Quando a união faz a força

Destinos surgem ou renascem da força do turismo e da hotelaria

O trajeto de 1,6 km de percurso que liga o Rio de Janeiro a Minas Gerais vai ficar mais verde quando for concretizado o Projeto Árvore é Vida, lançado com o propósito de incentivar o plantio de um milhão de mudas ao longo da Estrada Real. A proposta encaminhada ao governo de Minas Gerais no final do mês passado pela Associação das Caminhantes da Estrada Real quer incentivar o reflorestamento e impulsionar a conscientização ecológica. O plantio será precedido de planejamento e estudos para identificar áreas, espécies e técnicas adequadas.

A viabilidade o projeto, no entanto, vai depender do poder de articulação das pontas envolvidas em um projeto desse vulto – governo, iniciativa privada, as comunidades locais e o próprio Instituto Estrada Real. Esse breve relato serve apenas como preâmbulo para mostrar o que a união de esforços de pontas tão distintas pode fazer quando bem arregimentadas e com um propósito em comum. Mundialmente a indústria do turismo está repleta de boas práticas nesse sentido.

O complexo do Costão do Santinho (SC) transformou uma área antes ocupada basicamente por colônias de pescadores e pequeno comércio local em uma megaestrutura turística composta de nove piscinas ao ar livre e 695 apartamentos com capacidade para abrigar 1,9 mil pessoas dispostas em 14 vilas batizadas com espécies de fauna e flora da região. Tudo inserido em uma área de 750 mil m2 de Mata Atlântica preservada e mais de 200 mil m2 de área construída.

Silvio Elias, diretor do Costão, lembra que antes da construção do complexo, apenas dois restaurantes de praia cumpriam o atendimento aos turistas de verão. “Tendo aumentado, em muito, o fluxo de turistas em Florianópolis nos últimos 20 anos, naturalmente a praia do Santinho desenvolveu-se economicamente – surgiram bares, restaurantes, pousadas, lojas de conveniência, pequenos supermercados e até dois pequenos centros comerciais –, acompanhando esse movimento. No entanto, a praia permanece intacta, já que essa ocupação do solo, em sua maioria, fica separada da faixa de areia pelas dunas que ocupam 80% do comprimento da praia”, conta.

A chegada do complexo trouxe emprego direto a 700 moradores de Santinho, Ingleses e Rio Vermelho, os três bairros que compõem o canto nordeste da ilha, um universo que equivale a aproximadamente 90% da mão de obra contratada. Ainda segundo Elias, além de empregar a comunidade, o Costão possui representação na associação de moradores do bairro – o que garante a subsistência da colônia de pescadores local, recebe escolas de toda a região no seu programa de educação ambiental, já promoveu por duas vezes casamentos coletivos em suas instalações para os moradores do bairro, faz campanhas regulares e contribui com a distribuição de agasalho, móveis e utensílios a entidades de ação social, entre outras iniciativas.

Efeito multiplicador

No início da última década, quando o Club Med anunciou que construiria um resort em Trancoso, no litoral sul baiano, foi imediatamente fechada uma parceria com o então Governo do Estado que resultou na reconstrução de toda rede elétrica de Arraial d’ Ajuda e Trancoso e no asfaltamento da estrada que liga Porto Seguro a Trancoso. Desde então, o Club Med também passou a colaborar com o Conselho de Segurança da Região para apoiar e reforçar o policiamento, especialmente na alta temporada.

Ainda na Bahia, mais precisamente em Itaparica, onde foi instalado o primeiro village brasileiro do Club Med, cerca de 230 colaboradores são nativos ou moradores da ilha. Já em Cabo Frio, onde a rede francesa tem neste momento em construção o quarto village no Brasil, a instalação do aeroporto foi definitiva no processo de escolha do destino que abrigaria a mais nova operação.

“O desenvolvimento do turismo em alguma região sempre tem um impacto positivo sobre diversos aspectos do local seja na economia, na infraestrutura ou divulgação da cidade para o mundo. Em Itaparica, por exemplo, apoiamos não só o desenvolvimento da economia local como a criação de talentos, pois treinamos todos os nossos funcionários para trabalhar com turismo e hotelaria”, afirma Janyck Daudet, presidente do Club Med na América do Sul.

