Revestimentos de piso

A imensa diversidade de materiais de revestimentos de piso suscita a dúvida: quando optar por cerâmica, porcelanato, vítreos, madeira, pedras ou carpetes? Como conciliar especificações técnicas e estética? Arquitetos opinam sobre o tema, dão dicas e citam exemplos.

“Para direcionar a escolha de um revestimento de piso de um ambiente é necessário saber as características técnicas desse produto e o que o local exige: resistência à abrasão superficial e mecânica, ao risco, à absorção de água, às manchas e ser antiderrapante”, sintetiza o arquiteto e professor universitário João Rieth.

A estética e o custo são outros argumentos apresentados pelo arquiteto José Moraes, mestre e doutor pela Universidade California Berkeley, na Califórnia (EUA), e sócio-diretor da Place Design, em São Paulo. Ele ressalta que a tipologia do meio de hospedagem não implica na pré-determinação deste ou daquele piso, mas dá maior ou menor relevância no parâmetro de escolha. Por exemplo, o quanto a durabilidade e a facilidade de manutenção são importantes.

Moraes explica que os profissionais de sua equipe consideram que a situação e a característica do empreendimento informam qual a identidade construtiva e o aspecto estético a buscar. Para um hotel de charme no campo pesquisa-se um aspecto de material natural, algo como pedra com textura mineral, madeiras com fibras visíveis ou cerâmicas singelas e de aspecto não industrial.

Um hotel urbano de baixo custo sugere materiais industriais resistentes e com aparência contemporânea, que transmita a sensação de construção nova, ambiente limpo e arrumado. Para um hotel de luxo busca-se materiais que traduzam a elegância e o refinamento, como o mármore carrara venatino ou um substrato mineral agregado, com texturas e acabamentos refinados.

Em sua opinião, “entre as décadas de 1960/70, a proliferação de cadeias internacionais de hotéis no Brasil trouxe alguns padrões como: carpetes para quartos e suas circulações, cerâmicas em banheiros, granitos em lobbies e recepção, cerâmicas e azulejos em cozinhas industriais. Duas ou três décadas depois, esses empreendimentos, antes sinônimos de modernidade, tornaram-se superados.

Perderam tanto para os independentes – com materiais e estética próprios – como para os antigos e ‘clássicos’ que mantêm materiais nobres e um estigma de elegância atemporal. Mas não existe receitas indicando este ou aquele material para este ou aquele ambiente. Acredita-se em um processo de projeto refinado que analise caso a caso as necessidades e soluções. Hoje, para competir no mercado é necessário ter um projeto que contemple elegância e charme”.

DIVERSIDADE

Na última década, houve significativa diversificação dos materiais de revestimentos. Os padrões de resistência e durabilidade melhoraram, os preços de um lado aumentaram devido à maior sofisticação e de outro diminuíram graças à escala e a tecnologia de produção em massa. O nível de precisão, a qualidade de acabamento e o suporte técnico aprimoraram. Nesse cenário, a liberdade de composição e de especificação do projeto aumentou, exigindo do arquiteto e do designer de interiores constante atualização e procura de apoio técnico especializado para especificações. Para tirar proveito dessa profusão de opções é preciso ter um consistente projeto, o qual antecede e orienta a seleção dos materiais, afirma Moraes.

Ele enfatiza que é comum empreendimentos anunciados exibirem uma somatória de materiais luxuosos, mas não é isso que confere a identidade do conjunto. Os edifícios e ambientes mais expressivos e charmosos, em geral, têm uma história de acomodações ou um projeto sutil e articulado.

“Um bom projeto pode transformar materiais simples, como um piso de cimento, em algo vistoso e sofisticado e um projeto negligente pode desperdiçar o mais caro dos mármores em um ambiente indigesto e pesado. Não temos receitas, mas tendemos sempre a preferir as soluções que contemplem integridade, simplicidade, precisão, clareza, elegância, algum toque de graça e magia.”.

Em meio ao processo de diversificação de materiais para revestimentos, a indústria do setor tem investido no desenvolvimento de produtos ecologicamente corretos. Moraes conta que “quando estudei na Universidade de Berkeley, nos anos 80, a ideia de urbanismo e arquitetura ecológica estava sendo formulada e alguns profissionais buscavam meios de transformá-la em um novo modo de projetar. Já existiam experimentos, como condomínios que só admitiam materiais do local e um certo ritmo de obras por ano ou ainda a ‘integral urban house’, uma casa experimental que pretendia ser autônoma no suprimento de energia, alimentos e materiais, além de reciclar seus dejetos”.

Em sua opinião, a consciência de sustentabilidade na arquitetura é uma tendência. Ainda se sobrepõem aspectos do marketing. Para a imagem do meio de hospedagem é relevante galgar os seus degraus: reciclagem de lixo, práticas amigáveis ao meio ambiente e à comunidade, emprego de materiais certificados e edifícios com selos de sustentabilidade. Com essa visão, Moraes pondera: “madeiras certificadas, pedras de jazidas oficializadas, produtos de indústrias com selo de qualidade são itens bem-vindos ao projeto, mas continua importante (inclusive sob a ótica da ecologia) a observância dos critérios de durabilidade, funcionalidade, estética e identidade.

REVITALIZAÇÃO

Observando os conceitos expostos, o Portobello Resort & Safári, em Mangaratiba (RJ), reabre em 2 de julho, após ter interrompido suas atividades, em junho, para obras de modernização. Priorizando a exuberante natureza que o cerca, as inovações têm proposta “clean”. Os quartos estão com nova textura, cor, iluminação e mobiliário, além de TVs LCD 32”. Os banheiros ganharam bancada em mármore carrara. Assina o projeto Flávio de Berredo, arquiteto que acumula participações em eventos cariocas de decoração (Casa Cor Rio, Casa Shopping, Rio Design Barra e Leblon). Nas obras, o piso de cerâmica foi mantido. Flávio argumenta: “está em ótimo estado de conservação, suas cores neutras valorizam ainda mais o novo conceito”.

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