ReformBnB debate impacto da Covid e regulamentação do aluguel por temporada

Na última quarta-feira (4), o Global ReformBnB Forum promoveu um novo encontro com especialistas, que traçaram um panorama do setor dos meios de hospedagem durante a pandemia de Covid-19. O country head da AirDNA na França, Tom Payne, que atua com análise de dados para a indústria de aluguel de curto prazo, apresentou números recentes que mostram o impacto da crise.

Houve quedas significativas nos mercados de todas as regiões: -18% na América do Norte, -19% na Europa, -15% na América do Sul, -23% na Ásia, -22% na África e -20% na Oceania, comparando os meses de setembro de 2019 e setembro deste ano. Cidades populares do turismo global sofreram com as restrições de viagens, entre elas Nova York, com queda de 70% em reservas de pernoites, Berlim (-55%) e Cidade do México (-49%).

Outro ponto que reduziu drasticamente foi a distância média das viagens realizadas em 2020, reforçando a tendência de busca por destinos regionais e próximos de casa. Na Europa, por exemplo, os turistas em Amsterdã reduziram de 1,8 mil para 552 quilômetros a distância de viagem.

Em Dublin, a diferença é ainda mais radical, de 4 mil quilômetros para apenas 108 quilômetros de distância média, e em Roma, de 6,5 mil quilômetros para 603. “As viagens domésticas viraram preferência até pelas burocracias nas viagens internacionais, devido às restrições no turismo e bloqueio de fronteiras”, diz Payne.

Kelsey Fenerty, analista de Pesquisa na STR, mostrou uma pirâmide da hierarquia necessária para o processo de recuperação do mercado. O primeiro passo é a reabertura dos hotéis, algo que já aconteceu fortemente, seguida pela abertura de fronteiras, retorno das empresas para os escritórios e a chegada de uma vacina/cura para a Covid.

Na hierarquia por tipo de viagem, o primeiro a retomar é o lazer doméstico e as rotas de curta distância. Depois vem o corporativo doméstico, as viagens internacionais a lazer e negócios e a retomada dos grupos. “Ainda temos questões incertas sobre o impacto da segunda onda da pandemia e novos lockdowns, além do quão rápido será aprovada e aplicada em massa uma vacina”, diz Kelsey.

A live ainda teve um debate com Marie Aubren, diretora geral da HOTREC (organização para hotéis, restaurantes e cafés na União Europeia), Julio Facal, sócio-fundador da Yelpo, Manolis Psarros, CEO da agência de marketing Toposophy, e Mauro Magnani, CEO do Torremayor Hotel Group do Chile.

A principal discussão envolveu a necessidade dos governos regulamentarem o Airbnb que, segundo os empresários, atrapalha a demanda do setor hoteleiro e deveria ser limitado.

Movimento contrário no Brasil

Além da Europa, a manifestação de hoteleiros começou a ganhar força em países sul-americanos, mas no Brasil até agora essa ideia não foi para frente e a tendência é o inverso. No Rio de Janeiro, em 2019, foi considerado inconstitucional um projeto que tentava caracterizar o aluguel por temporada como “serviço de hospedagem remunerada” e que os responsáveis pelas propriedades pagassem ISS.

Durante a disputa, o Airbnb justificou que a locação por temporada é regulamentada pela Lei do Inquilinato. E que “o tributo aplicável à atividade é o imposto de renda sobre o valor recebido do aluguel”. A empresa reforçou ainda que “é inconstitucional qualquer projeto de lei municipal que vise alterar uma lei federal”.

Nas últimas semanas também foram anunciadas parcerias da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo e da ABIH-SP com o Airbnb, relacionadas à promoção turística e oferta de experiências com a comunidade local .

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