De acordo com o executivo, a chegada do Club Med a Trancoso, além do reforço à infraestrutura local, deixou como legado a divulgação da cidade para o mundo. “Antes da nossa chegada ninguém conhecia Trancoso. Era um nome que não existia no turismo internacional. Após a construção do village, Trancoso chegou à Europa. O Brasil todo passou a conhecer essa região de Porto Seguro, que é hoje um dos lugares mais badalados do País. Não é à toa que Trancoso é comparada a Saint Tropez”, pontua.

“O nosso quarto village, na Praia do Peró, segue pelo mesmo caminho: a estrada até lá era de terra e bastante esburacada, mas quando anunciamos nossa intenção em construir um Club Med na praia, a estrada que liga o local a Cabo Frio foi asfaltada, diminuindo o tempo de percurso. Esse foi um grande ganho para a população e até para os turistas do Rio ou São Paulo que têm casas de veraneio na região. Outro fator importante foi a construção do aeroporto internacional de Cabo Frio, essencial para nós, pois acesso é algo de extrema importância para o turismo”, conclui.

Na Ilha de Comandatuba – outro case de sucesso do turismo baiano – a instalação de um aeroporto em Una encurtou em muito a distância aos hóspedes do Hotel Transamérica, que antes tinham de amargar o trajeto por terra a partir de Ilhéus ou Salvador. “Por facilitar a logística de transporte e tornar mais breve a viagem até Comandatuba, o aeroporto é um pólo irradiador de melhorias em todos os aspectos e, em particular, no fomento à produção de trabalho e renda para uma das principais vocações da região, o turismo”, afirma Thomas Humpert, diretor do Hotel Transamérica Ilha de Comandatuba. “O crescimento local e o desenvolvimento na qualidade de vida da população são fatores que nos estimulam sempre a implantar melhorias”, complementa.

Exemplo de reconstrução

Mas o que dizer quando um dos top destinos mundiais ressurge após um abalo que por pouco não o relegou ao ostracismo? Na revitalização de Lower Manhattan, a área de Nova York em que se localizavam as torres gêmeas do World Trade Center até serem derrubadas pelos atentados de 11 de setembro de 2001, a indústria hoteleira exerceu papel fundamental no processo de recuperação que perdura há quase dez anos. De lá para cá foi necessário muito trabalho para reconstruir propriedades, lojas, restaurantes e toda a oferta de serviços do entorno.

Esse papel relevante do setor local foi destacado publicamente pelo prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, quando do lançamento oficial da campanha Get More NYC: Lower Manhattan. O objetivo é levar mais pessoas a explorar a área histórica e iconográfica de Nova York, se hospedando nos hotéis e vivendo a experiência de compras e gastronomia locais. “O 11 de setembro é ponto focal de Lower Manhattan, um lugar que muita gente apostava que se tornaria uma espécie de ‘cidade fantasma’. Após dez anos, porém, com a contribuição de pessoas do país inteiro para a revitalização da área, estamos ansiosos para apresentar aos turistas um bairro renovado. Este é um local que representa muito para nós, porque aqui foram traçadas as primeiras linhas da história de Nova York, há quatrocentos anos. E é aqui que estamos escrevendo um novo capítulo”, declarou Bloomberg.

O Get More NYC: Lower Manhattan entrou em vigor no último dia 1º de junho e inclui diversas promoções e benefícios para os turistas, além de itinerários. A campanha recebeu adesão total dos hotéis do entorno, que vão oferecer diárias promocionais nos fins de semana junto com um Downtown Culture Pass gratuito, para que os hóspedes possam aproveitar a região. Durante o lançamento da campanha, o prefeito anunciou, ainda, a inauguração oficial do Memorial 9/11 para o próximo dia 12 de setembro. A abertura ao público ocorrerá um dia após a solenidade e foi preciso colocar um site no ar, que funciona desde o início de julho no endereço www.911memorial.org, para organizar o acesso dos visitantes ao memorial.

“Nas semanas e meses que sucedem o aniversário do 11 de setembro, Lower Manhattan estará em evidência para o mundo. Por isso, estamos preparados e muito animados para receber nossos visitantes e convidá-los a viver a experiência de estar aqui com outros olhos”, reforçou George Fertitta, CEO da NYC & Company, organização responsável pelo marketing e turismo oficial de Nova York, que abriga 20 hotéis, totalizando cinco mil quartos. Três novas propriedades abrem ainda este ano adicionando a essa oferta mais 769 quartos.

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