Revestimento ecológico

Com opções de sobra no mercado, designers e arquitetos abusam da criatividade

Mais do que politicamente corretos, os revestimentos ecológicos entraram definitivamente na moda. Para a indústria brasileira, particularmente, não faltam opções em matéria-prima e a cada dia surgem novas técnicas visando o menor impacto possível ao meio ambiente. “Os profissionais de hoje em dia devem saber classificar o reciclado, o ecologicamente correto e o sustentável. Todos têm o seu valor, mas cada um em sua escala. Continuar usando a palavra sustentável apenas como ferramenta de marketing não vai ajudar em nada o futuro de nossos filhos“, afirma George Zimmermann Mari. Proprietário de uma distribuidora de revestimentos ecológicos para todo o território nacional, Zimmermann vem colecionando prêmios pelo trabalho que realiza pautado na responsabilidade ambiental.

De seu portfólio saem soluções para revestimentos de pisos, paredes, mobiliário, decks e ofurôs utilizando material plástico ou placas cimentícias, que reproduzem com alta fidelidade a madeira, as pedras e o concreto. E mesmo quando a matéria-prima é retirada da natureza, como é o caso da castanha do Pará, açaí, pupunha e banana, apenas para citar alguns, todo o processo passa por rigorosos critérios de sustentabilidade. Segundo Zimmermann, a produção de pastilhados a partir da castanha do Pará, por exemplo, envolve 30 comunidades indígenas do Alto Solimões. E o que é descartado nesse processo vira adubo de jardim. Ou seja, nada é desperdiçado, pois o que sobra é reabsorvido pela própria natureza.

As soluções estão ganhando o mundo, como analisa a designer portuguesa Isabel Leitão Cymerman, que recentemente desenvolveu uma série de projetos, utilizando material extraído da casca de amêndoa. “Aplicado em murais, esse material não é apenas decorativo como também muito eficiente do ponto de vista técnico, porque são isolantes térmicos, sonoros e resistentes ao fogo. Estas características são fundamentais para a hotelaria. Estes painéis tanto podem ser aplicados no interior como no exterior, em paredes ou tetos. Também podem ser incorporados em móveis, portas ou qualquer outra superfície passível de revestimento”, explica.

Segundo Isabel, o material é produzido a partir de um composto de resinas e cascas de amêndoa trituradas que combina as melhores propriedades da madeira e do plástico, apresentando características muito interessantes de isolamento térmico e acústico. “Trata-se de um material ecológico pois aproveita um resíduo vegetal, não origina quaisquer resíduos sólidos, líquidos ou gasosos no seu processo de desenvolvimento e é biodegradável e reciclável. Este compósito inovador é muito leve, simples de aplicar e de fácil manutenção, sendo resistente à ação do sol e de grande maioria de detergentes domésticos, além de totalmente impermeável”, completa.

A natureza agradece

Para alguns empreendimentos que já nasceram sob a ótica da sustentabilidade, essas técnicas são mandatórias desde a concepção do projeto. Inclui-se nessa situação o Tivoli Ecoresort Praia do Forte, na Bahia, que abusa da utilização da fibra de coco na produção de luminárias, molduras de espelho e painéis, além de servir também como revestimento de mesa. “As árvores que dão origem ao produto continuam vivas, portanto podemos dizer que o produto é ecologicamente sustentável”, afirma o diretor geral do resort, João Eça Pinheiro.

O diretor lembra que o pastilhado de coco é um produto que já está no mercado há bastante tempo, e sob o ponto de vista técnico apresenta um excelente desempenho e durabilidade, além de originalidade e beleza. “A casca de coco tem naturalmente em sua composição uma substância chamada tanino, um biocida natural que impede a formação de fungos e bolores no material e também protege contra o ataque de insetos”, explica.

Entre as principais vantagens do produto estão a funcionalidade, porque são superfícies laváveis e, portanto, de fácil limpeza; é multifuncional, podendo ser aplicada em pisos, paredes e mobiliário; e por aceitar qualquer tipo de acabamento.

Em Búzios (RJ), a sustentabilidade também é prioridade Insólito Boutique Hotel, como ressalta a CEO Emannuelle Meeus de Clermont Tonerre. “Acabamos de inaugurar nove suítes, nas quais utilizamos um piso de madeira originário de casas de campo que foram demolidas no Rio Grande do Sul. A qualidade é impressionante. O mesmo piso também é usado em uma das nossas salas de estar, que conta ainda com um sofá Mama, assinado por Gaetano Pesce, estante da designer Juliana Llussá e uma mesa da artista Elma Chavez, que transforma troncos e raízes mortas encontrados na Bahia em belos móveis”, conta.

Ainda segundo a CEO, no Beach Lounge, espaço de três mil m2 inspirado nos clubes de praia europeus, todo o mobiliário é feito de madeira certificada. “As almofadas, que ficam nas tendas que protegem o público do sol, são feitas de fios reciclados produzidas a partir de retalhos de malha da indústria têxtil, sem a utilização de corantes ou produtos químicos”, finaliza.

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