajudamos a implementar os protocolos de segurança, ao lado do governo do estado e outras associações. Fizemos um acordo com o Procon para renegociação dos pagamentos, apoiamos a Secretaria de Turismo de São Paulo e a Desenvolve SP para obter financiamento aos hotéis, e mantemos contato com os prefeitos para obter desconto no IPTU e Imposto Sobre Serviços (ISS) nos próximos anos. Ainda conseguimos uma liminar para que as distribuidoras de energia não cortem a luz dos hotéis associados da ABIH-SP caso estejam inadimplentes. Em 2019, ainda estávamos nos recuperando da crise de 2015, e agora temos a Covid, com crise econômica e de saúde. Ou seja, levaremos mais quatro anos para nos fortalecer novamente. Será lenta a retomada, até porque não sabemos quando vai acabar a pandemia.

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